Que horas são?

domingo, 9 de março de 2014



"Quem me quiser há-de saber as conchas

a cantiga dos búzios e do mar.
Quem me quiser há-de saber as ondas
e a verde tentação de naufragar.

Quem me quiser há-de saber as fontes,
a laranjeira em flor, a cor do feno,
à saudade lilás que há nos poentes,
o cheiro de maçãs que há no inverno.

Quem me quiser há-de saber a chuva
que põe colares de pérolas nos ombros
há-de saber os beijos e as uvas
há-de saber as asas e os pombos.

Quem me quiser há-de saber os medos
que passam nos abismos infinitos
a nudez clamorosa dos meus dedos
o salmo penitente dos meus gritos.

Quem me quiser há-de saber a espuma
em que sou turbilhão, subitamente
- Ou então não saber a coisa nenhuma
e embalar-me ao peito, simplesmente."


ROSA LOBATO FARIA ( 1932-2010)



domingo, 2 de março de 2014

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014


Nico partiu, mas deixou boas sementes. Aos poucos, vamos descobrindo as belezas que ele semeou, no caminho. Nico Nicolaiewsky, para celebrar a Vida!


                              









www.studioclio.com.br

Nico Nicolaiewsky


quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

(a lua que eu vejo)



"(...)Como diz o velho Navaia: nós nada descobrimos. As coisas, sim, se revelam."





[Do livro "A Varanda do Frangipani", Mia Couto]



quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

"Um trechinho do livro “Sempre Zen” (1989), de Joko Beck:"


       [Charlotte Joko Beck (1917-2011) foi         uma mestra Zen, dos Estados Unidos]





“O que de fato queremos é uma vida natural. Mas nossas vidas são tão artificiais que essa busca, no começo, é bastante difícil.

Apesar de estarmos começando um novo caminho, trazemos as mesmas atitudes que tínhamos anteriormente: não achamos mais que a resposta está em um novo carro de luxo, mas sim em alcançar a iluminação. Continuamos na mesma corrida, apenas trocamos o troféu. Agora temos um novo “se ao menos”: “se ao menos eu conseguisse entender um pouco melhor o universo, então eu seria feliz”; “se ao menos eu conseguisse atingir uma pequena experiência de iluminação, então eu seria feliz”, etc, etc.

Muitas de nós acreditamos que se tivéssemos um carro maior, uma casa mais bonita, férias mais longas, um patrão mais compreensivo, ou um parceiro mais interessante, nossas vidas seriam muito melhores. Não há quem não pense assim.

Passamos a vida pensando que existe o “eu” e que existe essa outra coisa separada, “o tudo que não sou eu”, que nos causa alternadamente dor ou prazer. Assim, evitamos tudo que nos fere ou desagrada ou causa dor; e buscamos ou toleramos ou aceitamos tudo que nos agrada ou nos envaidece ou nos causa prazer, fugindo de uns e perseguindo outros. Sem exceção, todos fazemos isso.

Ficamos apartados da vida, olhando para ela de fora para dentro, analisando, fazendo cálculos como “e o que eu ganho com isso? será que vai me trazer prazer ou conforto? será que devo fugir?” Sob nossas fachadas agradáveis e amistosas, existe muita ansiedade.


Se nosso barco cheio de esperanças, ilusões e ambições (de chegar a algum lugar, de tornar-se espiritual, de ser perfeito, de alcançar a iluminação) vira de cabeça pra baixo, o que é esse barco vazio? O que sobra? Quem somos nós?”



Texto extraído do artigo "A solidão de Narciso", do Alex  Castro, lá no "Papo de Homem".


Papo de Homem  (Clique e conheça)




domingo, 2 de fevereiro de 2014






INTERIOR



"Abeiro-me de mim
pelo silêncio

Vou atrás
do sobressalto
no sobressalto do vento

Encontro-me 
na tempestade
onde a saudade se inventa

Sou a dúvida constante
onde se perde a tormenta"

(inédito)



Maria Teresa Horta





terça-feira, 28 de janeiro de 2014






"Primero hay que saber sufrir,
después amar, después partir y al fin andar sin pensamiento..."





[extraído da letra da música 'Naranjo en Flor'
Autores: Virgilio y Homero Expósito ]





domingo, 26 de janeiro de 2014

 

                                             
                        EPIGRAMA   Nº 8
                       

                             Cecília Meireles



"Encostei-me a ti, 
sabendo que eras somente onda. 
Sabendo bem que eras nuvem,
depus a minha vida em ti. 
Como sabia bem tudo isso,
e dei-me ao teu destino, frágil, 
Fiquei sem poder chorar
quando caí"