Que horas são?

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

                                                                   (tempo bom...)




Que as noites sejam travessias serenas para as manhãs de recomeços...porque o Tempo passa, escorre, flui.   Sem pausas. Tic...tac...tic...tac...




"Todos os dias quando acordo

Não tenho mais

O tempo que passou

Mas tenho muito tempo

Temos todo o tempo do mundo..




Todos os dias

Antes de dormir

Lembro e esqueço

Como foi o dia

Sempre em frente

Não temos tempo a perder.(...)"




(trecho da música TEMPO PERDIDO, Legião Urbana)



domingo, 9 de dezembro de 2012





Sou tão desapegada dos cuidados de beleza que não uso quase nada de maquiagem. Por pura indisciplina!  Ontem fui ao salão e a Juliana, que me atendeu, fez uma maquiagem levinha e gostei do resultado. Minhas amigas vivem falando que um rímel faz a diferença, que um batom dá uma cor, que é bom realçar os olhos e todas estas coisas. Nunca lembro, quando me dou conta já saí, ao natural, no máximo com um batom nude e perfume, este sim, fundamental, pra mim.

Ana Lúcia, minha amiga querida, aprovou a ideia e o resultado e postou lá no meu perfil do Facebook, trecho de uma crônica do Xico Sá - um homem que compreende a alma feminina:



"(...)E o momento da maquiagem, Marina, morena? Passo mal ao espiar ao longe. Sim, nada de acreditar nessa historinha de “você já é bonita com o que Deus lhe deu!”

Dorival Caymmi, saravá meu pai!, é uma beleza de homem, mas pinte esse rosto que eu gosto e que é só seu. Com todos aqueles lápis que lhe fazem uma criança brincando de colorir o desejo.(...)"

clique aqui para ler a crônica



Adorei o presentinho da Ana, pelas palavras do Xico. Fiquei inspirada e pensando que nunca é tarde para mudar os hábitos. Vou começar colorindo a Vida.



Blog da Juliana Bassani   (que também me deixou inspirada e é uma querida!)



                                



"...Que minha solidão me sirva de companhia.

que eu tenha a coragem de me enfrentar.

que eu saiba ficar com o nada

e mesmo assim me sentir

como se estivesse plena de tudo."



Clarice Lispector 



sábado, 8 de dezembro de 2012

MÃE, por Valter Hugo Mãe...

                          
                                     


                                     






Sempre desejei ser a mãe que soubesse honrar o céu que transporta dentro de si. A maternidade se  faz todos os dias, em aprendizado, por ensaio e erro, por amor e entrega. Desenho o céu que quis ser para o meu filho. Imenso céu  povoado de estrelas. Uma estrela  especial, generosa e brilhante ilumina meu caminho e aquece meu coração.  Acho que posso dizer, então: sou a mãe que transporta o céu dentro  de si.



“…as mães são como lugares de onde deus chega. lugares onde deus está e a partir dos quais pode chegar até nós. porque só através delas nos encontramos aqui. e, por isso, não há mãe alguma que não mereça o céu, porque em bem verdade, as mães transportam o céu dentro delas, e multiplicam-no a custo, como um ofício,(…)”





(Valter Hugo Mãe, que escreve o texto sempre em letras minúsculas e por isto a palavra Deus está escrita desta forma. Fidelidade ao texto.)



terça-feira, 4 de dezembro de 2012

MONOTONIA




                                                       (registrei a poesia...)





"É segundo por segundo
Que vai o tempo medindo
Monotonia

Todas as coisas do mundo
Num só tic-tac, em suma,

Há tanta monotonia
Que até a felicidade,
Ah! Como goteira num balde,
Cansa, aborrece, enfastia...
E a própria dor - quem diria?
A própria dor acostuma.
E vão se revezando, assim,
Dia e noite, sol e bruma...
E isto afinal não cansa?
Já não há gosto e desgosto
Quando é prevista a mudança.
Ai que vida!
Ainda bem que tudo acaba...
Ai que vida tão comprida...
Se não houvesse a morte, Maria,
Eu me matava."


Mario Quintana, in 'Preparativos de Viagem'



                                              (uma beira do céu mineiro...)
                                                         



..."Beiras do Chico
Beiras sem fim
Beiras de Minas
Beiras de mim..."


(Carlos Brandão)





“O meu fim evidente era atar as duas pontas da vida, e restaurar na velhice a adolescência. Pois, senhor, não consegui recompor o que foi nem o que fui. Em tudo, se o rosto é igual, a fisionomia é diferente. Se só me faltassem os outros, vá; um homem consola-se mais ou menos das pessoas que perde; mas falto eu mesmo, e esta lacuna é tudo. O que aqui está , mal comparando, semelhante à pintura que se põe na barba e nos cabelos, e que apenas conserva o hábito externo, como se diz nas autópsias; o interno não aguenta tinta.”


Machado de Assis, Dom Casmurro.




segunda-feira, 3 de dezembro de 2012





CARTA  DE  AMOR


"Eu sabia que seria apenas depois de te teres ido embora que iria perceber a completa extensão da minha felicidade e, alas! o grau da minha perda também. Ainda não a consegui ultrapassar, e se não tivesse à minha frente aquela caixinha pequena com a tua doce fotografia, pensaria que tudo não teria passado de um sonho do qual não quereria acordar. Contudo os meus amigos dizem que é verdade, e eu próprio consigo-me lembrar de detalhes ainda mais charmosos, ainda mais misteriosamente encantadores do que qualquer fantasia sonhadora poderia criar. Tem que ser verdade. Martha é minha, a rapariga doce da qual todos falam com admiração, que apesar de toda a minha resistência cativou o meu coração logo no primeiro encontro, a rapariga que eu receava cortejar e que veio para mim com elevada confiança, que fortaleceu a minha confiança em mim próprio e me deu esperanças e energia para trabalhar, na altura que eu mais precisava. 

Quando tu voltares, querida rapariga, já terei vencido a timidez e estranheza que até agora me inibiu perante a tua presença. Iremos sentar-nos de novo sozinhos naquele pequeno quarto agradável, vais-te sentar naquela poltrona castanha , eu estarei a teus pés no banquinho redondo, e falaremos do tempo em que não existirá diferença entre noite e dia, onde não existirão intrusos nem despedidas, nem preocupações que nos separem. 

A tua amorosa fotografia. No início, quando eu tinha o original à minha frente não pensei nada sobre a mesma; mas agora, quanto mais olho para ela mais esta se assemelha ao objecto amado; espero que o rosto pálido se transforme na cor das nossas rosas, e que os braços delicados se desprendam da superfície e prendam a minha mão; mas a imagem preciosa não se move, parece apenas dizer: «Paciência! Paciência” Eu sou apenas um símbolo, uma sombra no papel; a tua amada irá voltar, e depois podes negligenciar-me de novo». 

Eu gostaria imenso de colocar esta fotografia entre os deuses da minha casa que pairam acima da minha secretária, mas embora eu possa mostrar os rostos severos dos homens que reverencio, quero esconder a face delicada da minha amada só para mim. Vai continuar na tua pequena caixinha e eu não me atrevo a confessar a quantidade de vezes, nestas últimas vinte e quatro horas, que tranquei a minha porta para poder tirar a fotografia da caixa e refrescar a minha memória."



Carta de Sigmund Freud a Martha Bernays, 19 de Junho 1882 (excerto)