(perfume é quase um sexto sentido quando misturado à pele)
DOMÍNIO
"Não deixo que nada me domine Nem que a vasta secura me adormeça nem que a vela me apague nos sentidos a febre a que a boca não se entrega Não deixo nem que deixes tuas armas Que o desejo do meu corpo se entorpeça nem que a vara se quebre na saudade Nadando contra aquilo que me vença"
Maria Teresa Horta
quarta-feira, 24 de julho de 2013
"faz frio - tanto que a palavra treme verso nem prosa nada que a aqueça palavras frias morram sufocadas no peito [meu canto espera]"
Nydia Bonetti
segunda-feira, 22 de julho de 2013
“Não gosto de nada que é raso, de água pela canela. Ou eu mergulho até encontrar o reino submerso de Atlântida, ou fico à margem, espiando de fora.”
Martha Medeiros
A estética do frio.
domingo, 14 de julho de 2013
Simone de Beauvoir by Irving Penn (1957)
sexta-feira, 12 de julho de 2013
Pablo Neruda nasceu em 12 de julho de 1904
TU ÉS EM MIM PROFUNDA PRIMAVERA
"O sabor da tua boca e a cor da tua pele, pele, boca, fruta minha destes dias velozes, diz-me, sempre estiveram contigo por anos e viagens e por luas e sóis e terra e pranto e chuva e alegria, ou só agora, só agora brotam das tuas raízes como a água que à terra seca traz germinações de mim desconhecidas ou aos lábios do cântaro esquecido na água chega o sabor da terra? Não sei, não mo digas, tu não sabes. Ninguém sabe estas coisas. Mas, aproximando os meus sentidos todos da luz da tua pele, desapareces, fundes-te como o ácido aroma dum fruto e o calor dum caminho, o cheiro do milho debulhado, a madressilva da tarde pura, os nomes da terra poeirenta, o infinito perfume da pátria: magnólia e matagal, sangue e farinha, galope de cavalos, a lua poeirenta das aldeias, o pão recém-nascido: ai, tudo o que há na tua pele volta à minha boca, volta ao meu coração, volta ao meu corpo, e volto a ser contigo a terra que tu és: tu és em mim profunda primavera: volto a saber em ti como germino. "
Pablo Neruda, in "Os Versos do Capitão"
quarta-feira, 10 de julho de 2013
(a caminho de casa...)
JANELA
Adélia Prado
"Janela, palavra linda. Janela é o bater das asas da borboleta amarela. Abre pra fora as duas folhas de madeira à-toa pintada, janela jeca, de azul. Eu pulo você pra dentro e pra fora, monto a cavalo em você, meu pé esbarra no chão. Janela sobre o mundo aberta, por onde vi o casamento da Anita esperando neném, a mãe do Pedro Cisterna urinando na chuva, por onde vi meu bem chegar de bicicleta e dizer a meu pai: minhas intenções com sua filha são as melhores possíveis. Ô janela com tramela, brincadeira de ladrão, clarabóia na minha alma, olho no meu coração."