Que horas são?

sexta-feira, 8 de março de 2013





"Você sabe, Pedro Bloch, nunca se pode fazer lista das melhores coisas da vida. A razão é simples: se elas chegam de repente ... falta preparo; se as prevemos... fica sendo cópia. Eu acho que todas as coisas acontecem como se estivessem preparadas antes. A sorte é grande lei da vida e a sorte deve ter suas leis. O mundo é algo plástico. A fé criadora. Não é fé acreditar-se num sistema. Só vemos pedacinhos, fragmentos de uma coisa sempre maior. O momento feliz, já reparou?, não é o que ocorre naquele instante. Está sempre associado a outros lugares e outros tempos. É violino querendo ser orquestra. Só as coisas boas são completas."


“E, o que era que eu queria? Ah, acho que não queria mesmo nada, de tanto que eu queria só tudo.”


(Guimarães Rosa)



quinta-feira, 7 de março de 2013


Adriana Calcanhoto e Eugénia Melo e Castro:

                  

              



BEM QUERER


Eugénia Melo e Castro


"Quando o meu bem querer me vir
Estou certa que há de vir atrás
Há de me seguir por todos
Todos, todos, todos os umbrais.

E quando o seu bem querer mentir
Que não vai haver adeus jamais
Há de responder com juras
Juras, juras, juras imorais.

E quando o meu bem querer sentir
Que o amor é coisa tão fugaz
Há de me abraçar com a garra
A garra, a garra, a garra dos mortais.

E quando o seu bem querer pedir
Pra você ficar um pouco mais
Há que me afagar com a calma
A calma, a calma, a calma dos casais.


E quando o meu bem querer ouvir
O meu coração bater demais
Há de me rasgar com a fúria
A fúria, a fúria, a fúria assim dos animais.


E quando o seu bem querer dormir
Tome conta que ele sonhe em paz
Como alguém que lhe apagasse a luz
Vedasse a porta e abrisse o gás."

       



FUTUROS AMANTES


                       Chico Buarque




"Não se afobe, não
Que nada é pra já 
O amor não tem pressa
Ele pode esperar em silêncio
Num fundo de armário
Na posta-restante 
Milênios, milênios
No ar.

E quem sabe, então
O Rio será
Alguma cidade submersa
Os escafandristas virão
Explorar sua casa
Seu quarto, suas coisas
Sua alma, desvãos.

Sábios em vão
Tentarão decifrar 
O eco de antigas palavras
Fragmentos de cartas, poemas
Mentiras, retratos
Vestígios de estranha civilização.

Não se afobe, não 
Que nada é pra já 
Amores serão sempre amáveis
Futuros amantes, quiçá 
Se amarão sem saber 
Com o amor que eu um dia
Deixei pra você."










Meu amigo Luciano Goularte é uma pessoa rara, encantadoramente rara. Tem personalidade forte e o sorriso mais doce que eu conheço. É dono de um talento invejável, sabe tudo da profissão que escolheu, estudioso, dedicado e determinado.
Cuida do meu cabelo há anos, e, de uma certa forma, cuida de mim, também, porque sempre saio de lá melhor do que cheguei. Atende a todos com o mesmo cuidado. É um homem de simplicidades, de olho no olho, de palavras diretas. Elegante no trato, elegante na Vida.
E tem um filho lindo que o fez ainda mais inspirador.
Dia dez de março é o aniversário do Luciano, pensei em trazê-lo para o blog para falar do meu carinho, admiração e amizade e desejar que a Vida continue sendo generosa com ele.

"Onde há um amor intenso, há uma família."





(Shere Hite, sexóloga, pesquisadora e escritora americana.)


quarta-feira, 6 de março de 2013






QUANDO  O  LUAR


"Quando o luar caiu e 
tingiu de escuro os verdes da ilha 
cheguei, mas tu já não eras. 

Cheguei quando as sombras revelavam 
os murmúrios do teu corpo 
e não eras. 
Cheguei para despojar de limites o teu nome. 
Não eras. 

As nuvens estão densas de ti 
sustentam a tua ausência 
recusam o ocaso do teu corpo 
mas não és."



(Conceição Lima -  poeta são-tomense natural de Santana da ilha de São Tomé, São Tomé e Príncipe.)






terça-feira, 5 de março de 2013






Les mots et les choses


(Hélio Pellegrino)


Entre lâmina e lâmina,
entre a lâmina da palavra e o fio
da lâmina cortante, corre um fio
de ausência tão instante, que em meu nada
me fio, e ao seu vazio me confio,
para fiar - vida a fio -, por ausentes,
as coisas que, tramadas desta ausência,
são lâminas cortantes - e presentes
.

domingo, 3 de março de 2013




                     "(...)Todos os dias
                     Antes de dormir
                     Lembro e esqueço
                     Como foi o dia..."














"(...)risque outro fósforo, outra vida, outra luz, outra cor. (...)



                        (Da música, Negro Amor...)




quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013




Ler a correspondência amorosa entre duas pessoas é absorver um mundo de amor. Poder entrar neste universo tão íntimo confere responsabilidade a quem lê. É preciso ler com cuidado e vagar cada uma das cartas escritas com tanto sentimento.
Florbela Espanca escreve para o seu amado, Antonio Guimarães:







No livro de correspondências amorosas de Monteiro Lobato, o clima é de delicadeza e amor romântico entre ele e a noiva, Maria da Pureza Natividade, a quem ele chama, carinhosamente ,  Purezinha.

    
O tempo é outro, a linguagem é rebuscada, os obstáculos eram muitos, os recursos, parcos. Mas o AMOR...o AMOR é sempre inspirador.
Leia, inspire-se, escreva! Deixe o coração ditar as palavras, por certo você irá se  surpreender  com o resultado.