Que horas são?

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

(a lua que eu vejo)



"(...)Como diz o velho Navaia: nós nada descobrimos. As coisas, sim, se revelam."





[Do livro "A Varanda do Frangipani", Mia Couto]



quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

"Um trechinho do livro “Sempre Zen” (1989), de Joko Beck:"


       [Charlotte Joko Beck (1917-2011) foi         uma mestra Zen, dos Estados Unidos]





“O que de fato queremos é uma vida natural. Mas nossas vidas são tão artificiais que essa busca, no começo, é bastante difícil.

Apesar de estarmos começando um novo caminho, trazemos as mesmas atitudes que tínhamos anteriormente: não achamos mais que a resposta está em um novo carro de luxo, mas sim em alcançar a iluminação. Continuamos na mesma corrida, apenas trocamos o troféu. Agora temos um novo “se ao menos”: “se ao menos eu conseguisse entender um pouco melhor o universo, então eu seria feliz”; “se ao menos eu conseguisse atingir uma pequena experiência de iluminação, então eu seria feliz”, etc, etc.

Muitas de nós acreditamos que se tivéssemos um carro maior, uma casa mais bonita, férias mais longas, um patrão mais compreensivo, ou um parceiro mais interessante, nossas vidas seriam muito melhores. Não há quem não pense assim.

Passamos a vida pensando que existe o “eu” e que existe essa outra coisa separada, “o tudo que não sou eu”, que nos causa alternadamente dor ou prazer. Assim, evitamos tudo que nos fere ou desagrada ou causa dor; e buscamos ou toleramos ou aceitamos tudo que nos agrada ou nos envaidece ou nos causa prazer, fugindo de uns e perseguindo outros. Sem exceção, todos fazemos isso.

Ficamos apartados da vida, olhando para ela de fora para dentro, analisando, fazendo cálculos como “e o que eu ganho com isso? será que vai me trazer prazer ou conforto? será que devo fugir?” Sob nossas fachadas agradáveis e amistosas, existe muita ansiedade.


Se nosso barco cheio de esperanças, ilusões e ambições (de chegar a algum lugar, de tornar-se espiritual, de ser perfeito, de alcançar a iluminação) vira de cabeça pra baixo, o que é esse barco vazio? O que sobra? Quem somos nós?”



Texto extraído do artigo "A solidão de Narciso", do Alex  Castro, lá no "Papo de Homem".


Papo de Homem  (Clique e conheça)




domingo, 2 de fevereiro de 2014






INTERIOR



"Abeiro-me de mim
pelo silêncio

Vou atrás
do sobressalto
no sobressalto do vento

Encontro-me 
na tempestade
onde a saudade se inventa

Sou a dúvida constante
onde se perde a tormenta"

(inédito)



Maria Teresa Horta





terça-feira, 28 de janeiro de 2014






"Primero hay que saber sufrir,
después amar, después partir y al fin andar sin pensamiento..."





[extraído da letra da música 'Naranjo en Flor'
Autores: Virgilio y Homero Expósito ]





domingo, 26 de janeiro de 2014

 

                                             
                        EPIGRAMA   Nº 8
                       

                             Cecília Meireles



"Encostei-me a ti, 
sabendo que eras somente onda. 
Sabendo bem que eras nuvem,
depus a minha vida em ti. 
Como sabia bem tudo isso,
e dei-me ao teu destino, frágil, 
Fiquei sem poder chorar
quando caí"





sábado, 25 de janeiro de 2014


Meus melhores desejos para o Nico Nicolaiewsky! Saúde e força!









Feito Um Picolé No Sol

                                                     Nico Nicolaiewsky


"Quero um barco meio mar
Um meio, não achei, não veio
Pra sair do charco feio
Quero um barco meio mar
Um porto meio lar
Um corpo feito pra se amar e sem receio
Meio assim doente, de repente
Cheio desse olhar ausente
Meio louco
Meio um sufoco
Meio coca-cola
Meio mal dá bola
Meio inconsequente

Como se no meio da cidade
Na velocidade
Na saudade
Na maldade à toa
Nessa claridade, tanta coisa boa se desmancha feito um picolé no sol
E feito um picolé no sol eu quero estar agora
Pra esquecer do mal que tá lá fora
Me esperando pra cobrar a taxa
Tá com a mão toda suja de graxa

Tô ficando meio assim xarope
Dessa lenga lenga, já amarrei o bode
Pode crer que tudo tem a ver com tudo
Tem a ver com o mundo
Tem a ver com ser perfeito
Tá na rua, tá na banca de revista
Tô na pista e não te desconcerta
Sempre alerta
Na notícia esperta
Nesse compromisso
Numa dose certa

Veio como onda, bomba
Longa história nua e sem certeza, sobre a mesa tua
Crua e sem semente, mente me confunde
Funde a minha e a tua neste instante, ante
Vejo um pôr do sol brilhante
Como nunca dantes me arriscara e fui tomar a cara
Um primeiro passo
Dum segundo passo
Dum terceiro passo, eu acho

No caminho dessa descoberta, não tem compromisso
Com trilhar o que já foi trilhado
Deixo tudo ali do lado e parto cego e sempre em frente
Um tanto quanto alucinado
E nado para estar presente
Nada como estar assim ciente
Sem estar cansado
Sem estar à margem
Sem estar doente
Sem faltar coragem

Sem querer fazer charminho
Sem querer carinho
Sem querer carona

Quero um barco meio mar
Um porto meio lar
Um corpo feito pra se amar
Crua e sem semente
Mente me confunde
Funde a minha e a tua neste instante
Um primeiro passo
Dum segundo passo
Dum terceiro passo...

E depois
Só nós dois
Tudo mais
Tanto faz
Quero amor
Quero luz"

sábado, 4 de janeiro de 2014






Renato Godá! (Sugiro clicar e assistir. É divertido e interessante)



"Faroeste refinado: o homem armado de guitarra – Renato Godá e Fabrício Carpinejar"






Modigliani - Head with Chignon Black crayon, 42.7 x 26.4 cms


Tive o privilégio de visitar a exposição da obra do Modigliani, em fevereiro de 2012, no Museu Nacional de Belas Artes, no Rio de Janeiro. Uma experiência transformadora e inesquecível.


www.modigliani-foundation