Que horas são?

sexta-feira, 20 de setembro de 2013









"Manter a postura de um corpo, preservar  a compostura de um rosto, primeiros passos no caminho para a sobrevivência. A dor da perda está aprisionada entre as barras de aço da aparência externa. Dilacerando músculos e ossos freneticamente, e impossibilitada de fugir, inflige ferimentos de ação prolongada. Ferimentos internos que serão levados para o túmulo e que nenhuma autópsia será capaz de revelar. Lentamente, a dor se cansa e adormece, mas nunca morre. Com o passar do tempo, vai se habituando à sua prisão e um relacionamento de respeito se estabelece entre prisioneiro e carcereiro. (...) Agora a batalha de Ingrid era com a dor da perda. E embora a dor, no final, acabasse vencendo, ela continuaria a viver, o que não é insignificante."



(Josephine Hart in: Perdas e danos. Ed. BestBolso, p. 186-187)










sexta-feira, 13 de setembro de 2013

domingo, 8 de setembro de 2013

Amor nos Tempos Digitais





Debatedores: Jorge Forbes e Xico Sá



Jorge Forbes é psicanalista e médico psiquiatra, em São Paulo. Doutor em Teoria Psicanalítica pela Universidade Federal do Rio de Janeiro - UFRJ. Mestre em Psicanálise pela Universidade Paris VIII. Doutor em Ciências pela Universidade de São Paulo - USP - Faculdade de Medicina (Neurologia). A.M.E. - Analista Membro da Escola Brasileira de Psicanálise e da Escola Europeia de Psicanálise. Membro da Associação Mundial de Psicanálise - AMP.




Xico Sá é jornalista, roteirista e escritor. Publicou vários livros e mantém um blog no jornal Folha de São Paulo.


(no caminho para a casa da minha mãe)





Brisa leve a indicar mudança na estação, sol que ilumina os dias de um novo ciclo. Verdades que se consolidam nos corações e pedem passagem exclusiva, partituras de uma música que ouvimos há tempos...Sinais de que a Vida se renova até quando escolhemos um caminho já percorrido, porque a paisagem só muda quando aperfeiçoamos o olhar. 







sábado, 7 de setembro de 2013

(na casa da minha mãe)





MÁ CONSCIÊNCIA


"O adjectivo
dá-me de comer.
Se não fora ele
o que houvera de ser?

Vivo de acrescentar às coisas
o que elas não são.
Mas é por cálculo,
não por ilusão."



(Alexandre O'Neill, in "Poesias Completas"/ Assírio & Alvim)



quinta-feira, 5 de setembro de 2013




"E logo que anoiteceu seus olhos se entreabriram. Oh, um pouco, muito pouco. Era como se quisesse olhar, escondida atrás dos longos cílios.
Todos que a velavam debruçaram-se então, na chama dos altos círios, para observar a limpeza e a transparência daquela faixa de pupila que a morte não tinha conseguido embaçar. Respeitosamente maravilhados, inclinavam-se sem saber que Ela os observava.
Porque Ela via e sentia."



María Luisa Bombal - A Amortalhada - Cosacnaify, p. 69. 2013.



"Uma maravilha de livro que recomendo, entusiasticamente!"

Carlos Eduardo Leal (meu amigo, psicanalista, escritor, artista plástico e poeta, desde que nasceu)


quarta-feira, 4 de setembro de 2013



Explicação da Eternidade

"devagar, o tempo transforma tudo em tempo. 
o ódio transforma-se em tempo, o amor 
transforma-se em tempo, a dor transforma-se 
em tempo. 

os assuntos que julgámos mais profundos, 
mais impossíveis, mais permanentes e imutáveis, 
transformam-se devagar em tempo. 

por si só, o tempo não é nada. 
a idade de nada é nada. 
a eternidade não existe. 
no entanto, a eternidade existe. 

os instantes dos teus olhos parados sobre mim eram eternos. 
os instantes do teu sorriso eram eternos. 
os instantes do teu corpo de luz eram eternos. 

foste eterna até ao fim. 


José Luís Peixoto, in "A Casa, A Escuridão"


(maio/2013, no Instituto Estadual do Livro)

Tião Carvalho




Até a Lua


Composição: Ana Maria Carvalho


"eu já falei com os olhos
que te amo e você não ouviu
eu já falei com as mãos
que te quero e você não sentiu
eu já fui até a lua
pra tentar te convencer
e acabei
conquistando a lua
só não conquistei você
eu já fui até a lua
pra tentar te convencer
e acabei
namorando a lua
só não namorei você."




Sobre Ana Maria Carvalho (link)