Que horas são?

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

                                                                                              (a rosa e o tempo...)





Se o mundo acabar amanhã, levarei comigo todos os cheiros que senti, todas as lágrimas que chorei, todos os sorrisos que dei. 


Se o mundo acabar amanhã, levarei na bagagem a beleza e o mistério da maternidade. O som do primeiro choro do meu filho, a voz dele ao pronunciar meu nome, a intensidade do amor que nos une, a estranha sensação de olhar pra cima para poder vê-lo, porque ele cresceu e meu coração não viu.

Levarei, também, o sorriso da minha mãe, as manhãs ensolaradas com minhas avós, o som das brincadeiras dos meu irmãos, a lembrança da magia do teatro de sombras que meu pai fazia quando eu era uma menininha.


Se o mundo acabar amanhã, irão comigo o som das risadas, a cumplicidade das minhas amigas de infância e a certeza de que amizade também é amor. O primeiro livro que li será o prefácio da minha biografia. Os amores que tive estarão tatuados em mim. Os medos que senti estarão comigo na lembrança para que eu esteja alerta para os sinais do caminho. 

Se o mundo acabar amanhã terei provado da coragem daqueles que ousaram fazer diferente. Não esquecerei dos erros que cometi, eles são a prova de que a vida é um eterno aprendizado. E o acertos levo como currículo e referência.

Se o mundo acabar amanhã irei com o espírito livre das amarras das mágoas, porque aprendi que julgar o outro é tão nocivo quanto cultivar o ódio e que a empatia é uma qualidade essencial. Principalmente, levarei a beleza de ter (re)conhecido o amor quando ele  cruzou meu caminho, a coragem da entrega e os encantamentos que vivenciei.

Não quero contrariar as 'expectativas', mas penso que amanhã só dia irá terminar. Com um por do sol aquarelando o horizonte e uma noite enluarada com estrelas infinitas para embalar nossos sonhos. E, no dia seguinte, no dia depois de amanhã, no primeiro dia de um mundo novo, poderemos recomeçar, refeitos, aprendizes, inteiros. Encantados e agradecidos pelas novas possibilidades diárias de sermos outros e melhores.
Até lá!








quarta-feira, 19 de dezembro de 2012


Assista e reflita...


(para assistir, clique no link abaixo)






                                                                 (a pétala que se fez coração...)




Acredito no AMOR simples, bom e verdadeiro. Sem atalhos, sem regras, sem denominações, sem disfarces. AMOR, simplesmente.
Um amor feito de cuidados e gentilezas, clareza e disposição. Que venha com a brisa das manhãs e seja iluminado pelas estrelas à noite.
Que não se vergue às adversidades e o pacto maior seja andar de mãos dadas pelos caminhos que a Vida apresentar.

Amor é entrega. Menos do que isto é arremedo  e tentativa.




terça-feira, 18 de dezembro de 2012

                                                                                                                    (nós...)
                                                      


"Como um pássaro cantando na chuva, deixe memórias agradáveis sobreviverem em tempos de tristeza." 



Robert Louis Stevenson



domingo, 16 de dezembro de 2012







Estou Mais Perto de Ti porque Te Amo



"Estou mais perto de ti porque te amo. 
Os meus beijos nascem já na tua boca. 
Não poderei escrever teu nome com palavras. 
Tu estás em toda a parte e enlouqueces-me. 

Canto os teus olhos mas não sei do teu rosto. 
Quero a tua boca aberta em minha boca. 
E amo-te como se nunca te tivesse amado 
porque tu estás em mim mas ausente de mim. 

Nesta noite sei apenas dos teus gestos 
e procuro o teu corpo para além dos meus dedos. 
Trago as mãos distantes do teu peito. 

Sim, tu estás em toda a parte. Em toda a parte. 
Tão por dentro de mim. Tão ausente de mim. 
E eu estou perto de ti porque te amo. "


Joaquim Pessoa, in 'Os Olhos de Isa'









                


sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

                                                                       (en)canto





LEVEZA



"Leve é o pássaro:
e a sua sombra voante,
mais leve.

E a cascata aérea
de sua garganta,
mais leve.

E o que lembra, ouvindo-se
deslizar seu canto,
mais leve.

E o desejo rápido
desse mais antigo instante,
mais leve.

E a fuga invisível
do amargo passante,
mais leve."



Cecília Meireles



quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

VÊNUS

                                                   (tentando apre(e)nder)
                                                       





Por que quando não sabemos dizer, a poesia nos salva. 




VÊNUS



"Quando a sua voz me falou: vamos

Eu vi deus sentado em seu trono: vênus
A religião que nós dois inventamos
Merece um definitivo talvez... pelo menos

Perceba que o que me configura
É sempre essa beleza
Que jorra do seu jeito de olhar
Do seu jeito de dar amor
Me dar amor

Não te dei nada que seja impuro
No futuro também vai ser assim
Se hoje amanheceu um dia escuro
Foi porque capturei o sol pra mim


Perceba que o que nos configura
É sempre essa beleza
Que jorra do nosso jeito de olhar
Nosso jeito de dar amor
Nos dar amor

Não falo do amor romântico,
Aquelas paixões meladas de tristeza e sofrimento.
Relações de dependência e submissão, paixões tristes.
Algumas pessoas confundem isso com amor.
Chamam de amor esse querer escravo,
E pensam que o amor é alguma coisa
Que pode ser definida, explicada, entendida, julgada.
Pensam que o amor já estava pronto, formatado, inteiro,
Antes de ser experimentado.
Mas é exatamente o oposto, para mim, que o amor manifesta.
A virtude do amor é sua capacidade potencial de ser construído, inventado e modificado.
O amor está em movimento eterno, em velocidade infinita.
O amor é um móbile.
Como fotografá-lo?
Como percebê-lo?
Como se deixar sê-lo?
E como impedir que a imagem sedentária e cansada do amor não nos domine?
Minha resposta? O amor é o desconhecido.
Mesmo depois de uma vida inteira de amores,
O amor será sempre o desconhecido,
A força luminosa que ao mesmo tempo cega e nos dá uma nova visão.
A imagem que eu tenho do amor é a de um ser em mutação.
O amor quer ser interferido, quer ser violado,
Quer ser transformado a cada instante.

A vida do amor depende dessa interferência.
A morte do amor é quando, diante do seu labirinto,
Decidimos caminhar pela estrada reta.
Ele nos oferece seus oceanos de mares revoltos e profundos,
E nós preferimos o leito de um rio, com início, meio e fim.
Não, não podemos subestimar o amor e não podemos castrá-lo.

O amor não é orgânico.
Não é meu coração que sente o amor.
É a minha alma que o saboreia.
Não é no meu sangue que ele ferve.
O amor faz sua fogueira dionisíaca no meu espírito.
Sua força se mistura com a minha
E nossas pequenas fagulhas ecoam pelo céu
Como se fossem novas estrelas recém-nascidas.
O amor brilha.
Como uma aurora colorida e misteriosa,
Como um crepúsculo inundado de beleza e despedida,
O amor grita seu silêncio e nos dá sua música.
Nós dançamos sua felicidade em delírio
Porque somos o alimento preferido do amor,
Se estivermos também a devorá-lo.

O amor, eu não conheço.
E é exatamente por isso que o desejo e me jogo do seu abismo,
Me aventurando ao seu encontro.
A vida só existe quando o amor a navega.
Morrer de amor é a substância de que a vida é feita.
Ou melhor, só se vive no amor.
E a língua do amor é a língua que eu falo e escuto."




Paulinho Moska




      




segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

A HORA DA ESTRELA


Dez de dezembro de 1920. Nascia, na Ucrânia, Haia Pinkhasovna  Lispector, a nossa Clarice Lispector. Veio para o Brasil aos dois meses de idade e considerava-se brasileira: "Naquela terra eu literalmente nunca pisei: fui carregada de colo" .







Sou uma iniciada na literatura de Clarice, saboreio seus livros como ritual de passagem, com a escuta das entrelinhas que me acompanham quando fecho o livro. 

Hoje ela completaria 92 anos e sua obra é atemporal e definitiva.

Para comemorar seu aniversário um trechinho de um texto seu: