quinta-feira, 1 de maio de 2014
Gabriel García Márquez
Ouça Gabriel García Márquez ler trechos de 'Cem Anos de Solidão'
"(...)ÚRSULA teve de fazer um grande esforço para cumprir a promessa de morrer quando estiasse. Os clarões de lucidez, tão escassos durante a chuva, fizeram-se mais freqüentes a partir de agosto, quando começou a soprar o vento árido que sufocava as roseiras e petrificava as lagoas e acabou por espalhar sobre Macondo a poeira abrasadora que cobriu para sempre os enferrujados tetos de zinco e as amendoeiras centenárias. Úrsula chorou de tristeza ao descobrir que por mais de três anos tinha servido de brinquedo para as crianças. Lavou a cara borrada de tintas, tirou de cima de si os trapos coloridos, as lagartixas e os sapos ressecados, e as camândulas e antigos colares árabes que lhe haviam pendurado por todo o corpo, e pela primeira vez desde a morte de Amaranta abandonou a cama sem o auxílio de ninguém, para se incorporar de novo à vida familiar. O ânimo do coração invencível orientava-a nas trevas. Os que repararam nos seus tropeções e depararam com o seu braço arcangélico sempre levantado à altura da cabeça pensaram que a muito custo agüentava com o corpo, mas ainda não acreditaram que estava cega. Ela não precisava ver para notar que os canteiros de flores, cultivados com tanto esmero desde a primeira reconstrução, tinham sido destruídos pela chuva e arrasados pelas escavações de Aureliano Segundo, e que as paredes e o cimento do chão estavam rachados, os móveis bambos e desbotados, as portas desniveladas e a família ameaçada por um espírito de resignação e desgraça que não teria sido concebível em seu tempo.(...)
terça-feira, 15 de abril de 2014
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| Paul Newman & Joanne Woodward |
TEU CORPO PRINCIPIA
"Teu corpo principia
Dou-te um nome de água
para que cresças no silêncio.
Invento a alegria
da terra que habito
porque nela moro.
Invento do meu nada
esta pergunta.
(Nesta hora, aqui.)
Descubro esse contrário
que em si mesmo se abre:
ou alegria ou morte.
Silêncio e sol - verdade,
respiração apenas.
Amor, eu sei que vives
num breve país.
Os olhos imagino
e o beijo na cintura,
ó tão delgada.
Se é milagre existires,
teus pés nas minhas palmas.
ó maravilha, existo
no mundo dos teus olhos.
ó vida perfumada
cantando devagar.
Enleio-me na clara
dança do teu andar.
Por uma água tão pura
vale a pena viver.
Um teu joelho diz-me
a indizível paz."
António Ramos Rosain, «Estou vivo e escrevo Sol »(1966)
sexta-feira, 11 de abril de 2014
terça-feira, 8 de abril de 2014
Eu já era fã do blog Homens da Casa, do Eduardo Mendes. Tudo por lá é bonito e parece fácil de fazer. Um capricho, só! Para nossa alegria, Eduardo decidiu montar uma loja virtual com acessórios maravilhosos, seguindo o bom gosto da sua própria casa. Assim, nasceu a HC STORE.
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