E no meio do caminho, milagres pequeninhos e coloridos desceram do céu. Reconheci, de imediato. Eram lanternas-pensamento que iluminaram os cantinhos mais escondidos da minha alma, trazendo à tona percepções e entendimentos tão necessários para (re)visitar conceitos e compreender situações. Hallelujah!
(pássaros no céu de ontem à tarde)
Voos para o inesperado, voos para dentro de nós, conjugar o verbo arriscar. Voos rasantes, calculados, inesperados, complicados. Ainda assim, voar! Refazer as asas e voar!! Voar!
Acreditar no sucesso do voo já garante que sairemos do chão, mudaremos a perspectiva sobre a vida, as pessoas, as coisas. Alguns pássaros cantam enquanto voam, como se quisessem anunciar alguma coisa. Se voar pelos dias, pelos caminhos, que seja para anunciar mudanças, transformações, alquimias para (res)surgir. Diante de tantos abismos e precipícios voar bem é preciso, viver é dever pessoal, é compromisso com o Divino que há em cada um de nós. Esteja atento ao próximo voo que a Vida apresentar, a lição maior pode ser estar no voo, ou, na nossa capacidade (e disposição) de tirar os pés do chão e seguir outro caminho, deixando para trás precipícios, profundezas e densidades abissais. Bons ventos nos guiem!
domingo, 28 de abril de 2013
Duas crônicas, duas opiniões. Fabrício Carpinejar escreve, Mauren Motta, responde. Analise, reflita, encontre a sua opinião.
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Por que você não arruma namorado?
"Você não entende como não começa um relacionamento, como não se apaixona novamente, como não muda de vida.
Reclama da ausência de opções. É bonita, inteligente, divertida.
Minha hipótese é que não abandonou o passado.
Mantém flertes com o ex indiferente, ou continua saindo com sujeito que jamais assumirá o romance.
Raciocina que, enquanto não vem o escolhido, o príncipe, pode se entreter com velhas paixões.
Mas todos pressentem quando uma mulher está enrolada, todos intuem o caso mal resolvido, e não se aproximam.
Não virá ninguém para espantar os corvos e dissolver essa atmosfera pesada de Prometeu.
É trabalho em vão soterrar o precipício. Mulher desinteressada é impossível.
Ninguém ousará quebrar o monopólio de sua dor.
Você cheira a encrenca, cheira fidelidade a um terceiro. Seus ouvidos estão lentos, sua boca paira em distante lugar, seus olhos se distraem seguidamente.
Não tem brilho na pele, porém tensão nos ombros.
Sua respiração é um poço de suspiros.
Vive ansiosa por notícias, por reatos, mensagens. Não presta atenção, não se entrega para as casualidades.
Quem enxerga fantasmas não vê os vivos.
Não dá para começar um novo amor sem abandonar os anteriores. Errada a regra que a gente somente esquece um amor antigo por um novo.
Está com o corpo fechado, costurado, mentindo que já não sofre mais com as cicatrizes.
Espera herança, não sai para trabalhar ternuras.
Mendiga retornos, não cria memória.
Sua nudez não responde ao pedido da curva. Nem balança com a música favorita.
Está tomada do carma, do veneno, do ressentimento.
Pensa que está bem, mas está em luto. Uma mulher em luto não permite arrebatamentos, afasta-se na primeira gentileza que receber, recusa a prosperidade das pálpebras piscando nos bares e restaurantes.
Você nunca vai encontrar seu namoro, seu casamento, sua paz, se não terminar de se arrepender.
É preciso guardar o máximo de ar, ir ao fundo, descer na tristeza e nadar para longe dela.
Não amará outro alguém sem solucionar pendências, sem recusar o homem que não a merece, o homem que não vai embora e tampouco fica.
Não amará outro alguém sem abandonar algumas horas de alívio em motéis.
Não amará outro alguém se não bloquear as recaídas, se insistir em ressuscitar as promessas.
Uma mulher nunca será inteira se mantém romances quebrados.
Nunca estará presente.
Nunca estará aqui.
Entenda, minha amiga, só ama quem está disposta a ser amada."
Fabrício Carpinejar
28 de abril de 2013 | N° 17416, Jornal Zero Hora
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Mauren Motta
"Já leram a Coluna do Fabrício Carpinejar Hoje no Donna de ZH? Não? Então leiam. Li e fiquei morrendo de vontade de responder. Respondi. Olha aí:
RESPOSTA para Fabrício Carpinejar:
Caro colega,
Quer saber porque muitas mulheres estão sem namorado? Posso passar horas enumerando os motivos. Certamente não é porque nós mulheres somos um poço de amarguras, ou temos o corpo fechado para relacionamentos, ou estamos mendigando o amor de um ex como você erroneamente descreveu no seu último texto no Donna deste domingo.
Muitas mulheres divertidas, bonitas e inteligentes estão por aí sem namorado simplesmente porque a conta não fecha. Pode ser que não exista a mesma proporção de homens nas mesmas condições e ainda por cima solteiros circulando por aí. Já pensou nisso? Fica fácil desculpar os desencontros colocando toda a culpa em uma parte só da laranja.
Para se formar um casal, independente da opção sexual, é preciso de duas pessoas interessadas na mesma feita. Duas pessoas que tenham os mesmos desejos, as mesmas vontades e que simplesmente estejam dispostas a viver uma relação de verdade.
Acho que nós, mulheres, precisamos e queremos mais. Segundo as estatísticas do IBGE, as mulheres hoje estão numa posição BEM diferente de outras épocas. Somos melhores, mais preparadas, com escolaridade superior e portanto não nos contentamos com pouco.
Não queremos alguém para fazer número, mas sim para nos completar. Queremos alguém para trocar ideias que vão além do placar do último campeonato de futebol. Queremos alguém que não se sinta inferiorizado ao nosso lado. Queremos alguém que saiba o que quer de verde. Queremos certeza. Queremos atitude, Queremos amor.
Os tempos são outros amigo Fabrício. Não me me venha com fórmulas fáceis que a vida não funciona assim. Não culpe os que não tem culpa. Muitas mulheres estão super felizes com os seus namorados, maridos, amantes. Outras tanta,s ainda estão buscando sim um parceiro bacana. Não o príncipe, pois este está fora de mercado desde a idade média.
Acredito também que muitos homens estejam em busca da namorada ideal. Certo? Muitos homens também não conseguem encontrar a mulher que lhes faça feliz de verdade. Porque não e fácil mesmo. Somos todos complicados. Homens e mulheres. O bom disso tudo, é que somos livres para sermos o que for e a vida tá aí! Os encontros não param de acontecer. Graças a DEUS. Bom Domingo!"
"A água puxada das raízes pelas cordas do tato e da demora, buscada no encosto dos hálitos, içadas dos poros do rosto a água da imersão dos frutos, a água do primeiro banho e da unção derradeira, a água dos selados lábios é sempre conversão ao vinho."
Maria Carpi, in "As sombras da Vinha"
Eu, a Vida e o meio da Vida; Eu, o meio da Vida e os sonhos; Eu, os sonhos, o amor e a solidão da Vida; Estamos sós, eu e a Vida...(ana maria)
MARAVIDA
"Era uma vez eu no meio da vida
Essa coisa assim, tanto mar, tanto mar
Coisa de doce e de sal
Essa vida assim, tanto mar, tanto mar
Sempre o mar, cores indo
Do verde mais verde, ao anil mais anil
Cores do sol e da chuva
Do sol e do vento, do sol e luar
Era eu nua na rua
Usando abusando do verbo provar
Um beija-flor, flor em flor
Bar em bar, bem ou mal, mergulhar, mergulhar
Sempre menina franzina, traquina
Querendo de tudo tomar
Sempre garota, marota, tão louca
A boca de tudo querendo levar
Vida, vida, vida
Que seja do jeito que for
Mar, amar, amor
Se é dor quero o mar dessa dor
Quero o meu peito repleto
De tudo que eu possa abraçar e abraçar
Quero a sede e a fome eternas
De amar e amar e amar e amar
Vida, vida, vida
Que seja do jeito que for
Mar, amar, amor
Se é dor quero o mar dessa dor
Quero o meu peito repleto
De tudo que eu possa abraçar e abraçar
Quero a sede e a fome eternas
De amar e amar e amar e amar
Vida, vida, vida
Que seja do jeito que for
Mar, amar, amor
Se é dor quero o mar dessa dor
Quero o meu peito repleto
De tudo que eu possa abraçar e abraçar
Quero a sede e a fome eternas
De amar e amar e amar e amar
Vida, vida, vida..."
Gonzaguinha
DEMORA
"Demoramos depois de cada passo cada palavra que temos na garganta Cada cidade ou mesmo cada lágrima Demoramos depois de cada largo um só jardim nos olhos que não espanta E um candeeiro calado em cada canto E o vento selado sobre os ombros como a saudade marcada na garganta e os dedos fincados sobre o sono E cada hora em cada passo dado e todo o medo transformado em raiva e toda a dor nos olhos só em água Não não é apenas aquilo que pensamos que nos devora enquanto demoramos"
Maria Teresa Horta
sábado, 27 de abril de 2013
Amanda Costa (imagem: Agência RBS)
CÉU DA SEMANA
"Cantigas na ondulação do vento, dança de silêncios cromáticos, arco na íris da flor. Salta, flutua, o bailarino louco, peregrino de todas as jornadas. Mercúrio, o viajante, cantautor e escriba, ingressa em Touro (1/5) onde transitam Sol, Vênus e Marte. Forças do elemento Terra, vida que vem do chão. Tradutor da voz, do silêncio e da pauta nas respirações alteradas, afina escuta, leitura e profecia. Portas de percepção ampliadas, limiar a cruzar. Na contraparte do eixo, Saturno em Escorpião pesa e pondera, estrutura que organiza e consolida. O Minguante (2/5) da Lua balão cede à gravidade. Pendurada nos galhos, o peso leve deita a semente no solo para ser raiz e se multiplicar em galhos outra vez, ramos em direção ao céu, mandala de flores e frutos. No trabalho dos dias, o caminhante entoa sua canção espiral e semeia novas galáxias."