Que horas são?

segunda-feira, 19 de novembro de 2012





" - Como não me sinto completo comigo apenas, penso que tudo o que não sou eu me poderá completar, e portanto quero-o para mim, e roubo-o ao mundo."


 "O que é um silêncio inteiro?"
"Tempo como matéria de estudo 


1. Quando se é feliz com algo, esse algo deixa de ser exterior e passa a fazer parte de nós.

2. Quande se é feliz com o tempo, o tempo fica com o tamanho do nosso corpo.
...

3. A angústia existe quando o tempo é exterior

4. É preciso conhecer o tempo...

5. ...para que o tempo nos conheça"





Para ler ouvindo o melhor do Jazz...




domingo, 18 de novembro de 2012




Por que a música atravessa a alma, transporta sentimentos e muda a sintonia do coração...




"Em todas as ruas te encontro
Em todas as ruas te perco
conheço tão bem o teu corpo
sonhei tanto a tua figura
que é de olhos fechados que eu ando
a limitar a tua altura
e bebo a água e sorvo o ar
que te atravessou a cintura
tanto, tão perto, tão real
que o meu corpo se transfigura
e toca o seu próprio elemento
num corpo que já não é seu
num rio que desapareceu
onde um braço teu me procura

Em todas as ruas te encontro
Em todas as ruas te perco..."

Mário Cesariny







sábado, 17 de novembro de 2012

BASTA UM DIA

                                        (com os olhos no céu...)



"Pra mim

Basta um dia

Não mais que um dia

Um meio dia

Me dá

Só um dia

E eu faço desatar

A minha fantasia

Só um

Belo dia

Pois se jura, se esconjura

Se ama e se tortura

Se tritura, se atura e se cura

A dor

Na orgia

Da luz do dia

É só

O que eu pedia

Um dia pra aplacar

Minha agonia

Toda a sangria

Todo o veneno

De um pequeno dia




Só um

Santo dia

Pois se beija, se maltrata

Se como e se mata

Se arremata, se acata e se trata

A dor

Na orgia

Da luz do dia

É só

O que eu pedia, viu

Um dia pra aplacar

Minha agonia

Toda a sangria

Todo o veneno

De um pequeno dia"


Chico Buarque - 1975





Gonçalo M. Tavares - Uma descoberta apaixonante...







«'Jerusalém' é um grande livro, que pertence à grande literatura ocidental. Gonçalo M. Tavares não tem o direito de escrever tão bem apenas aos 35 anos: dá vontade de lhe bater!»
José Saramago, em discurso na entrega do prêmio atribuído ao romance, JERUSALÉM.

Gonçalo M. Tavares, escritor português, nasceu em 1970. Premiadíssimo, tem sua obra traduzida em vários idiomas. Um jovem autor que nos apresenta uma literatura viva, intensa e poética. E preciso observar: é um homem lindo!








O AMOR


"
Se chovesse (sempre) trezentos e sessenta e cinco dias por ano,
e as nuvens no céu se repetissem na cor,
na forma, na velocidade, e na lentidão;
e se o sol permanecesse robusto e alto, constante
como o último andar de um edifício (bem construído),
de calor assim assim mas repetindo assim assim
de calor da véspera;
se o mau e o bom tempo fossem uma linha única,
paralela aos dias; se o verão e o inverno
em vez de dois fossem um,
como uma pedra é um, e uma árvore é um,
se, enfim, quem amas permanecesse amado por ti,
hoje exactamente como ontem,
e daqui a trinta anos exactamente como hoje;
então não existiria o tempo,
e os relógios de pulso seriam pulseiras ruidosas,
mecânicas de mais para estarem tão próximas da mão
capaz de tocar com leveza.
E se não há tempo
.........................não podemos trair."


Gonçalo M. Tavares
em "1"






Ouvi Anna, casada há mais de trinta anos com o cantor Lenine, dizer um trecho da música BEATRIZ para falar dos cuidados que pede um relacionamento.
Cuidar é um verbo para ser conjugado a dois. Eu te cuido. Tu me cuidas. Nós nos amamos. Assim deve(ria) ser. Amor é carpintaria, construção, mão que segura, colo que recebe, palavra que conforta. Seta e alvo. Claro e escuro. Delicadeza e força. Semente e flor.
Eu te cuido. Tu me cuidas. Só por hoje e sempre por um triz.
  
Para lembrar a cada dia: "para sempre é sempre por um triz..." 



"(...)Me ensina a não andar com os pés no chão
Para sempre é sempre por um triz
Aí, diz quantos desastres tem na minha mão
Diz se é perigoso a gente ser feliz..."


Beatriz
Edu Lobo - Chico Buarque/1982











Música para cantar junto...




"É muito tempo a desejar o tempo
De mudar ventos, levantar marés
É muita vida a desejar o alento
Que faz saber ao certo quem és

É funda a toca onde te escondes tanto
Tem a distância entre o silêncio e a voz
A vida rasga bocadinhos gastos do mundo
Vai descascando até chegar a nós

A tu que sabes tanto de mim
Tu que sentes quem eu sou
Dá-me o teu corpo como ponte que me salva
Do que o medo fechou

São muitos dias a perder em vão
Sem nunca entrar dentro do labirinto
É muita vida a não ser o que tu sentes
A planar sobre o que eu sinto

É quase noite, não te escondas mais
Vai desatando até entrar o ar
Dá-me um gesto que me diga o teu fundo
Uma palavra para te tocar

Tu que sabes tanto de mim
Tu que sentes quem eu sou
Dá-me o teu corpo como ponte que me salve
Do que o medo fechou

Tu que sabes tanto do sol
És uma espécie de outra margem de mim
Olha-me dentro como chão que me agarre

Pode ser esta noite quente
A estrada aberta mesmo à nossa frente
E tu e eu a descobrir o ar
Não é preciso correr
Não é urgente chegar
O que é preciso é viver

Não é urgente chegar.
O que é preciso é viver"


Mafalda Veiga





Mia Couto esteve em Porto Alegre, e no dia 11 de novembro falou na Feira do livro. Fiz alguns registros em vídeo (da forma mais amadora possível!). Foi uma conversa interessante com os mediadores, Jane Tutikian, Donaldo Schüler, Ruy Carlos Ostermann (ex-patronos da Feira do Livro) e Bia Correa do Lago, escritora e jornalista. 


Mia vai de um assunto a outro com sensibilidade e franqueza. Passeia pelos temas.
É muito fácil encantar-se com ele.




Neste trecho da conversa ele fala sobre o futebol e sua analogia com a vida e a literatura...






Perguntado sobre as influências na sua literatura citou três nomes, e começa falando sobre "O Livro do Desassossego", de Fernando Pessoa, que elegeu como livro de cabeceira...






Um momento inesquecível e cheio de aprendizados. Uma literatura para mudar sentimentos, transformar caminhos ou, simplesmente, encantar.





sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Anna e Eu

                                 Lenine


"Andei pra chegar tão longe
Daqui de longe eu olhei pra trás
E foi como ver distante
Eu atravessando os meus temporais
Ouvi Anna me chamando
Disse se eu não fosse eu não ia mais
Eu vi o que a gente fez pra chegar aqui
E o que a gente faz
Eu e Anna
Anna e eu
Sonhei muito diferente
Eu bati de frente, corri atrás
E foi como se eu soubesse
Inverter o tempo e arriscar bem mais
Eu vi que era o meu destino
Eu me vi menino
Em outros que fiz, andei pra chegar mais longe
E de lá de longe me ver feliz
Andei pra valer a pena
Olhei pra trás pro que é meu
Nosso passado me acena pelo que foi já valeu."