Bulb Fields (also known as Flower Beds in Holland) Vincent van Gogh - 1883
"Tulipas dão o tom nos arredores de Lisse, cidade a 30 minutos de Amsterdã." Jornal O GLOBO, 18/03/2013
domingo, 17 de março de 2013
No dia doze de março a loja MARIA TERESA OBJETOS DECORATIVOS E ESPAÇO DE ARTE completou oito anos. Maria Teresa comemorou com o carinho dos amigos e clientes e nos presenteou com uma exposição dos trabalhos da artista plástica Fátima Annes.
Fátima se dedica à pintura desde os anos 90, é formada em Artes e Pintura pela UFSM (Universidade Federal de Santa Maria) e trabalha com elementos pictóricos junto ao mestre Fernando Baril. "REFERÊNCIAS" é o nome desta exposição que nos remete a visitas a museus, figuras de grandes mestres e objetos pessoais como bibelôs, estampas e azulejos.
Uma noite para celebrar tantos anos de bom convívio, elegância no trato, delicadeza em receber e poesia nos objetos que Maria Teresa tem em sua loja.
Os quadros continuam em exposição na loja, na rua Tobias da Silva, 174, bairro Moinhos de Vento, em Porto Alegre.
segunda-feira, 11 de março de 2013
(Praia de Torres-RS)
"Mares de mim, que sei eu das minhas profundezas se meus pés nunca puderam tocar o fundo desse abismo que sou. Ser do raso - quase me afogo em meus mergulhos quânticos. E as arraias me olham e me transpassam. Transparente que sou. Águas vivas me queimam. Sem me tocar. Os cavalos marinhos, cadê? E as flores de corais que amenizam azuis intensos? Ah... Os delírios náuticos. Milhas longe de qualquer mar. Ainda que eu. Ainda. Que."
Nydia Bonetti
Alimente sua vida com delicadezas...
"JOSÉ E PILAR - Conversas inéditas"
Miguel Gonçalves Mendes Editora Companhia das Letras
"Não mexe comigo que eu não ando só eu não ando só, que eu não ando só não mexe não Eu tenho zumbi, besouro o chefe dos tupis Sou tupinambá, tenho erês, caboclo boiadeiro Mãos de cura, morubichabas, cocares, arco-íris Zarabatanas, curarês, flechas e altares. A velocidade da luz no escuro da mata escura O breu o silêncio a espera. eu tenho Jesus, Maria e José, todos os pajés em minha companhia O Menino Deus brinca e dorme nos meus sonhos O poeta me contou Não mexe comigo que eu não ando só Eu não ando só, que eu não ando só Não mexe não Não misturo, não me dobro a Rainha do Mar Anda de mãos dadas comigo, me ensina o baile das ondas e canta, canta, canta pra mim, é do ouro de Oxum que é feita a armadura guarda o meu corpo, garante meu sangue minha garganta O veneno do mal não acha passagem e em meu Coração maria acende sua luz, e me aponta o Caminho. Me sumo no vento, cavalgo no raio de Iansã, giro o mundo, viro, reviro tô no recôncavo tô em face, vôo entre as estrelas, brinco de ser uma, traço o Cruzeiro do Sul, com a tocha da fogueira de João Menino, rezo com as três Marias, vou além, me recolho no esplendor das Nebulosas descanso nos vales, montanhas, durmo na forja de Ogum, mergulho no calor da lava dos vulcões, corpo vivo de XANGÔ Não ando no breu nem ando na treva Não ando no breu nem ando na treva É por onde eu vou que o santo me leva É por onde eu vou que o santo me leva Medo não me alcança, no deserto me acho, faço cobra morder o rabo, escorpião vira pirilampo meus pés recebem bálsamos, unguento suave das mãos de Maria, irmã de Marta e Lázaro, no Oásis de Bethânia. Pensou que eu ando só, atente ao tempo não começa nem termina, é nunca é sempre, é tempo De reparar na balança de nobre cobre que o rei equilibra, fulmina o injusto, deixa nua a justiça Eu não provo do teu fel, eu não piso no teu chão E pra onde você for não leva o meu nome não E pra onde você for não leva o meu nome não Onde vai valente? você secou, seus olhos insones secaram, não vêem brotar a relva que cresce livre e verde, longe da tua cegueira. Seus ouvidos se fecharam à qualquer música, qualquer som, nem o Bem nem o mal pensam em ti, ninguém te escolhe você pisa na terra mas não sente apenas pisa, Apenas vaga sobre o planeta, já nem ouve as teclas do teu piano, você está tão mirrado que nem o diabo te ambiciona, não tem alma, você é O oco, do oco, do oco, do sem fim do mundo. O que é teu já tá guardado não sou eu que vou lhe dar, não sou eu que vou lhe dar, não sou eu que vou lhe dar Eu posso engolir você só pra cuspir depois, minha forma é matéria que você não alcança desde o leite do peito de minha mãe, até o sem fim dos versos, versos, versos, que brota do poeta em toda poesia sob a luz da lua que deita na palma da inspiração de Caymmi, se choro, quando choro e minha lágrima cai é pra regar o capim que alimenta a vida, chorando eu refaço as nascentes que você secou. Se desejo o meu desejo faz subir marés de sal e sortilégio, vivo de cara pra o vento na chuva e quero me molhar. O terço de Fátima e o cordão de Gandhi, cruzam o meu peito. Sou como a haste fina que qualquer brisa verga, mas, nenhuma espada corta Não mexe comigo que eu não ando só Eu não ando só, que eu não ando só Não mexe comigo"
[(Paulo César Pinheiro) Textos de Maria Bethânia]
Li, agora há pouco, o que o Fabrício Carpinejar escreveu sobre o fim do seu relacionamento com a Alessandra Siedschlag, e decidi trazer para ilustrar tudo o que penso a respeito dos fins. Há muito venho dizendo: até os fins precisam ser dignos, para que possamos honrar os dias felizes. A crônica/carta é um altar aos bons sentimentos.
<< eu vou pra cá << >> eu vou pra lá >>
"Alessandra - Lele Siedschlag gosta de jasmim, eu gosto de cravos, nossa paixão era magnólia.
Maravilhosa magnólia, maliciosa magnólia, essa lâmpada de sombra, esse fóssil de flor, animal aéreo e pré-histórico de pétalas, que surgiu antes da cor, antes do olfato, antes do amor.
Foram quatro meses de namoro onde seus olhos verdes acentuaram o sol de pátio de meus olhos.
Nossa despedida é amizade.
Repetiria todo momento que passei com ela. O cheiro dos momentos.
Alessandra tem caráter. Nunca conheci alguém com tanto caráter.
E caráter não é rigor, mas sinceridade.
E caráter não é rosto sério, mas riso solto.
E caráter não é privação, mas gentileza.
Caráter não muda como a opinião, como o desejo, não segue a fome, não se diminui com a carência.
E é lindo ter caráter. E é sensual ter caráter. Caráter é amar antes mesmo das palavras.
O caráter gerou as palavras.
— nossa música "E se poi", de Malika Ayane:" [Fabrício Carpinejar]