Que horas são?

terça-feira, 14 de maio de 2013


A arte é sagrada, ultrapassa os limites de entendimento, descarta palavras e preenche todos os nossos vazios. Somos, na arte. Fiquei encantada com o trabalho do artista plástico chinês DI LI FENG que pinta óleo sobre tela e tem um cuidado impecável com o uso da luz e a riqueza de detalhes, criando uma atmosfera muito próxima da fotografia.





                           DI  LI  FENG


















































"Di Li Feng, nascido 1958, é um chinês artista contemporâneo,  agora a trabalhar como professor no Lu Xun Academia de Belas Artes, na China. Nascido em uma pequena cidade chinesa, ele se formou na Academia Central Chinesa de Belas Artes, a maior instituição artística na China, de onde ele tirou uma pós-graduação em 1990. No entanto, suas pinturas ele rapidamente chamou a atenção de colecionadores de arte fora da China.

Óleos de Di Li Feng agora foram expostas amplamente nos Estados Unidos, e particularmente em Los Angeles e Nova York . Professor Di também lecionou em várias universidades norte-americanas. Em seu trabalho, o professor Di visa combinar a realidade de um objeto concreto com a atmosfera criada por uma textura e fundo. Ele tem uma admiração especial para as glórias do passado imperial da China, que é a base para muitas de suas pinturas, e ele declara que está "encantado com a sua honra ou desonra, suas tragédias, tristeza, sentimentalismo e grandes alegrias." (WIKIPEDIA)









Miguel Ángel Solá  em uma interpretação impecável do poema "NO  TE  SALVES", do Mario Benedetti.







NO TE SALVES



Mario Benedetti




"No te quedes inmóvil 
al borde del camino 
no congeles el júbilo 
no quieras con desgana 
no te salves ahora 
ni nunca 

 no te salves 
no te llenes de calma 
no reserves del mundo 
sólo un rincón tranquilo 
no dejes caer los párpados 
pesados como juicios 
no te quedes sin labios 
no te duermas sin sueño 
no te pienses sin sangre
no te juzgues sin tiempo 
pero si 
pese a todo 
no puedes evitarlo 
y congelas el júbilo 
y quieres con desgana 
y te salvas ahora 
y te llenas de calma 
y reservas del mundo 
sólo un rincón tranquilo 
y dejas caer los párpados 
pesados como juicios 
y te secas sin labios 
y te duermes sin sueño 
y te piensas sin sangre 
y te juzgas sin tiempo 
y te quedas inmóvil 
al borde del camino 
y te salvas



entonces 
no te quedes conmigo. "








NÃO TE SALVES[i]



"Não fiques imóvel 
a beira do caminho 
não congeles o júbilo 
não queiras sem vontade 
não te salves agora 
nem nunca 
não te salves. 
não te enches de calma 
não reserves do mundo 
só um rincão[iii] tranqüilo 
não deixe cair as pálpebras 
pesadas como juízos 
não te fiques sem lábios 
não te durmas sem sono. 
não penses sem sangue[iv]
não te julgue sem tempo. 
mas se 

Apesar de tudo 
não podes evitá-lo 
e congelas o júbilo 
e queres sem vontade 
e te salvas agora 
e te enches de calma 
e reservas do mundo
só um rincão tranqüilo 
e deixas cair tuas pálpebras 
pesadas como juízos 
e te secas teus lábios 
e te dorme sem sono 
e te pensas sem sangue 
e te julgas sem tempo 
e ficas imóvel 
à beira do caminho 
e te salvas 

então 
não fiques comigo." 






"TRADUÇÃO DE ANGEL RODRIGUEZ JIMENEZ. 
Nota do tradutor: esta tradução é quase literal, o que não deveria ser, pois não é possível 
traduzir todo o sentido que ela traz: a cultura, a língua... Mas, no caso especial deste poema, 
Mario Benedetti vai muito além do seu tempo e alcança o sentido mais profundo da nossa 
relação com o mundo e o que existe ainda de humano em nós. 
[i] Este poema está no livro: Poesia Habana. Ciudad de la Habana: Editorial Pueblo e 
Educación, 1983.
[ii] Poeta uruguaio radicado na Espanha. 
[iii] Um cantinho, um lugar tranqüilo. 
[iv] Sem emoção, sem paixão."


:: Verinotio - Revista On-line de Educação e Ciências Humanas. 
 Nº 8, Ano IV, Maio de 2008 - Publicação semestral – ISSN 1981-061X.






segunda-feira, 13 de maio de 2013



Tenho um certo "criançamento" (Manoel de Barros) no olhar. Um pouco de inocência que me permite registrar as coisas pequenas, invisíveis aos olhos mais amadurecidos e refinados. Sou de uma geração que brincou muito, geralmente com brinquedos inventados, feitos artesanalmente. Fui uma criança que foi beneficiada com as histórias contadas pelos adultos, histórias criadas com a ajuda do nosso imaginário. Éramos coautores das aventuras contadas, tínhamos liberdade para criar, imaginar, transformar.
Sou o que me permitiram ser na infância: livre para pensar e enxergar o mundo com as cores do meu coração e da minha alma.  Cresci, amadureci, tornei-me adulta, mas conservei "o criançamento do olhar" e, hoje, fotografo para cultivar este encantamento e não perder a simplicidade com que vejo a Vida.







"...E o amor se fez

Sob um luar sem defeito de abril."



               Manoel de Barros




domingo, 12 de maio de 2013






Com o Thales, ensino e aprendo, todos os dias. E me refaço, me transformo, sou outra. Desde cedo fortaleço suas asas, mostro o caminho da inquietação, da generosidade, da amorosidade.
Sinto  orgulho por ser mãe dele, de vê-lo transformar-se em um homem íntegro, afetivo, ético.
Somos iguais e diferentes, o que garante um equilíbrio na nossa relação. Somos iguais na amizade e diferentes em nossos papéis. Mãe e filho, antes de tudo. Mãe que orienta e exige, filho que discute e confronta. Dois que se amam profundamente.
Há dezessete anos, quando engravidei, não imaginava que (re)nasceria no dia do nascimento do meu filho e, assim, seria por toda a minha vida.






MÃES NA ARTE

 Vincent van Gogh (1853-1890), Mother Roulin with Her Baby, 1888,Philadelphia Museum of Art





Romero Britto



      Henry Moore(Mother&Child.Stone.1932)




                     Pablo Picasso, Mother and Child, 1902






A FALTA

                       



                        












                   
"Ainda estou naquela esquina
Lua ausente, chuva fina
Vendo a noite escura a me roubar você
Você sorriu e em seu olhar a dor se expôs, a dor se
expôs
Não aguento a memória de nós dois, da nossa história
Se apagando no futuro como um céu
Já que eu perdi você agora o que fazer, senão dizer
Eu não vivo, vivendo sua falta
Eu não vivo, eu me sinto tão só."

                  










               
               Tom Evans e Pete Ham (versão de Toni Platão)








                             Toni Platão e Zélia Ducan
















Minha mãe...







"Mãe, peixe sim, peixe fui em teu aquário  
Pássaro implume em teu ninho. 
Cordeiro em teu estábulo
Ah, esse aroma de Favos de teu colo, 
incenso em minha infância... 
A Grande Fada transforma em riso o grito 
descoberta do mundo

Mãe é flor na sala, 
lençóis limpos e mesa pronta. 
A Mãe batiza os objetos. 
A jarra de água fresca, as toalhas, o termômetro.

A Mãe espera até que a aurora 
entregue o pão e o leite no portal.

Eis a Mãe, com seus presságios e sobremesas... 
Eis o Filho, guardião de uma esperança de amor 
protegida à sete chaves 
lá, onde residem as mais cálidas lembranças 
e os mais ásperos segredos..."




(Luiz Coronel)