Que horas são?

sexta-feira, 9 de maio de 2014





Meus lábios dizem as melhores palavras vindas do meu coração. Entre eles, há um filtro poderoso que impede que as intensidades cheguem, antes de achar o verdadeiro sentido das coisas. Nem tudo que é bom deve ser dito, sem que possamos bancar as consequências das palavras. Maceradas, filtradas e escolhidas podem, então, ser ditas, com o encanto que ganharam, no coração.  Nem um pouco, antes, nem um décimo, depois. Na hora precisa. Cultivar a palavra é a arte que persigo.







O Tempo é uma delicadeza que oferecemos ao outro.



                                                                                  (pequenas conclusões, no caminho da Vida)






                                     Café da Livraria Cultura, em São Paulo



 

quinta-feira, 8 de maio de 2014

Beethoven - Symphony No.9




Pelo espetáculo da organização impecável dos japoneses. Dez mil pessoas, cantam, lindamente. Nem uma nota fora do tom. Arrepiante!






10000 Japans sing the ending choir of Symphony No. 9 by Ludwig van Beethoven.
Ode to joy - Freude schöner Götterfunken (Schlusschor)



"Na relação com o outro precisamos nos dizer com

quais lacunas conseguimos conviver."


                           Livia Garcia Roza



quinta-feira, 1 de maio de 2014

TEMPO








Gabriel García Márquez



Ouça Gabriel García Márquez ler trechos de 'Cem Anos de Solidão'



"(...)ÚRSULA teve de fazer um grande esforço para cumprir a promessa de morrer quando estiasse. Os clarões de lucidez, tão escassos durante a chuva, fizeram-se mais freqüentes a partir de agosto, quando começou a soprar o vento árido que sufocava as roseiras e petrificava as lagoas e acabou por espalhar sobre Macondo a poeira abrasadora que cobriu para sempre os enferrujados tetos de zinco e as amendoeiras centenárias. Úrsula chorou de tristeza ao descobrir que por mais de três anos tinha servido de brinquedo para as crianças. Lavou a cara borrada de tintas, tirou de cima de si os trapos coloridos, as lagartixas e os sapos ressecados, e as camândulas e antigos colares árabes que lhe haviam pendurado por todo o corpo, e pela primeira vez desde a morte de Amaranta abandonou a cama sem o auxílio de ninguém, para se incorporar de novo à vida familiar. O ânimo do coração invencível orientava-a nas trevas. Os que repararam nos seus tropeções e depararam com o seu braço arcangélico sempre levantado à altura da cabeça pensaram que a muito custo agüentava com o corpo, mas ainda não acreditaram que estava cega. Ela não precisava ver para notar que os canteiros de flores, cultivados com tanto esmero desde a primeira reconstrução, tinham sido destruídos pela chuva e arrasados pelas escavações de Aureliano Segundo, e que as paredes e o cimento do chão estavam rachados, os móveis bambos e desbotados, as portas desniveladas e a família ameaçada por um espírito de resignação e desgraça que não teria sido concebível em seu tempo.(...)