Que horas são?

domingo, 25 de dezembro de 2011



  
  Da lista de propósitos para 2012... 




 "Não me deixe viver o que posso,

  que me seja permitido desaprender          
  os limites"

                                          
(fabrício carpinejar)






sábado, 24 de dezembro de 2011






Para um fim de semana inspirador,

a poesia do CARLOS EDUARDO LEAL,





"Quero deixar para você quando eu não 

estiver mais aqui


Minhas poesias inéditas e aquelas por 

escrever


Meu cheiro nos teus sonhos


Meu olhar dentro do teu


Meus sorrisos que esqueci de te dar


Minhas impressões digitais na poeira da tua

memória


Um caminhar de mãos dadas pela areia da

praia


Meus livros - todos eles


A distância desnecessária


A saudade desenfreada


O canto de um pássaro


Algumas garrafas de vinho tinto


Duas taças e,


Meu amor."









                           (presépio montado na escola do meu filho)


"Que na noite de Natal possamos celebrar os presentes e não lamentar aqueles que não puderam comparecer."

(Livia Garcia Roza)





E porque é véspera de Natal, fiquei pensando sobre o fato de que a Vida não me apresentou o Natal quando eu era criança. Cresci sem que esta data representasse muito pra mim, a não ser um certo desconforto e deslocamento no cenário natalino.



Por vezes vejo crianças fascinadas com as árvores de Natal. Não vivi isto. E, na tentativa de preencher este espaço, busquei na memória algo equivalente. E as descobertas foram muitas.



Na casa da minha avó paterna "tudo podia", os limites eram os da nossa imaginação. Cresci convivendo com meu primo, apenas um ano mais velho do que eu, e que era o típico menino do interior. Subia em árvores, andava descalço, tomava banho de chuva. E eu, a menina que não podia sujar a roupa, muito menos andar descalça. Sol? Nem pensar. Branquinha!


Brincávamos horas seguidas, construíamos nossos brinquedos e minha avó era a parceira que dava vida à nossa imaginação. Eram dela os lençóis que amarrávamos para fazer casinha, enquanto ela preparava o bolo para a "nossa casa".

Então lembrei que meus olhos brilhavam, quando  descobria um ovo no galinheiro, ou colhia a cenoura e aquela cor vibrante me fascinava. E da vez que colhi uma cenoura ainda muito pequena e minha avó disse que era preciso esperar o tempo certo para colher, que aquela era uma "cenoura - bebê" e necessitava ficar com a sua mãe, a terra. Chorei copiosamente, por horas, porque senti "pena" da cenoura e de tê-la afastado da sua mãe. Acho que neste momento comecei a entender a palavra CULPA.


E a aventura que era procurar os morangos mais vermelhinhos debaixo das folhas verdes. Encontrá-los era um prêmio que podíamos saborear ali mesmo. E se fosse de manhã bem cedinho? Tudo certo, aquele seria nosso café da manhã.

E, desde cedo aprendi que as coisas mais interessantes nem sempre têm acesso fácil. Assim era com os figos. O mais bonito, mais maduro estava sempre no topo  da figueira. Tão cedo já comecei a entender que a relação entre homens e mulheres é complementar. Por que não subia em árvores, era necessário convencer meu primo a ir até lá e colher para mim. O que por vezes exigia um tempo maior para convencê-lo.

E os caquis???!!!  Maravilhosos!!  Logo depois da figueira, havia um pé de caqui, estes mais acessíveis. E deliciosos! Até hoje amo esta fruta.

Andávamos mais um pouco e havia uma plantação de taquaras (uma prima do bambu). Podíamos entrar ali como se entrássemos em uma floresta encantada. Um portal para um mundo em que reinávamos absolutos. Descobríamos insetos, guardávamos objetos, organizávamos uma casa. Adultos não eram bem vindos.

À noite, ficávamos sentados debaixo de uma parreira enorme, ouvindo meu avô contar seus causos. Histórias incríveis, com homens valentes, animais perigosos e um herói, claro. O cenário sempre era uma estância no pampa gaúcho, "com muitas quadras de campo", ele dizia. Os homens todos eram corajosos e as mulheres delicadas e frágeis, que precisavam ser protegidas.

Com ele aprendemos os nomes das estrelas, e eu não entendia quem havia escolhido estes nomes: "Três Marias", "Cruzeiro do Sul"... E por que elas pareciam dançar no céu? E a Lua? Meu avô jurava que São Jorge ainda estava lá.

Agora, entendo que ele criava estas histórias no momento que nos reuníamos. Ia acrescentando personagens e cenários à medida que nosso interesse aumentava. O que ele não contava era com o espírito crítico do meu primo, que, volta e meia, fazia uma pergunta que mudaria o rumo da história. "E se a onça fosse menor?", " E se a cobra fosse maior?", "E se o homem corajoso sentisse medo e sentisse dor de barriga?". Perguntas pertinentes, é claro. Não para o meu avô que tratava de encerrar a história e deixar a nossa imaginação fervilhando.

Em dias de chuva, minha avó fazia pão e bolo, e podíamos ser seus ajudantes, trabalhar a massa, espalhar a farinha com as mãos, quebrar os ovos e comer os "restinhos" das coberturas e recheios. Sem falar naquelas forminhas para confeitar o bolo. Vários formatos...estrelinhas, luas, corações.

E as fornadas de merengue assado?? Divinos!! Nunca mais comi nada igual. Crocantes por fora,  e dentro, muito merengue derretido 



Minha avó fazia bonecas de pano com enchimento de meias. Tardes inteiras costurando à mão. Ponto a ponto. E eu, aos cinco, seis anos, achava aquilo tudo muito mágico.


Na casa da minha avó materna, as permissões eram poucas e os limites muitos, mas havia outro mundo que me fascinava: o mundo da moda.

Ela era costureira, confeccionava roupas para as mulheres mais elegantes da cidade, numa época em que as pessoas frequentavam um ateliê de costura.

Folhear as revistas de moda, organizar as linhas coloridas, enfiar a linha na agulha da máquina e saber a função do dedal e dos moldes. Ver aquelas mulheres provando as roupas, vê-las prontas e acompanhar minha avó na entrega era   muito interessante. 

Agora vejo que, nesta convivência, comecei a treinar meu olhar para o universo das roupas e das cores, aprendi a transitar no mundo feminino e suas delicadezas e sutilezas. Hoje, apesar de nunca ter seguido padrão de moda e beleza, sou totalmente fascinada por este universo. A moda e sua linguagem que seduz.

Até onde minha memória alcança, estas são as melhores passagens daquele período.

Comecei este texto falando do que a vida não tinha me apresentado e fiz isto em dois parágrafos. Em contrapartida, listei várias situações em que, certamente meu olho brilhou muito, meu coração  bateu descompassado e minha ingenuidade me fazia crer que aquilo era felicidade. E era tanta, que misturou-se a várias outras lembranças e ressurge agora, colorida, vibrante e intensa, para que eu saiba valorizar os presentes e conviver com as lacunas.


"Que na noite de Natal possamos celebrar os presentes e não lamentar aqueles que não puderam comparecer."

Inspirada nesta frase da Livia Garcia Roza, desejo um FELIZ NATAL para todos vocês.
Muitas bençãos nas suas vidas, saúde, paz, amor e que saibamos valorizar cada momento que a Vida nos oferece.




sexta-feira, 23 de dezembro de 2011







PARA TI



"Foi para ti

que desfolhei a chuva

para ti soltei o perfume da terra

toquei no nada

e para ti foi tudo



Para ti criei todas as palavras

e todas me faltaram

no minuto em que talhei

o sabor do sempre



Para ti dei voz

às minhas mãos

abri os gomos do tempo

assaltei o mundo

e pensei que tudo estava em nós

nesse doce engano

de tudo sermos donos

sem nada termos

simplesmente porque era de noite

e não dormíamos

eu descia em teu peito

para me procurar

e antes que a escuridão

nos cingisse a cintura

ficávamos nos olhos

vivendo de um só

amando de uma só vida."




MIA COUTO






quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

                                                                                          (vivo olhando para o céu...)





Li esta fábula judaica e pensei no quanto ela se aplica neste período de Natal e festas de fim de ano.






"Um rabino foi até Deus, o Jeová das Sagradas Escrituras, e perguntou-lhe qual era a diferença entre o o céu e o inferno.



No inferno, havia no centro de um salão uma grande grelha com assados apetitosos. Aos frequentadores, foram dados garfos de dois metros de comprimento. Eles trincavam os garfos nas carnes assadas, mas não podiam conduzir os churrascos até as suas bocas, em face do comprimento dos garfos.



Então, Deus conduziu o rabino até o céu, havendo lá outros frequentadores e os mesmos garfos compridos. A diferença é que no céu os convivas alcançavam para as bocas uns dos outros os pedaços assados.

O céu, portanto, era um lugar propício para as pessoas que se ajudam umas às outras, foi o que quis explicar Deus ao rabino."



Para refletir sobre solidariedade, gentilezas, doação, empatia, amor...


quarta-feira, 21 de dezembro de 2011







ANA LÚCIA TEIXEIRA é minha amiga querida. Veio até mim por um caminho inusitado, jamais pensado por nenhuma de nós. As placas deste caminho sinalizavam que não poderíamos ser amigas, mas, porque somos inteligentes, maduras e sensíveis (e modestas, claro!), decidimos mudar as placas, esquecer as bagagens em uma estação distante e seguir viagem juntas.

Digo que, às vezes, somos quase irmãs siamesas, tal o número  de afinidades que temos. E as sintonias? Todas!!

ANA LÚCIA é uma mulher ímpar. Inteligente, delicada, sensível, lúcida, amorosa e com um coração imenso.

Ela sabe o quanto tem me inspirado. Quantas mudanças houve em mim, depois de conhecê-la.

Sempre temos assunto. Há pauta para qualquer encontro.

Em determinado momento precisamos abrir as janelas da alma, compartilhar sentimentos e desencantos, medos e descobertas que poderiam ter posto um ponto  final nesta amizade.
Ao contrário, isto apenas fortaleceu nosso vínculo afetivo.

Foi ela a responsável pela criação deste blog. Sempre insistia para que eu tivesse um espaço para falar do meu olhar sobre a Vida. Hoje o AMORANINHA tem iluminado os meus dias.

ANA LÚCIA  é uma das pessoas mais fáceis de amar, é de uma simplicidade que encanta, mas tem uma alma com uma essência sofisticada

2011 foi um ano intenso pra mim, e pra ela também. Tivemos perdas, alguns ganhos, outros empates. Mas a Vida, sábia e generosamente soube compensar e a ANA foi um dos meus melhores presentes.

Ana Lúcia, Anabacana, Anaroccana, Anamostrada. Tantas Anas moram nela e todas têm o dom de alegrar os meus dias.




Anaquerida, desejo muitas bençãos na tua vida, um Natal de sorrisos, filhos e celebrações e milhares de anos para a nossa amizade.



Aqui o link para um blog lindo como quem o criou...
http://roccana2.blogspot.com/ 

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011





https://www.facebook.com/video/video.php?v=1935430113442#comments




CARLOS EDUARDO LEAL


Psicanalista, escritor e poeta, com uma lucidez intelectual que encanta.

Carlos Eduardo fala neste vídeo sobre a traição e as consequências emocionais que ela produz. 
 
Disseca este acontecimento da Vida com a serenidade de quem está acostumado a cuidar do outro, na prática clínica e na poesia.

Ler e ouvir Carlos Eduardo é sempre um aprendizado. Conviver com ele é um presente!



POESIA: "Fragmenta" e "A sede da mulher"

ROMANCES: "O nó górdio" e "A última palavra". 








Sinto-me.

Sinto-te.

Sinto-nos..

SOMOS!

(declaração - confissão - certeza - propósito)



Para começar a semana nas melhores vibrações, celebrando as chegadas, os sentidos, os sentimentos...

Conjugar os verbos no tempo presente...proferir palavras que sigam tão-somente as partituras do nosso coração, e com elas bordar frases inteiras de puro encantamento.


BOA SEMANA!







domingo, 18 de dezembro de 2011





AMAZING GRACE!! 


Independente da crença religiosa de cada um, certo é que muitas graças nos foram concedidas durante este ano que termina.

Este foi um dos meus aprendizados em 2011: agradecer, agradecer e agradecer. Prestar atenção aos presentes pequenos que recebi pela Graça Divina, reconhecê-los e...agradecer!

Todos os dias acontece um milagre que não é reconhecido. Milagrinhos, às vezes, mas que só aconteceram pela graça de Deus.



Estar vivo, voltar em segurança para casa, ver os filhos saudáveis, trabalhar, ter saúde, sentir amor, ter inspiração, motivação, caminhar...São tantos! E sei que cada um de nós tem sua lista particular de milagres recebidos. Quando ganhamos um presente, dita a regra que devemos agradecer a quem teve este gesto delicado e generoso. Pois assim deveria ser quando recebemos uma graça. Agradecer a quem depositamos nossa fé e confiança.

Ainda que soe estranho, tenho aprendido a agradecer pelas situações que não se concretizaram, pelos planos que fiz e não deram certo, pelas pessoas que encontrei e  ficaram no meio do caminho com suas máscaras e disfarces e pelos "nãos" que recebi. Toda vez que isto aconteceu, a Luz Divina sinalizou um outro caminho, mais florido, mais ensolarado, mais verdadeiro, mais generoso.

Agradecer pelo que deu certo é festivo, colorido, fácil. Agradecer pelo que foi contra a nossa vontade e planos requer uma virtude maior: a humildade.
É preciso ser humilde e aceitar que a Vida é muito maior do que a nossa vontade e que nossos planos devem estar alinhados aos planos Divinos. 

Humildade, Gratidão, Milagre...sempre!
 
AMAZING GRACE!! 

                                     ("Bela sintonia e suave sincronicidade..." é o que temos.)      
     





ALGUNS PROPÓSITOS PARA  2012






Eliminar as culpas

Fazer Pilates

Aprender a administrar o Tempo

Viajar

Encontrar e reencontrar as pessoas

Praticar o desapego







(continua...)











sábado, 17 de dezembro de 2011

                                                              (No meio do caminho tinha uma rosa...)







CORRIDINHO

 

 

O amor quer abraçar e não pode.

A multidão em volta,

com seus olhos cediços,

põe caco de vidro no muro

para o amor desistir.

O amor usa o correio,

o correio trapaceia,

a carta não chega,

o amor fica sem saber se é ou não é.

O amor pega o cavalo,

desembarca do trem,

chega na porta cansado

de tanto caminhar a pé.

Fala a palavra açucena,

pede água, bebe café,

dorme na sua presença,

chupa bala de hortelã.

Tudo manha, truque, engenho:

é descuidar, o amor te pega,

te come, te molha todo.

Mas água o amor não é.

                                              Adélia Prado




 Adélia Prado é perfeita em prosa ou poesia. Este poema, em especial, vi lá no perfil do Facebook do meu amigo Eurípedes Alvarenga Barbosa, que faz poesia também e é inspiradíssimo.




Ganhei um carinho:

EU:      "Posso levar o poema lá para o blog?
"

 
EURÍPEDES:    "Pois leve, Adélia vai se sentir em casa - seu blog tem tamanho infinito mas acolhe como se fosse ninho pra ovo, filhote e ave..."

 

Obrigada, Eurípedes!!! Boas palavras são um carinho na alma.





 

 
 
Sorriso do dia que nasce...
 
Ingenuidade das horas que se oferecem, generosamente.

Forças renovadas, olhos no horizonte onde estão todos os sonhos. 
 
Música para encantar.



BOM FIM DE SEMANA!

                                                                      (Nem a Vida tem a nitidez necessária...)




"É urgente que eu entre,
Tudo o demais são amenidades.
Cerrar-me em casa, em livro,
em amor, em recipientes,
desabotoar o vestido não é entrar.
Estar em corpo não é entrar.
Jazer em saudades, póstumo,
não empurra para dentro.
Coeso em pele não é entrar
Dividir a solidão, amantes
sob um teto sonoro de chuvas.
Subir juntos à nascente
das águas; cobrir-se mútuos
de vários silêncios, um tapume
de frutas do esquecimento,
alheios à colheita, aos ciclos,
deixa-nos no átrio. O nascimento
não abre para o dentro. A morte
não é a porta do retirar-se
ao miúdo. Progredir em sombras
até fenestrar a luz não fende
o casulo. O amor não exaure
os degraus. A barca da solidão
não alcança a outra margem.
Desprender-se de si mesmo
não atravessa o umbral.
Entranhar-se ainda é fora.
Ensimesmar-se é apenas umbigo
da entrância do não conter-se.
Vem antes do início e transborda
o acabamento de um pergaminho
enrolado ou uma gema sepulta.
Vinhedo e vinhador, o dentro
é intransponível e urge que eu entre."




MARIA CARPI - poema nº 60 do livro  AS SOMBRAS DA VINHA










quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

 
 
 
Carlos Eduardo Leal é psicanalista e escritor. Escreve com as letras da delicadeza e da sensibilidade...Sabe pontuar os poemas e dar voz às emoções. Aquarela os dias de quem, de alguma forma, convive com ele.


 
 
TEUS OLHOS



 
 
 
Acolho teus olhos ainda úmidos em minhas mãos.
Sei que estás em mim.
Também sei que perdi meus olhos em ti.
Tantas nuvens impediram-me de ver teu rosto
Iluminado / Transparente / Lírico.

Depois veio o vento
Rigoroso
E teus cabelos voaram
E tua voz secou diante do céu
Em chamas.

Ainda na cama dos sonhos
A lembrança das tintas 
Quadros em movimentos
Cores enfeixadas na paixão.

Um minuto /
Pedi.

Um longo silêncio /
Ouvi.

Era um sim?
Um não?
Talvez.

Teus olhos / 
Quis segurá-los
Mas era minha a cegueira
Azul profundo / Abissal oceano.

Teus olhos a dizer /
Lágrimas que nunca vi
Meus olhos a arder /
Ausências de ti.   

Acolho teus olhos ainda úmidos em minhas mãos.
 
 
 
 
 
 

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

 

O Azul e o Tempo

                                                     Oswaldo Montenegro

 
 
Nada pra se acreditar
Mas o tempo não manchou o azul
Nada pra se acreditar
Mas o vento baila o mar azul
Nada pra se acreditar
Mas tá tudo azul
Nada pra se acreditar
Mas a fé tingiu o azul de anil
Nada pra se acreditar
Mas os santos rezam pro Brasil
Nada pra se acreditar
Mas você já viu
Tudo que vai rebrilhar
Tudo que vai renascer
Tudo que vai nos salvar
Sem que a gente espere
Canta pra comemorar
Grita pra amanhecer
Solta o choro da alegria
Que a paz adere
Pra se acreditar
Que o tempo não manchou o azul
Pra  se acreditar
Que o vento baila o mar azul
Pra se acreditar
Que tá tudo azul



Oswaldo e Madalena viveram uma relação amorosa que, em determinado momento terminou, e o amor seguiu o caminho que deveria ser natural, transformou - se em amizade forte e com laços indestrutíveis. Lealdade e amorosidade.


Ouvir o depoimento emocionante de Madalena sobre a origem desta música é uma lição que enche o coração de energia. Por que há momentos na Vida em que tudo parece perdido, um túnel sem fim e mal iluminado; e só o que precisamos é de um abraço, uma palavra e um ouvido atento. 

Ela diz  "Sei que tendo alguém como Oswaldo na minha vida, pode vir o que for do lado de lá, que terá jeito!"
Uma segurança afetiva absoluta herdada de uma relação que deu os melhores frutos.

Ele diz: "A música foi um carinho na dor que Mada estava passando." 

Amor na potência 100!! Tão delicado, tão generoso, tão desprendido! Coisas que só um bom amor proporciona.
 

"Oswaldo é o Azul e o Tempo na minha vida!" (Madalena Salles)
 
 


Simples assim...

                                         (árvores da Praça da Alfândega em Porto Alegre -nov/2011)

 
"É tão difícil falar e dizer coisas que não podem ser ditas. É tão silencioso. Como traduzir o silêncio do encontro real entre nós dois? Dificílimo contar. Olhei pra você fixamente por instantes. Tais momentos são meu segredo. Houve o que se chama de comunhão perfeita. Eu chamo isto de estado agudo de felicidade".
 
 
                                 Clarice Lispector
 
                  
                    Encanto e êxtase...








 
 
 
Estive pensando sobre os presentes que ganhamos da Vida e, por vezes, nem agradecemos.
Talvez porque o ano esteja chegando ao fim e é uma época propícia para fazer um balanço do que temos vivido, ou porque simplesmente estas epifanias acontecem conosco, em qualquer período do ano...
 
 


O LUAN é um destes belos e generosos presentes que recebi da Vida. Nos relacionamentos ganhamos filhos e netos emprestados. LUAN é meu neto "emprestado", segundo ele, e sempre será. Ele é um menino que soube me conquistar. É lindo, inquieto, inteligente e sedutor. Quando passou uma semana na minha casa, por vezes eu chamava sua atenção para calçar os chinelos, o que ele sempre esquecia, claro! Então ele me olha e diz: "Se eu te der um beijo, tu me perdoa?"  Como não perdoar?? Impossível!

Vou publicar aqui minha galeria de fotos dos quatro netos "emprestados" que ganhei um dia.  Todos eles são especiais pra mim e, independente de qualquer coisa sempre serão os meus netos, também. Infelizmente, pela rotina de todos, convivemos pouco, mas nos encontramos nas datas comemorativas, falamos ao telefone, e  sei que faço parte da vida deles.

LUAN é assim, meigo e carinhoso, capaz de telefonar toda a semana para  dizer que sentiu saudade de mim e contar as descobertas da vida escolar.
Mais do que um presente, um prêmio que a vida me concedeu.

Que eu faça jus a este prêmio, e reconheça no olhar dele o milagre da VIDA que nem sempre pede vínculos para amar.





segunda-feira, 12 de dezembro de 2011






"As palavras têm, sim, PESO, MEDIDA  e  EXTENSÃO."



                                             


           
                 (extraído de uma coluna da CLÁUDIA LAITANO, no jornal Zero Hora)







(este quadro lindo é da Maria Teresa Objetos Decorativos - R. Tobias da Silva,174 Moinhos de Vento, POA)



 
 
"Agenda nova, como caderno novo no colégio: aposta renovada que sempre acaba em lacunas e páginas com orelhas. É nelas que mora a verdade."

            

               Diana Lichtenstein Corso 

 

 

 

(foto da janela da AMOR & FLOR CAFETERIA E FLORICULTURA, um cantinho especial pra mim)




 


Alice Urbim escreveu sobre a primavera em Porto Alegre, lá no Facebook:



"Porto Alegre está coberta de flores. Tapetes vermelhos, amarelos.....Passear no Parcão em uma manhã de domingo é um dos prazeres da vida. Volto pra casa coberta de sol e flores."



Ela fala com poesia sobre as ruas da nossa cidade...estão lindas, coloridas, decoradas pela natureza.


E basta olhar para cima que o espetáculo continua, é um festival de cores que para descrever, é preciso fotografar.
 


Sempre fotografo estas cenas pela necessidade que tenho de querer eternizar momentos. Belezas e cenas únicas para o deleite do nosso olhar. Sublime Natureza! Generosa Natureza! 
 


Quando sair à rua, amanhã, volta teu olhar para esta galeria de arte que são as ruas da cidade. Estas obras ficam em exposição só até o fim da Primavera...






sábado, 10 de dezembro de 2011







Sexta-feira é aquele dia em que respiramos aliviados pelo término da semana, fazemos planos para o sábado e domingo e diminuímos o ritmo.

E quando algumas coisas nos inquietam na sexta-feira? E se, ao invés de o ritmo diminuir, a ansiedade é tanta que ele lembra a bateria de uma escola de samba? E se ficamos impactados com algumas notícias?  Pode uma sexta-feira perder suas promessas se alguns fantasmas cobrirem o sol? PODE, claro!

Vivi um dia assim ontem. Fui ao médico e saí do consultório contrariada, frustrada, talvez. Infantilidade absoluta da minha parte, afinal há coisas na vida sobre as quais não temos controle algum. Doenças, por exemplo. Temos um diagnóstico e é preciso tratar. Ponto! Mas, num primeiro momento isto causa uma grande frustração. Foi o que aconteceu comigo. Fiz alguns exames orientada pelo  médico em quem deposito toda a minha confiança, e o diagnóstico apontou algumas lesões no estômago que exigirão um tratamento mais severo e muita disciplina da minha parte pra que os resultados sejam positivos e rápidos. Médicos são objetivos. Ele disse: "Vais usar este medicamento e os efeitos colaterais serão tais...Ok?"   "Há outra forma de fazer isto?"  perguntei. "Não!" respondeu ele com a  serenidade de um monge budista.  "E segue à risca o que eu te recomendei, para que isto não evolua para alguma coisa mais grave!" advertiu-me ele, impositivo como um general alemão. Ele sabe que a serenidade nem sempre funciona.

Depois da frustração e da raiva, veio logo a aceitação. Havia duas opções: continuar chateada ou fazer algo bom, prazeroso que recondicionasse meu estado de espírito. Fiquei com a segunda opção.  Resolvi voltar caminhando para casa, bom para arejar as ideias e recompor os pensamentos. E no meio do caminho tinha o  MEDIA LUNA CAFÉ, um pedacinho de Buenos Aires no bairro Moinhos de Vento, aqui em Porto Alegre. Um lugar cheio de charme e poesia. Aromas e sabores portenhos.

Fotografei para ilustrar o que aprendi: não podemos controlar alguns acontecimentos, mas podemos mudar a maneira como lidamos com eles. Por vezes, basta desviar um pouquinho o trajeto, entrar num lugar interessante, redirecionar os pensamentos para a LUZ , buscar outra sintonia e tudo fica mais claro, mais real. E a leveza volta a nos visitar.

Aprendizado com café e media luna...e aquela luz inconfundível do final da tarde em Porto Alegre.





sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

 
A lucidez do texto da  Bety Orsini que traz o pensamento de Marcia Frazão e Viviane Mosé  sobre a cultura de não repetir roupas.


Uma boa reflexão sobre consumo, filosofia de vida, sustentabilidade, moda e elegância.




USE  E  ABUSE

"Há anos acompanho a preocupação das mulheres em não repetir roupa. Outro dia mesmo, uma amiga estava desesperada atrás de um modelito novo para usar num casamento, quando arrisquei um "usa o do ano passado, ninguém vai notar". Diante do meu conselho, ela me olhou com um olhar reprovador e concluiu: "Você acha que eu vou pagar esse mico?"

Fiquei observando a cena com cara de paisagem e de repente me dei conta de que todas as pessoas elegantes que conheci na vida repetiam roupa. E as sensatas também. Por isso, não foi surpresa alguma ver cabecinhas coroadas repetindo as suas e lendo comentários maldosos da mídia como aconteceu com a princesa Kate Middleton e a presidente Dilma Rousseff.


Nosso querido Cao Albuquerque, figurinista de "A grande família", usa as mesmas peças há pelo menos dez anos e diz que todas elas são envolvidas com afetividade. "Ah, Bety, graças a Deus não conheço pessoas que não repetem roupa. E olha que eu conheço é gente...". A escritora Marcia Frazão, que faz poesia com qualquer coisa, acha que repetir roupa é ludibriar o tempo e se fazer eterno. Para quem não sabe, ela coleciona "roupas almadas", aquelas dos mortos de sua família e também as de ilustres desconhecidos garimpadas em brechós.


"Não ria, Bety, mas uma vez topei, literalmente, com um blazer Versace, ainda com etiqueta, num bazar de caridade. Comprei. E não por ser um Versace, afinal ninguém iria puxar a gola para ver a etiqueta lá dentro. Comprei porque na hora me veio a imagem de uma italiana lindíssima espatifando a sua Ferrari numa árvore de uma estrada cheia de curvas, depois de ter flagrado o marido com a melhor amiga." Marcia faz questão de perpetuar instantes significativos que ficam impregnados nas roupas. "De um jeito torto, é como se eu trouxesse outra vez para a vida esses momentos." Ela guarda até hoje roupas dos anos 70 e, vez por outra, desfila com elas, mesmo sabendo que a Marcia que ia ao Píer e depois tomava chope no Castelinho não habita mais o seu corpo. "Nos dias que visto essas roupas, dou uma banana para o tempo e para a opinião pública. Enfim, repito roupas, tanto as minhas como as dos doces fantasmas da minha família e das fantasmas muito loucas que recolho nos brechós."


"Não repetir uma roupa é como ouvir uma música uma só vez, é não se deixar acariciar pelo que de familiar e afetivo existe naquilo que, como uma roupa, nos conforta, nos cobre, nos embeleza, nos faz sentir em casa", poetiza a filósofa Viviane Mosé. Para ela, por serem contemporaneamente elegantes, a princesa Kate repete roupa e Michele Obama aparece usando a popular marca J. Crew. "Deselegante é quem tem uma armário entupido, vazando CO2 por todo lado."
 
Os tempos mudaram, garante a figurinista Lucinha Karabtchevsky. Para ela, nos tempos de hoje, menos é mais. E em todos os sentidos. Lucinha dá nota dez para posturas mais ecológicas e sem desperdícios e atitudes mais low profile que exibicionistas. E lembra que a enorme diferença entre as classes sociais no Brasil é gritante e extremamente constrangedora para quem tem um mínimo de sensibilidade. Para Lucinha, a roupa deve ser usada de uma forma natural, não forçada. "Quanto da nossa história pode existir em uma música, uma peça de roupa ou uma joia? Quantas vezes ouvimos a mesma música, aquela que nos transporta e nos faz reviver momentos importantes? Para mim, a roupa é a manifestação explícita do nosso ser, do nosso gosto, do nosso humor, da forma que estamos nos sentindo em determinado momento. Não repetir uma roupa é como ouvir uma música uma única vez... É não se deixar acariciar pelo que de familiar e afetivo na peça que nos conforta, nos cobre, nos embeleza, nos faz sentir em casa.
 
Algumas pessoas acham que a própria expressão "repetir roupa" não faz mais sentido, como Rosane Feijão, autora de "Moda e modernidade na belle époque carioca". Para ela, já existe uma compreensão de que a elegância é uma composição muito mais complexa do que simplesmente vestir esta ou aquela peça. Ela lembra que atualmente usa-se uma expressão em inglês, o look, que envolve, além das roupas, acessórios que vão de sapatos e bolsas a meias e chapéus, passando por lenços, óculos, bijuterias ou joias. "As variáveis são tantas que a preocupação em não repetir roupa acaba significando falta de confiança e de criatividade para usar a mesma peça em produções com significados completamente diferentes. Se, na Natureza nada se cria, tudo se transforma, na moda dá pra criar muita coisa apostando na transformação."

BETY ORSINI