Que horas são?

sexta-feira, 29 de março de 2013



“Os cinco principais arrependimentos de pacientes terminais” é um livro escrito por Bronnie Ware, uma enfermeira especializada em cuidar de pessoas próximas da morte.
Neste vídeo a dra. Ana Cláudia Arantes (geriatra especialista em cuidados paliativos do Hospital Albert Einstein) comenta a experiência dos pacientes com cada um dos cinco arrependimentos citados.

Por  algum motivo, ando pensando sobre a Vida e seus desdobramentos a partir do que não fazemos dela. Casualmente, a música "O Último Dia" do  Paulinho Moska me vem à cabeça, nestes dias de reflexão.  Acho que nada é coincidência, tudo é sincronia, aprendizado além do que se pode medir.

Não carrego arrependimentos, sempre sou inteira nas minhas relações, ainda que não seja um caminho tranquilo, pelo menos me dá garantias de ter vivido unicamente de acordo com os ditames do meu coração e da minha alma.

E é o que desejo para todos os meus amigos: uma vida livre de arrependimentos.

Que nesta Páscoa possamos pensar sobre isto e (re)fazer caminhos, (re)encantar pessoas, (re)descobrir felicidades e (re)encontrar quem  deixamos pelo caminho.  Não deixe nada para um acerto de contas final, (re)nasça no outro e, principalmente, RENASÇA!  Sempre é tempo!  









"Meu amor
O que você faria se só te restasse um dia?
Se o mundo fosse acabar
Me diz o que você faria

Ia manter sua agenda
De almoço, hora, apatia
Ou esperar os seus amigos
Na sua sala vazia

Meu amor
O que você faria se só te restasse um dia?
Se o mundo fosse acabar
Me diz o que você faria

Corria prum shopping center
Ou para uma academia
Pra se esquecer que não dá tempo
Pro tempo que já se perdia

Meu amor
O que você faria se só te restasse esse dia
Se o mundo fosse acabar
Me diz, o que você faria

Andava pelado na chuva
Corria no meio da rua
Entrava de roupa no mar
Trepava sem camisinha

Meu amor
O que você faria?
O que você faria?

Abria a porta do hospício
Trancava a da delegacia
Dinamitava o meu carro
Parava o tráfego e ria

Meu amor
O que você faria se só te restasse esse dia?
Se o mundo fosse acabar
Me diz o que você faria

Meu amor
O que você faria se só te restasse esse dia?
Se o mundo fosse acabar
Me diz o que você faria
Me diz o que você faria
Me diz o que você faria..."




quarta-feira, 27 de março de 2013










                                                                                                   ARESTAS...





segunda-feira, 25 de março de 2013








Terror de Te Amar



"Terror de te amar num sítio tão frágil como o mundo 
Mal de te amar neste lugar de imperfeição 
Onde tudo nos quebra e emudece 
Onde tudo nos mente e nos separa. 

Que nenhuma estrela queime o teu perfil 
Que nenhum deus se lembre do teu nome 
Que nem o vento passe onde tu passas. 

Para ti eu criarei um dia puro 
Livre como o vento e repetido 
Como o florir das ondas ordenadas."


Sophia de Mello Breyner Andresen,    in “Obra Poética”


domingo, 24 de março de 2013

                                                       (um fim de tarde em Porto Alegre...)



"Para que as luzes do outro sejam percebidas por mim devo por bem apagar as minhas, no sentido de me tornar disponível para o outro."




MIA COUTO




sábado, 23 de março de 2013




       SE O TEMPO ENTENDESSE DE AMOR...



                                  


[Rosa Passos]


"As horas torturam quem ama,
Correndo ou custando a passar,
Se o tempo entendesse de amor,
Devia parar....

Depois de ler e reler,
A tua carta,
Eu necessito dizer-te,
Toda a verdade,
Ao te encontrar encontrei,
A mim mesma querido,
E descobri a razão,
Da minha vida.

Odeio os ponteiros que correm,
Se estamos perto,
Odeio os ponteiros que param,
Se estamos longe,
As horas torturam quem ama,
Correndo ou custando a passar,
Se o tempo entendesse de amor,
Devia parar.

Odeio os ponteiros que correm,
Se estamos perto,
Odeio os ponteiros que param,
Se estamos longe,
As horas torturam quem ama,
Correndo ou custando a passar,
Se o tempo entendesse de amor,
Devia parar...."














A  PORTA


[Vinícius de Moraes]


"Eu sou feita de madeira
Madeira, matéria morta
Mas não há coisa no mundo
Mais viva do que uma porta.
Eu abro devagarinho
Pra passar o menininho
Eu abro bem com cuidado
Pra passar o namorado
Eu abro bem prazenteira
Pra passar a cozinheira
Eu abro de supetão
Pra passar o capitão.
Só não abro pra essa gente
Que diz (a mim bem me importa…)
Que se uma pessoa é burra
É burra como uma porta.
Eu sou muito inteligente!
Eu fecho a frente da casa
Fecho a frente do quartel
Fecho tudo nesse mundo
Só vivo aberta no céu!"




                           









ESQUIRLAS


(Roberta Sá e participação de Jorge Drexler)




"Yo no sé quererte a medias
A media marcha
Yo pongo el aliento en la escarcha
Vo vuelvo a intentar derretirla
Ahí va mi corazón tras la explosión
Juntando esquirlas.

Yo intenté quererte menos
Menos que totalmente
No puedo, sinceramente
Decirte que lo consiga
Crucé tu bosque una y otra vez
Dejando migas

Vaya volando esta canción
Para llegar hasta tu casa
Y que sientas
Cuando llegue la ocasión
Por una vez,
Lo que yo siento que pasa

Yo no sé quererte a medias
Tal vez tu sepas
Yo me desnudo en la estepa
Cada noche a la intemperie
Ahí va mi voz buscándote
Muerta de fiebre

Quisiera saber sortear
Este jardín de resabios
Y llegar hasta el lugar
En donde sea que tu estés
Y susurrarte a los labios"










"Eu não sei te amar pela metade
A meio caminho
Eu coloquei a respiração no gelo
Eu tento de novo derreter
Lá vai meu coração depois da explosão
Juntando lascas

Eu tentei te amar menos
Menos do que totalmente
Eu não posso honestamente
Dizer que consigo
Cruzei a floresta novamente e novamente
Deixando migalhas

Essa canção vai voando
Para chegar a sua casa
E você se sente
Quando chega a hora
Pela primeira vez,
O que eu sinto que acontece

Eu não sei te amar pela metade
Talvez você saiba
Eu estava nua no deserto
Todas as noites ao ar livre
Lá vai a minha voz à tua procura
Morta de febre

Gostaria de saber contornar
Este jardim de remanescentes
E chegar ao lugar
Onde quer que você esteja
E sussurrar aos lábios"







PESSOA




Ah, querem uma luz melhor que a do sol!


"Ah, querem uma luz melhor que a do sol!
Querem campos mais verdes que estes!
Querem flores mais belas que estas que vejo!
A mim este sol, estes campos, estas flores contentam-me.
Mas, se acaso me descontento,
O que quero é um sol mais sol que o sol,
O que quero é campos mais campos que estes prados,
O que quero é flores mais estas flores que estas flores —
Tudo mais ideal do que é do mesmo modo e da mesma maneira!
Aquela coisa que está ali estava mais ali que ali está!
Sim, choro às vezes o corpo perfeito que não existe.
Mas o corpo perfeito é o corpo mais corpo que pode haver,
E o resto são os sonhos dos homens,
A miopia de quem vê pouco,
E o desejo de estar sentado de quem não sabe estar de pé.
Todo o cristianismo é um sonho de cadeiras.
E como a alma é aquilo que não aparece,
A alma mais perfeita é aquela que não apareça nunca —
A alma que está feita com o corpo
O absoluto corpo das coisas,
A existência absolutamente real sem sombras nem erros
A coincidência exacta (e inteira) de uma coisa consigo mesma."

12-4-1919

“Poemas Inconjuntos”. Poemas Completos de Alberto Caeiro. Fernando Pessoa. (Recolha, transcrição e notas de Teresa Sobral Cunha.) Lisboa: Presença, 1994.  - 145.