O dono da voz, senhor das notas: Leonard Cohen! Amen, Amen!
domingo, 13 de janeiro de 2013
sábado, 12 de janeiro de 2013
E eu que coleciono lápis, caixinhas, latinhas e bonecas, só uso as roupas que gosto, colho flores dos jardins alheios (e elas crescem, lindamente em meu jardim), como pão no caminho de volta da padaria, choro em qualquer lugar e rio das coisas mais ridículas. Eu estou começando a envelhecer. Ainda bem!! Difícil é quando negamos a passagem do Tempo e vivemos fugindo dos espelhos. Fuja, não!! Compre um espelho lindo para ver o Tempo. Ele é você em movimento.
"Quando eu for velha, vou me vestir de roxo
Com um chapéu vermelho que não combina, e não me deixa bem.
Quero gastar minha aposentadoria em conhaque, luvas de seda e sandálias de cetim,
e dizer que não tenho o dinheiro da manteiga.
Vou sentar-me na calçada quando estiver cansada,
e comer todas as promoções dos supermercados,
Tocar as campainhas dos vizinhos, arrastar meu guarda-chuva nos gradis das ruas.
Para compensar a sobriedade da minha juventude.
Sairei de chinelos na chuva, colherei flores em jardins alheios, e aprenderei a cuspir no chão.
Vou usar roupas horríveis, engordar sem culpa, e comer três quilos de salsichas de uma só vez,
ou apenas pão e picles por uma semana
Vou colecionar caixinhas, lápis e rótulos de cerveja.
Mas por ora, devemos ter roupas que nos mantenham secas
Pagar nosso aluguel e não dizer palavrão pelas ruas,
e dar bom exemplo para as crianças.
Devemos ter amigos para jantar e ler os jornais.
Mas talvez eu devesse praticar um pouco agora?
Para que quem me conhece não fique muito chocado ou surpreso
Quando eu for velha e passar a usar roxo."
[Jenny Joseph]
(o valor de uma página em branco...)
PLANO
"Trabalho o poema sobre uma hipótese: o amor
que se despeja no copo da vida, até meio, como se
o pudéssemos beber de um trago. No fundo,
como o vinho turvo, deixa um gosto amargo na
boca. Pergunto onde está a transparência do
vidro, a pureza do líquido inicial, a energia
de quem procura esvaziar a garrafa; e a resposta
são estes cacos que nos cortam as mãos, a mesa
da alma suja de restos, palavras espalhadas
num cansaço de sentidos. Volto, então, à primeira
hipótese. O amor. Mas sem o gastar de uma vez,
esperando que o tempo encha o copo até cima,
para que o possa erguer à luz do teu corpo
e veja, através dele, o teu rosto inteiro."
(Nuno Júdice)
que se despeja no copo da vida, até meio, como se
o pudéssemos beber de um trago. No fundo,
como o vinho turvo, deixa um gosto amargo na
boca. Pergunto onde está a transparência do
vidro, a pureza do líquido inicial, a energia
de quem procura esvaziar a garrafa; e a resposta
são estes cacos que nos cortam as mãos, a mesa
da alma suja de restos, palavras espalhadas
num cansaço de sentidos. Volto, então, à primeira
hipótese. O amor. Mas sem o gastar de uma vez,
esperando que o tempo encha o copo até cima,
para que o possa erguer à luz do teu corpo
e veja, através dele, o teu rosto inteiro."
(Nuno Júdice)
ATENÇÃO AO SÁBADO
[Clarice Lispector]
"Acho que sábado é a rosa da semana; sábado de tarde a casa é feita de cortinas ao vento, e alguém despeja um balde de água no terraço; sábado ao vento é a rosa da semana; sábado de manhã, a abelha no quintal, e o vento: uma picada, o rosto inchado, sangue e mel, aguilhão em mim perdido: outras abelhas farejarão e no outro sábado de manhã vou ver se o quintal vai estar cheio de abelhas.
No sábado é que as formigas subiam pela pedra.
Foi num sábado que vi um homem sentado na sombra da calçada comendo de uma cuia de carne-seca e pirão; nós já tínhamos tomado banho.
De tarde a campainha inaugurava ao vento a matinê de cinema: ao vento sábado era a rosa de nossa semana.
Se chovia só eu sabia que era sábado; uma rosa molhada, não é?
No Rio de Janeiro, quando se pensa que a semana vai morrer, com grande esforço metálico a semana se abre em rosa: o carro freia de súbito e, antes do vento espantado poder recomeçar, vejo que é sábado de tarde.
Tem sido sábado, mas já não me perguntam mais.
Mas já peguei as minhas coisas e fui para domingo de manhã.
Domingo de manhã também é a rosa da semana.
Não é propriamente rosa que eu quero dizer."
[Texto extraído do livro "Para não Esquecer", Editora Siciliano - São Paulo, 1992.]
sexta-feira, 11 de janeiro de 2013
A poesia de Fernando Couto...
DE SÚBITO
"De súbito,
a tristeza nasce no teu rosto,
suave, densa e silenciosa
– céu da África ainda sem noite nem dia
A lua,
tua irmã africana,
irrompeu dos teus ombros,
esplendorosa e suave.
E ao gesto diáfano das tuas mãos
incendiou-se a noite."
VERÃO AFRICANO
"A plácida cor deste hálito envolvente,
a tangível paz de calor e da savana,
o céu enfeitiçado de azul sem mácula,
a modorra só quebrada pelo canto
e o mar - um velho cão adormecido."
[Fernando Couto]
CUANDO LLEGUÉ A LA VIDA
[Alfonsina Storni]
"Vela sobre mi, mi grave amor inmenso:
Cuando llegué a la vida yo traía en suspenso,
En el alma y la carne, la locura enemiga
El capricho elegante y el deseo que hostiga.
Me encantaban los viajes por las almas humanas,
La luz, los etranjeros, las abeja livianas,
El ocio, las palabras que unucuan el idilio
Los cuerpos armoniosos, los versos de Virgilio.
Cuando sobre tu pecho mi alma fue apaciguada,
Y la dulce criatura, tuya y mía, deseada,
Yo puse entre tus maos toda mi fantasía
Y te dije humillada por estos pensamientos:
-iVigílame los ojos! Cuando cambian los vientos
El alma femenina se trastorna y varía…"
~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~
QUANDO CHEGUEI À VIDA
[Alfonsina Storni - Tradução de Héctor Zanetti]
Quando cheguei à vida trazia em suspense,
na alma e na carne, a loucura inimiga,
o capricho elegante e o desejo que açoita.
Encantavam-me as viagens pelas almas humanas,
a luz, os estrangeiros, as abelhas leves,
o ócio, as palavras que iniciam o idílio,
os corpos harmoniosos, os versos de Virgílio.
Quando sobre teu peito minha alma foi tranquilizada,
e a doce criatura, tua e minha, desejada,
eu pus entre tuas mãos toda minha fantasia
e te disse humilhada por estes pensamentos:
-Vigiai-me os olhos! Quando mudam os ventos
a alma feminina se transtorna e varia…"
quinta-feira, 10 de janeiro de 2013
~ despedaçado chega ao fim da vida
quem jamais se arrebentou de amor ~
Alessandra Siedschlag
Se for por amor e em amor, a Vida vale cada segundo do Tempo que nos é dado. Se não, apenas vivemos, cumprindo os dias.
E só viver é muito, muito pouco.Por isto, permita-se caminhar nos precipícios, desbrave seus caminhos mais desconhecidos, encare seus fantasmas, alie-se às dúvidas, não alimente silêncios Não sinta medo das feridas profundas, as cicatrizes são tatuagens da nossa própria história. Seja espelho de si mesmo e questione-se:"É por amor?" Se for, siga em frente.
E só viver é muito, muito pouco.Por isto, permita-se caminhar nos precipícios, desbrave seus caminhos mais desconhecidos, encare seus fantasmas, alie-se às dúvidas, não alimente silêncios Não sinta medo das feridas profundas, as cicatrizes são tatuagens da nossa própria história. Seja espelho de si mesmo e questione-se:"É por amor?" Se for, siga em frente.
Corajosamente ,vá!
PROPOSTA DI MODIFICA
(Erri de Luca)
Tradução de Alessandra Siedschlag
"Se existe o verbo desnaturar, deveria existir também enaturar,
com o qual substituo o verbo enamorar.
porque acontece assim: reavivo o corpo,
uma música me comove, uma corrente elétrica viaja sob
as pontas dos meus dedos,
um cheiro me provoca uma lágrima, suo, enrubesço,
ali no osso sacro se agita uma cauda que se
perdeu.
Eu me enaturei: é mais leal.
Me enaturo de ti quando te abraço."
"C’è il verbo snaturare, ci dev’essere pure innaturare,
con cui sostituisco il verbo innamorare
perché succede questo: che risento il corpo,
mi commuove una musica, passa corrente sotto
i polpastrelli,
un odore mi pizzica una lacrima, sudo, arrossisco,
in fondo all’osso sacro scodinzola una coda che s’è
persa.
Mi sono innaturato: è piú leale."
M’innaturo di te quando t’abbraccio."
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