Que horas são?

sexta-feira, 19 de abril de 2013

SONETO AO INVERNO





"Inverno, doce inverno das manhãs 
Translúcidas, tardias e distantes (...)"






Excerto do "SONETO AO INVERNO",
Vinícius de Moraes, Londres,1939






               
Sobre amor, arrebatamento e encanto...










































Arrebatar

         v. tr.,    
                levar repentinamente,
                levar pelos ares,
                raptar;         


         v. refl.,
                   enlevar-se,
                   encantar-se,
                   maravilhar-se.






quarta-feira, 17 de abril de 2013




                                         (confiança é patrimônio inviolável...)








CONFIANÇA:

vem do Latim CONFIDENTIA,“confiança”, de CONFIDERE, “acreditar plenamente, com firmeza”, formada por COM, intensificativo, mais FIDERE, “acreditar, crer”, que deriva de FIDES, “fé”.







terça-feira, 16 de abril de 2013






David Coimbra é jornalista, escritor e pai do Bernardo. Leio o David  há muito tempo. É daquelas pessoas que encontramos no supermercado, na livraria ou no bar e ele é sempre um querido. Saber da sua doença, foi uma surpresa desagradável e triste. E fiquei comovida quando li esta crônica em que ele reflete sobre a Vida e como a sentimos.
Mais uma vez, David se supera e abre a roda da conversa. É um convite à reflexão, uma pausa para pensar, uma intimação para cuidar do corpo e da alma (ou qualquer outro nome para a essência que mantém o corpo).






DAVID COIMBRA



"Não gosto de filme de doença, nem de filme que só tem japonês. Quando estive no Oriente Longínquo, porém, me encantei tanto pelo Japão e pelos japoneses, que abri exceção para alguns filmes em que havia exclusivamente atores de olhos amendoados. E agora, no momento em que passo por alguma vicissitude física, nada mais me ressoa, reboa e retumba na cabeça além de palavras que antes eu tratava com indiferença: tomografia, ressonância, contraste, pet-scan.


São palavras desagradáveis, mas nenhuma delas é tão terrível quanto as duas que vou escrever a seguir, espero que você nunca tenha de ocupar sua cabeça pensando nelas, estremeço só de citá-las: neoplasia maligna. Um horror. Por isso, posso ver filme só com japonês, mas não de doença. Doença, a que me atormenta o espírito.

O fato é que a sua mente fica obcecada pelo seu corpo, se você passa por algum problema físico. No entanto, o sofrimento mostra com clareza como eu não sou o meu corpo, e isso é muito estranho, é algo sobre o qual jamais havia pensado e que tenho de compartilhar com você.

O que compreendi é que dependo do meu corpo, o que meu corpo sente pode me fazer feliz ou infeliz, mas, ao mesmo tempo, eu não sou o meu corpo. Eu sou algo além dele, embora esteja dentro dele e faça parte dele e ele faça parte de mim. Mais ou menos como quando vejo fotos antigas minhas, quando leio textos antigos meus, quando lembro do que pensava e não penso mais. Estou sempre mudando, o meu corpo muda, as minhas ideias mudam, mas a minha essência é a mesma.

Será isso o que as pessoas religiosas chamam de “alma”? Será isso o que Schopenhauer chamava de “vontade”? Aquilo que Kant dizia estar além da “razão pura”? Ou o que Freud localizou estar situado camadas abaixo do consciente?

Não sei. O que sei é que gostaria de isolar essa “essência”. Gostaria de torná-la independente do corpo e da mente para, finalmente, descobrir quem eu na verdade sou. Então, olharia com condescendência para os padecimentos do meu corpo, para as inquietações da minha mente, abriria um sorriso e diria, de mim para mim: sou maior do que isso.


Pena que não consiga, pena que siga sendo sempre dependente da condição física, tão escravo das minhas circunstâncias, tão miseravelmente pequeno."



Jornal Zero Hora - 05 de abril de 2013  N° 17393






"(...)a felicidade morava tão vizinha 
Que, de tolo, até pensei que fosse minha(...)



                            Chico Buarque




quinta-feira, 11 de abril de 2013




A Linha e o Linho


Gilberto Gil



"É a sua vida que eu quero bordar na minha
Como se eu fosse o pano e você fosse a linha
E a agulha do real nas mãos da fantasia
Fosse bordando ponto a ponto nosso dia-a-dia
E fosse aparecendo aos poucos nosso amor
Os nossos sentimentos loucos, nosso amor
O zig-zag do tormento, as cores da alegria
A curva generosa da compreensão
Formando a pétala da rosa, da paixão
A sua vida o meu caminho, nosso amor
Você a linha e eu o linho, nosso amor
Nossa colcha de cama, nossa toalha de mesa
Reproduzidos no bordado
A casa, a estrada, a correnteza
O sol, a ave, a árvore, o ninho da beleza"




quarta-feira, 10 de abril de 2013





"Sob o manto da noite que me cobre
Negro como as profundezas de um polo a outro
Eu agradeço a todos os deuses
Por minha alma invencível.
Nas garras ferozes das circunstâncias,
Não me encolhi nem derramei meu pranto.
Golpeado pele destino
Minha cabeça sangra, mas não se curva.
Longe deste lugar
De ira e lágrimas
Só assoma o horror das sombras.
Ainda assim, a ameaça dos anos me encontra
E me encontrará sempre destemido.
Pouco importa quão estreita seja a porta
Quão profusa em punições seja a lista
Sou o senhor do meu destino
Sou o capitão da minha alma."


William Ernst Henley (1849-1903)


(Dentre tantas traduções disponíveis, escolhi a que penso ser a mais próxima  do original)