Que horas são?

domingo, 11 de maio de 2014




"O oposto do amor não é o ódio, é a indiferença. O oposto da arte não é a feiúra, é a indiferença. O oposto da fé não é a heresia, é a indiferença. E o oposto da vida não é a morte, é a indiferença"

                                                                            Elie Wiesel


E eu digo:

E de indiferença em indiferença, constrói-se o fim de algumas relações.  A indiferença é egoista, não vê o outro, e, se o seu status quo está perfeito, dane-se os que os rodeiam. Indiferença para as necessidades físicas do outro, para as necessidades emocionais, para os pedidos de ajuda e verdade nas palavras. Indiferença para tratar com elegância aquilo que não queremos mais. Não há generosidade na indiferença, por óbvio. É apenas a gélida indiferença que toma a dianteira e tenta se travestir de outras coisas, mas nunca será. Será apenas  a indiferença. Reconheça-a, imediatamente, e aprenda a lição: não a acolha. Rejeite! 

Rodeie-se de pessoas interessadas na sua vida, nas suas emoções e problemas, de pessoas dispostas as concorrer para que as coisas dêem certo e ganhemos, todos, um tantinho de felicidade. Rodeie-se de pessoas que  costumam querer saber da tua vida, para acrescentar uma cor nova, um som novo, um sorriso, um abraço que acolhe, quem sabe até, um novo brilho no olhar.


sexta-feira, 9 de maio de 2014





Meus lábios dizem as melhores palavras vindas do meu coração. Entre eles, há um filtro poderoso que impede que as intensidades cheguem, antes de achar o verdadeiro sentido das coisas. Nem tudo que é bom deve ser dito, sem que possamos bancar as consequências das palavras. Maceradas, filtradas e escolhidas podem, então, ser ditas, com o encanto que ganharam, no coração.  Nem um pouco, antes, nem um décimo, depois. Na hora precisa. Cultivar a palavra é a arte que persigo.







O Tempo é uma delicadeza que oferecemos ao outro.



                                                                                  (pequenas conclusões, no caminho da Vida)






                                     Café da Livraria Cultura, em São Paulo



 

quinta-feira, 8 de maio de 2014

Beethoven - Symphony No.9




Pelo espetáculo da organização impecável dos japoneses. Dez mil pessoas, cantam, lindamente. Nem uma nota fora do tom. Arrepiante!






10000 Japans sing the ending choir of Symphony No. 9 by Ludwig van Beethoven.
Ode to joy - Freude schöner Götterfunken (Schlusschor)



"Na relação com o outro precisamos nos dizer com

quais lacunas conseguimos conviver."


                           Livia Garcia Roza



quinta-feira, 1 de maio de 2014

TEMPO








Gabriel García Márquez



Ouça Gabriel García Márquez ler trechos de 'Cem Anos de Solidão'



"(...)ÚRSULA teve de fazer um grande esforço para cumprir a promessa de morrer quando estiasse. Os clarões de lucidez, tão escassos durante a chuva, fizeram-se mais freqüentes a partir de agosto, quando começou a soprar o vento árido que sufocava as roseiras e petrificava as lagoas e acabou por espalhar sobre Macondo a poeira abrasadora que cobriu para sempre os enferrujados tetos de zinco e as amendoeiras centenárias. Úrsula chorou de tristeza ao descobrir que por mais de três anos tinha servido de brinquedo para as crianças. Lavou a cara borrada de tintas, tirou de cima de si os trapos coloridos, as lagartixas e os sapos ressecados, e as camândulas e antigos colares árabes que lhe haviam pendurado por todo o corpo, e pela primeira vez desde a morte de Amaranta abandonou a cama sem o auxílio de ninguém, para se incorporar de novo à vida familiar. O ânimo do coração invencível orientava-a nas trevas. Os que repararam nos seus tropeções e depararam com o seu braço arcangélico sempre levantado à altura da cabeça pensaram que a muito custo agüentava com o corpo, mas ainda não acreditaram que estava cega. Ela não precisava ver para notar que os canteiros de flores, cultivados com tanto esmero desde a primeira reconstrução, tinham sido destruídos pela chuva e arrasados pelas escavações de Aureliano Segundo, e que as paredes e o cimento do chão estavam rachados, os móveis bambos e desbotados, as portas desniveladas e a família ameaçada por um espírito de resignação e desgraça que não teria sido concebível em seu tempo.(...)