Que horas são?

sábado, 9 de março de 2013




Li, agora há pouco, o que o Fabrício Carpinejar escreveu sobre o fim do seu relacionamento com a Alessandra Siedschlag, e decidi trazer para ilustrar tudo o que penso a respeito dos fins. Há muito venho dizendo: até os fins precisam ser dignos, para que possamos honrar os dias felizes. A crônica/carta é um altar aos bons sentimentos.


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"Alessandra - Lele Siedschlag gosta de jasmim, eu gosto de cravos, nossa paixão era magnólia.

Maravilhosa magnólia, maliciosa magnólia, essa lâmpada de sombra, esse fóssil de flor, animal aéreo e pré-histórico de pétalas, que surgiu antes da cor, antes do olfato, antes do amor. 

Foram quatro meses de namoro onde seus olhos verdes acentuaram o sol de pátio de meus olhos.

Nossa despedida é amizade. 

Repetiria todo momento que passei com ela. O cheiro dos momentos. 

Alessandra tem caráter. Nunca conheci alguém com tanto caráter.

E caráter não é rigor, mas sinceridade. 

E caráter não é rosto sério, mas riso solto. 

E caráter não é privação, mas gentileza. 

Caráter não muda como a opinião, como o desejo, não segue a fome, não se diminui com a carência. 

E é lindo ter caráter. E é sensual ter caráter. Caráter é amar antes mesmo das palavras.

O caráter gerou as palavras. 

— nossa música "E se poi", de Malika Ayane:"


[Fabrício Carpinejar]





             
        Para inspirar novos vôos...




          





"O curta The Me Bird é uma livre interpretação do poema homônimo de Pablo Neruda. A inspiração na técnica strata stencil ajuda a conceituar a repetição de camadas como o passado de nossos movimentos e ações. As molduras como jaula e o passado como fardo servem de pano de fundo para a história de uma bailarina em sua jornada rumo à liberdade. Através de variada experimentação artística, recria-se a tormenta que conecta pássaro e dançarina. "



Lá do 18bis.tv.  
Link 









A MARIA TERESA OBJETOS DECORATIVOS completa oito anos neste mês. Para comemorar traz a artista plástica Fátima Annes e sua exposição REFERÊNCIAS.

Na próxima terça-feira, dia doze de março, a partir das 18h 30m, Maria Teresa recebe amigos e clientes na loja em celebração a mais um aniversário.
Oito anos de encantamento atendimento impecável e boas amizades.
 






sexta-feira, 8 de março de 2013





"Você sabe, Pedro Bloch, nunca se pode fazer lista das melhores coisas da vida. A razão é simples: se elas chegam de repente ... falta preparo; se as prevemos... fica sendo cópia. Eu acho que todas as coisas acontecem como se estivessem preparadas antes. A sorte é grande lei da vida e a sorte deve ter suas leis. O mundo é algo plástico. A fé criadora. Não é fé acreditar-se num sistema. Só vemos pedacinhos, fragmentos de uma coisa sempre maior. O momento feliz, já reparou?, não é o que ocorre naquele instante. Está sempre associado a outros lugares e outros tempos. É violino querendo ser orquestra. Só as coisas boas são completas."


“E, o que era que eu queria? Ah, acho que não queria mesmo nada, de tanto que eu queria só tudo.”


(Guimarães Rosa)



quinta-feira, 7 de março de 2013


Adriana Calcanhoto e Eugénia Melo e Castro:

                  

              



BEM QUERER


Eugénia Melo e Castro


"Quando o meu bem querer me vir
Estou certa que há de vir atrás
Há de me seguir por todos
Todos, todos, todos os umbrais.

E quando o seu bem querer mentir
Que não vai haver adeus jamais
Há de responder com juras
Juras, juras, juras imorais.

E quando o meu bem querer sentir
Que o amor é coisa tão fugaz
Há de me abraçar com a garra
A garra, a garra, a garra dos mortais.

E quando o seu bem querer pedir
Pra você ficar um pouco mais
Há que me afagar com a calma
A calma, a calma, a calma dos casais.


E quando o meu bem querer ouvir
O meu coração bater demais
Há de me rasgar com a fúria
A fúria, a fúria, a fúria assim dos animais.


E quando o seu bem querer dormir
Tome conta que ele sonhe em paz
Como alguém que lhe apagasse a luz
Vedasse a porta e abrisse o gás."

       



FUTUROS AMANTES


                       Chico Buarque




"Não se afobe, não
Que nada é pra já 
O amor não tem pressa
Ele pode esperar em silêncio
Num fundo de armário
Na posta-restante 
Milênios, milênios
No ar.

E quem sabe, então
O Rio será
Alguma cidade submersa
Os escafandristas virão
Explorar sua casa
Seu quarto, suas coisas
Sua alma, desvãos.

Sábios em vão
Tentarão decifrar 
O eco de antigas palavras
Fragmentos de cartas, poemas
Mentiras, retratos
Vestígios de estranha civilização.

Não se afobe, não 
Que nada é pra já 
Amores serão sempre amáveis
Futuros amantes, quiçá 
Se amarão sem saber 
Com o amor que eu um dia
Deixei pra você."










Meu amigo Luciano Goularte é uma pessoa rara, encantadoramente rara. Tem personalidade forte e o sorriso mais doce que eu conheço. É dono de um talento invejável, sabe tudo da profissão que escolheu, estudioso, dedicado e determinado.
Cuida do meu cabelo há anos, e, de uma certa forma, cuida de mim, também, porque sempre saio de lá melhor do que cheguei. Atende a todos com o mesmo cuidado. É um homem de simplicidades, de olho no olho, de palavras diretas. Elegante no trato, elegante na Vida.
E tem um filho lindo que o fez ainda mais inspirador.
Dia dez de março é o aniversário do Luciano, pensei em trazê-lo para o blog para falar do meu carinho, admiração e amizade e desejar que a Vida continue sendo generosa com ele.

"Onde há um amor intenso, há uma família."





(Shere Hite, sexóloga, pesquisadora e escritora americana.)


quarta-feira, 6 de março de 2013






QUANDO  O  LUAR


"Quando o luar caiu e 
tingiu de escuro os verdes da ilha 
cheguei, mas tu já não eras. 

Cheguei quando as sombras revelavam 
os murmúrios do teu corpo 
e não eras. 
Cheguei para despojar de limites o teu nome. 
Não eras. 

As nuvens estão densas de ti 
sustentam a tua ausência 
recusam o ocaso do teu corpo 
mas não és."



(Conceição Lima -  poeta são-tomense natural de Santana da ilha de São Tomé, São Tomé e Príncipe.)






terça-feira, 5 de março de 2013






Les mots et les choses


(Hélio Pellegrino)


Entre lâmina e lâmina,
entre a lâmina da palavra e o fio
da lâmina cortante, corre um fio
de ausência tão instante, que em meu nada
me fio, e ao seu vazio me confio,
para fiar - vida a fio -, por ausentes,
as coisas que, tramadas desta ausência,
são lâminas cortantes - e presentes
.