Que horas são?

quinta-feira, 24 de outubro de 2013


Não fale com ela



a insônia decifrada por uma vítima experiente


"Após muitas pesquisas científicas pode se afirmar: os vampiros estão extintos. O que sobrou deles, depois de milênios de convivência, são apenas fiapos ralos de DNA contaminado, desigualmente distribuídos, entre a população normal. A sede de sangue praticamente não se manifesta, mas o chamado da noite se revela em muitos. Esses semi amaldiçoados, entre os quais me incluo, são os insones. Por sorte já não causamos dano senão a nós mesmos.

Queres mesmo ajudar um insone? Vá dormir e deixe-nos com nossa solidão. Se alguém precisa de uma mão amiga para segurar, não se trata de insônia, nesse caso já foi ultrapassada a fronteira do território do pânico. A insônia é um pânico júnior, modalidade menor, peso pena das ansiedades, mas nem por isso menos daninha. O insone experiente sabe que a boa vontade alheia de nada adianta, e a boa alma será mais um zumbi no dia seguinte. Ciente da impotência, resigna-se e dispensa acompanhantes.

O problema maior são as primeiras manifestações, quando ainda não dominamos os mecanismos da herança funesta, e acreditamos que a insônia nos sussura segredos benéficos. O neófito imagina viver uma hiperlucidez, finalmente teria entendido seus problemas. Que nada, a insônia é um estado terceiro, nem acordado nem desperto, mas guarda um pouco dos dois: a lógica aguçada da vigília, e o exagero alucinado dos sonhos temperado com angústia dos pesadelos. Toda experiência com ela nos parece maior, desesperada, grandiloqüente. Mas tão logo a madrugada desponta, os fantasmas se dissipam.

Claro que é necessário pensar sobre o que nos ocorre quando estamos insones, mas nunca enquanto acontece. Devemos trata-la como o mofo, examiná-la sob a luz bactericida do sol.

Por sua natureza híbrida é impossível fazer algo útil, para tanto seria preciso estar desperto. Na essência, a insônia é desperdício: impossível fazer qualquer coisa, impossível descansar. Ela é totalitarista, quer que tenhamos olhos só para ela, não nos partilha. Para melhor nos possuir, sádica que é, ela quer que pensemos nela quando não temos cérebro para tanto, o que nos arrasta para um descaminho de tormentos.

A forma de combate-la é o descrédito. É saber que nada do que pensamos enquanto ela dança conosco tem o tamanho que vemos. Não estamos diante de verdades e revelações. Se não caímos na armadilha de filosofar sobre a vida nesse estado alterado e enfraquecido de consciência seus poderes diminuem. Em resumo: não faça DR com a insônia.

Um última dica, embora saiba que é indelicado negar qualquer coisa a uma dama: ela pedirá álcool, cigarros e café, e vai insistir. Seja firme, negue categoricamente. Se você resistir, ela irá embora antes para saciar seu vício em outra freguesia."



Mário Corso

Mário Corso é psicanalista, membro da APPOA (Associação Psicanalítica de Porto Alegre). Formado em psicologia pela UFRGS, trabalha com adolescentes e adultos. Em 2002 lançou Monstruário – Inventário de Entidades Imaginárias e de Mitos Brasileiros pela editora Tomo, Menção Honrosa do prêmio Jabuti, numa tentativa de revitalizar figuras esquecidas do folclore nacional. Publicou o livro Fadas no Divã: psicanálise nas histórias infantis, em 2005, e Psicanálise na Terra do Nunca: ensaios sobre a fantasia, em 2010, ambos pela Ed. Artmed, escritos em parceria com sua esposa Diana Corso. Publica artigos, ensaios e crônicas em diversos meios de comunicação.






Não reservemos a Vida para amanhã. A Vida é curta, efêmera, delicada e fugaz. É bonita, intensa e generosa. As sombras, ensinam, mas são as luzes que carregam, em si, a célula da felicidade. O lugar mais bonito é onde nosso coração bate, descompassado. Ou ali, na dobra da esquina, ou além do horizonte.
Não reservemos a Vida!



quinta-feira, 17 de outubro de 2013




Minha querida amiga, Helena Britto Pereira estreia na literatura com o livro "A menina que não escutava e outras histórias". Escrito em formato de parábolas, traz seis histórias inspiradas em situações da vida da autora e costuradas com as linhas do afeto e da sensibilidade.


"A menina que não escutava", "As cores", "O menino que foi para o céu", " A continha", "João", "Flechinha".  

As ilustrações do livro  são da Marcela Ribeiro.
O lançamento será na Livraria Argumento, no Rio de Janeiro, dia 27 de outubro, às 16 horas.

Feliz caminho novo, Helena! 


"A menina que não escutava e outras histórias" , Editora Kronos

Livraria Argumento, rua Dias Ferreira, 417, Leblon - Rio de Janeiro.

domingo, 13 de outubro de 2013




"É por ti que se enchem os rios

de carpas azuis,

de águas que querem saltar

pela minha janela.

Como é belo este silêncio ilimitado

quando nas copas redondas das árvores

o teu nome me chama.

Pedi-te que apagasses a lua

e que nos campos tacteando te encontrasse.

Sei-te na aurora, por isso não temo

e agora a lanterna dos dias pode

por fim ficar em ventos de abraços.

Voam aves dentro dos teus sonhos

como memórias de pétalas acordadas.

Ficas ancorado dentro do meu tempo.

Não há saudade nem solidão

que se não derrube."




LÍLIA TAVARES,  in PARTO COM OS VENTOS



sexta-feira, 4 de outubro de 2013





Fumo


Florbela Espanca



"Longe de ti são ermos os caminhos,

Longe de ti não há luar nem rosas,

Longe de ti há noites silenciosas,

Há dias sem calor, beirais sem ninhos!




Meus olhos são dois velhos pobrezinhos

Perdidos pelas noites invernosas...

Abertos, sonham mãos cariciosas,

Tuas mãos doces, plenas de carinhos!




Os dias são Outonos: choram... choram...

Há crisântemos roxos que descoram...

Há murmúrios dolentes de segredos...




Invoco o nosso sonho! Estendo os braços!

E ele é, ó meu Amor, pelos espaços,

Fumo leve que foge entre os meus dedos!..."






História de Amor




"Uma emocionante história de amor que chega, inesperadamente, das montanhas na China. A história de Liu e Xu começou há mais de 50 anos – na altura, Liu era um garoto de 19 anos e Xu uma mulher já feita, de 29. Como a sociedade encarava como imoral a ligação de um jovem com uma mulher mais velha, eles não tiveram outra solução se não fugir e viver isolados numa caverna em Jiangjin County, distrito de Chongqing, na China.






Mas as provas de amor ainda estavam por chegar: sem dinheiro, sem comida (tinham de recorrer a ervas e raízes de plantas), sem eletricidade (Liu criou uma lamparina a óleo de parafina), eles tinham ainda de subir e descer uma íngreme montanha. Foi então que Liu começou sua odisséia:construir degraus pela montanha, para facilitar a vida à sua amada.





Mais de 50 anos e 6 mil degraus depois, ele conseguiu. Foi em 2001 que um grupo de exploradores encontrou o adorável casal e a escada feita à mão. Na altura, um dos 7 filhos do casal, garantiu que o amor dos pais era incondicional e que a mãe nem precisava tanto subir e descer a montanha.

Liu e Xu viveram em paz durante mais de meio século. Infelizmente, em 2007, Liu acabou por falecer nos braços da mulher. “Você me prometeu que iria cuidar de mim, que estaria sempre do meu lado até ao dia em que morresse, agora que você partiu antes de mim, como vou eu viver sem você?”, repetia Xu.








Hoje o lugar é conhecido como Love Ladder (Escadas do Amor) e virou ponto turístico."





                                                Link


L'Appuntamento