Que horas são?

segunda-feira, 1 de julho de 2013







"Amor é coragens. E é sede depois de se ter bem bebido"



(João Guimarães Rosa - In Dão Lalalão; Noites do Sertão)













SEGREDOS  DE  AMOR


“A minha mulher adoeceu. Estava constantemente nervosa por causa dos seus problemas no trabalho, vida pessoal e das suas falhas e problemas com os nossos filhos. Perdeu cerca de 13 quilos e pesava pouco mais de 40 quilos aos 35 anos. Ficou demasiado magra e chorava constantemente. Não era uma mulher feliz. Tinha dores de cabeça constantes, dores no peito e tensão muscular nas costas. Não dormia bem, adormecia somente de madrugada e cansava-se muito durante o dia. A nossa relação estava à beira da ruptura. A sua beleza começava a abandoná-la. Tinha papos debaixo dos olhos, andava sempre desgrenhada e parou completamente de cuidar de si. Recusava trabalhar no cinema e rejeitou vários papéis. Perdi a esperança e pensava que nos divorciaríamos em breve… Foi então que decidi tomar algumas medidas. Afinal, eu tenho a mulher mais bonita do mundo. Ela é a mulher ideal para metade dos homens e mulheres do planeta e eu era o único a ter o privilégio de adormecer ao seu lado e de poder abraçá-la. Comecei a mimá-la com flores, beijos e muitos elogios. Surpreendia-a e tentava agradá-la em todos os momentos. Enchi-a de presentes e comecei a viver apenas para ela. Só falava em público a seu respeito e relacionava todos os assuntos com ela, de alguma forma. Elogiei-a a sós e em frente a todos os nossos amigos. Podem não acreditar, mas ela começou a renascer, a florescer… Tornou-se ainda melhor do que era antes. Ganhou peso, deixou de andar nervosa e ama-me ainda mais do que antes. Eu nem sabia que ela podia amar tão intensamente. E então percebi: ‘A mulher é o reflexo do seu homem’”.




Texto de Brad Pitt publicado na revista americana “Identity Magazine”, sob o título “Um Segredo de Amor”.



 (O texto é uma declaração de amor, acredito que a frase "A mulher é o reflexo do seu homem", seja um alerta para o comportamento masculino.)


segunda-feira, 24 de junho de 2013


E a Ana Lúcia, minha amiga e  confidente, me levou  para o blog dela, o ROCCANA. Por que nossas conversas são sempre recheadas de uma vã filosofia e rendem teses, lágrimas, risos e (in)conclusões.


"Uma história sempre tem duas verdades.
 E uma verdade acima das duas."


   (Ana Maria, da série "filosofia de MSN".)



Link para o ROCCANA


                                   
Só o Amor movimenta e transforma. Tudo começa quando o amor se instala em nós. 



                                      






sexta-feira, 21 de junho de 2013

(Lídia Jorge em Porto Alegre, no Instituto Estadual do Livro, maio de 2013)








Lídia Jorge



QUEM GUARDARÁ OS LIVROS



[06-05-2013]



"Dá que pensar que um dos temas mais abrangentes e comuns a todas as Literaturas Contemporâneas, hoje em dia, seja o próprio livro em si mesmo, promovido a personagem e móbil de infinitas ações ficcionais.


Refiro-me ao livro enquanto pequena escultura feita de folhas escritas, unidas umas às outras por um dos seus lados, colocado no colo de alguém, em diálogo com o seu leitor e o seu autor, face ao seu destino como entidade, sujeito e objeto de um mundo de sonho. Em torno deste tema a variedade é infinita. Há livros sobre o livro que alinham com a forma solene inventada por Borges, metáfora antecipada do que viria a ser o livro infinito digital, outros aproximam-se da biblioteca inventada por Umberto Eco onde todas as aventuras do saber são possíveis. E há formas menos densas como seja a fábula ternurenta e cómica inventada pelo americano Sam Savage, com Firmin, a ratazana que ao comer os livros ia incorporando o que deles havia de humano. Ou a memória da perseguição durante a Guerra Civil de Espanha, recriada pelo galego Manuel Rivas em Os Libros Arden Mal. Ou o livro encarado como objeto de chegada de todos os sonhos de uma família portuguesa emigrante, escrita por José Luís Peixoto num livro cujo título é, precisamente, O Livro. O tema é global e o inventário impossível. Mas dessa impossibilidade talvez se deva deduzir que existe uma contradição aberta na cultura de hoje – Que estamos conscientes de que o livro literário representa uma forma de humanização que continua a agir sobre o nosso imaginário como espaço de refúgio e salvação, e que o medo de perdermos essa entidade sem haver nada no horizonte que a substitua assume uma expressão demasiado forte para não ser ela própria ficcionada.


Curioso, porém, é que de entre os livros que colocam os livros como sujeitos de ação, ou os transformam em elementos fabulosos de intrigas onde se tornam indispensáveis, o livro de Ray Bradbury, 451 Fahrnheit , publicado em 1953, faz agora precisamente sessenta anos, continua a emitir-nos alguns dos mais claros sinais de aviso e mais promissores sinais de esperança. O bombeiro Montag, incarnação da figura do queimador, que acaba por se transformar num dos clandestinos que amam os livros a ponto de os memorizarem e de se batizarem com os seus próprios títulos, deixar-se-á ele mesmo contaminar pelo desejo de os decorar. Tornou-se clássica no mundo a história desse queimador queimado de amor pelos livros. Talvez por isso, sempre que em alguma das sociedades de hoje, mesmo nas mais sofisticadas, aparecem fanáticos agitando listas negras de títulos, a metáfora de 451 Fahrenheit impede o avanço. Aliás, quando nos anos setenta se começou a temer que o audiovisual eliminasse os livros, sobretudo os literários, aqueles que expressam o fundo mais denso das línguas, invocou-se o livro de Ray Bradbury. Não aconteceu. Mas voltou a pensar-se nele com dramatismo, nos anos noventa, quando se temeu que o mundo digital engolisse para sempre a capacidade de leitura de longas páginas em detrimento dos pequenos fragmentos, e voltamos a retomá-lo como aviso, agora, quando pensamos que a “nuvem”, que a net proporciona, em breve poderá misturar livros, páginas, cruzar e tornar anónimo o que tem nome, apócrifo o que é verdadeiro, plagiar o que é único, destruir o elo que consideramos sagrado entre a obra e o seu autor. E perguntamo-nos se há possibilidade de a Literatura se salvar a si mesma. Há. Porque o mundo está cheio de Montags, que acabam por fazer da sua própria cabeça um depósito de saber."


Lídia Jorge



Jerusalém, 10 de Fevereiro, 2013






sexta-feira, 14 de junho de 2013

Clarice Lispector - Infelicidade Inspiradora




"A paixão alimenta a literatura ou a enfraquece? Amar leva a escrever ou a calar? Clarice - A Vida de Clarice Lispector, biografia do jornalista norte-americano Benjamin Moser - que chega neste mês ao Brasil com o status de ser a mais completa sobre a autora de Laços de Família e Felicidade Clandestina —, sugere que, mesmo quando o amor é impossível, ele estimula a escrita. Mesmo fracassado, um amor pode ajudar a escrever.

Casada entre 1943 e 1959 com o diplomata Maury Gurgel Valente, Clarice nunca escondeu que se sentia sufocada pela vida conjugal. "Nada tenho feito, nem lido, nem nada. Sou inteiramente Clarice Gurgel Valente", escreveu em uma carta datada de 1944. Se o casamento com Maury "deu certo" - gerou dois filhos e perdurou por 16 anos - a paixão pelo romancista mineiro Lúcio Cardoso foi muito mais importante para sua escrita, mesmo "dando errado".

Quando se conheceram, em 1940, Clarice tinha 20 anos, e Lúcio - brilhante e sedutor -, 28. Mas era um amor impossível: Lúcio era um homossexual assumido. Havia, porém, lembra Moser, um segundo impedimento: os dois eram "parecidos demais". Mesmo assim, especula Moser, foi esse amor não correspondido que levou Clarice a cultivar a solidão - condição essencial para a escrita. Mais que isso: foi o fracasso no amor que a empurrou para a literatura. 

Por meio de Lúcio, ela passou a frequentar as rodas literárias do "grupo introspectivo", que se reunia no Bar Recreio, no Rio de Janeiro. Chegou, assim, à poesia metafísica de Augusto Frederico Schmidt e encontrou sua ascendência "mística" em Cornélio Penna e Octavio de Faria, essenciais para a sua obra. Foi Lúcio Cardoso quem sugeriu o título de seu primeiro romance, Perto do Coração Selvagem (1943). Foi ele, ainda, quem lhe mostrou que as anotações dispersas, que ela tomava às tontas e pareciam incoerentes, eram, na verdade, o seu método.

Nos anos 60, Clarice Lispector se aproximou de outro escritor: o cronista e poeta mineiro Paulo Mendes Campos. Desde 1959 estava separada de Maury, com quem tinha morado na Itália, Suíça e Estados Unidos. Em junho daquele ano, regressou com os dois filhos ao Brasil, apostando novamente na solidão. Em 1962, porém, envolveu-se com Paulo.

Diz Moser, com astúcia, que ele foi uma "versão heterossexual" de Lúcio Cardoso. Ambos eram mineiros, católicos, talentosos e sedutores. Eram também perdulários, boêmios e alcoólatras. Como Lúcio, Paulo exerceu uma forte influência intelectual sobre Clarice. Mas era outro amor impossível: ele era casado. Mesmo assim os dois viveram uma paixão secreta. Vínculos invisíveis os ligavam. O jornalista Ivan Lessa assim resumiu: "Em matéria de neurose, nasceram um para o outro". Clarice tentava ser discreta, mas não continha a ansiedade. Intimado pela mulher, Paulo partiu com a família para Londres. Moser avalia que o fim do romance isolou Clarice do meio literário e, de um modo mais geral, do "mundo adulto", com o qual ela teve sempre laços muito frágeis. Ela o amou até o fim de seus dias.


TENSÃO E LOUCURA
É sempre ambígua e tensa a relação amorosa entre escritores. Influenciada pela filosofia de Jean-Paul Sartre, com quem viveu uma relação heterodoxa, Simone de Beauvoir acreditava que todo amor é impossível, mas que era possível fazer muito de seus destroços. Só porque via o amor como uma experiência desastrosa, Simone conseguiu amar Sartre: não moravam juntos, não tiveram filhos e namoravam outras pessoas. Ele mais que ela. "Não somos a mesma pessoa, mas temos as mesmas recordações", Simone argumentava. Tinha certeza de que, escrevendo, ajudava Sartre a entender quem ele era.

Às vezes, como mostra a relação dos poetas Paul Verlaine e Arthur Rimbaud, a mistura de literatura e paixão resvala na loucura. Quando se aproximaram, Verlaine, um homem casado, tinha 26 anos, e Rimbaud era um rapazote de 17. Correspondiam-se. Apaixonaram-se. Verlaine se embriagou com as ideias de Rimbaud, que combatia os parnasianos, a família e a pátria. Na busca do "desregramento dos sentidos", abusaram do absinto e do haxixe. Mas brigavam sempre. Verlaine se arrependia sempre. "Volte, volte, amigo. Juro que serei bom", escreveu em carta de 1873. Numa dessas brigas, Verlaine feriu Rimbaud com um tiro no punho. Passou dois anos na prisão. A paixão os destruiu, mas ampliou os limites de sua poesia.

A mistura de amor e literatura tomou uma forma quase perfeita na figura da escritora Lou Andreas-Salomé. Brilhante e sensual, ela "devorou" o espírito de três grandes homens: o poeta Rainer Maria Rilke, o filósofo Friedrich Nietzsche e o fundador da psicanálise, Sigmund Freud. Foram amores distintos - que ela, friamente, chamava de "experiências". Com Rilke, ela viveu uma paixão intensa que esbarrou na fraqueza do poeta. Aos poucos, Lou entendeu que a poesia era, para ele, o avesso do desespero. Ficou com o melhor - o poeta - e se afastou do homem. Pragmática, escreveu: "Se você quer uma vida, aprenda a roubá-la".

Mesmo quando bordeja o desespero, a paixão sustenta a literatura. Casada em 1912 com o escritor Leopold Woolf, nem o amor salvou Virginia Woolf. Na base da paixão de Leopold por Virginia estava não só o fascínio por sua escrita, mas o desejo de salvá-la da loucura - que enfim, no ano de 1941, levou-a a afogar-se no rio Ouse. A admiração literária e o amor não garantiram a felicidade. Mas a fizeram escrever.

Também é impossível não pensar no poeta britânico Ted Hughes, cujo amor foi insuficiente para salvar a mulher, a norte-americana Sylvia Plath, do suicídio - que ela enfim cometeu em 1963. Um ano antes, cansado, Hughes a deixou. Tantas e tantas vezes a paixão não basta. Mas a importância de Hughes na poesia de Sylvia é indiscutível.

Mesmo quando se torna asfixiante, a paixão não anula a escrita. O caso entre os americanos F. Scott Fitzgerald e Zelda Sayre é uma prova disso. Em carta de 1920, Zelda escreve ao amado: "Eu jamais poderia passar sem você - ainda que me deixasse morrer de fome e me espancasse". A presença esmagadora de Scott não a impediu de escrever um belo romance como Esta Valsa É Minha, de fundo autobiográfico. Já em sua vida pessoal, o amor não lhe bastou. Em 1930, demonstrando a insuficiência da paixão para sustentar uma vida, Zelda foi internada como louca.

Nem todos, como o argentino Adolfo Bioy Casares, tiveram a sorte de transformar a parceria amorosa - no caso, o casamento com a escritora Silvina Ocampo - em fecunda parceira literária. Juntos, escreveram Quem Ama, Odeia, novela simples, mas inspirada, que resume um pouco não só os paradoxos da paixão, mas as relações tensas, porém produtivas, entre amor e literatura.

Adolfo e Silvina são, provavelmente, uma exceção. Mesmo quando fracassa, porém, um amor pode salvar um escritor."

José Castello é escritor e jornalista, autor de A Literatura na Poltrona, entre outros.


O LIVRO: Clarice - A Vida de Clarice Lispector, de Benjamin Moser. Cosac Naify, 648 págs 



Artigo publicado na Revista Bravo,novembro;2009

terça-feira, 11 de junho de 2013



Em pesquisa o AskReddit perguntou: "Qual é a música mais bonita que você já ouviu?". Do conjunto de respostas, chegou a uma lista de cem músicas. Gostei de muitas, outras não combinam comigo e, algumas, simplesmente não aprecio, mas, a partir desta lista, refiz minha seleção pessoal. Infelizmente, o aplicativo não abre para o nosso país e, não é possível ouvi-las, mas quis compartilhar a informação.











domingo, 9 de junho de 2013


Da série: o tempo aprimora a beleza e o amor se renova.






(recortes a partir de um vídeo)









                                            (e duas horas de música...)