Que horas são?

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

                                  (vi uma figura feminina nesta árvore...)


Eis-me



"Tendo-me despido de todos os meus mantos
Tendo-me separado de adivinhos mágicos e deuses
Para ficar sozinha ante o silêncio
Ante o silêncio e o esplendor da tua face

Mas tu és de todos os ausentes o ausente
Nem o teu ombro me apoia nem a tua mão me toca
O meu coração desce as escadas do tempo em que não moras
E o teu encontro
São planícies e planícies de silêncio

Escura é a noite
Escura e transparente
Mas o teu rosto está para além do tempo opaco
E eu não habito os jardins do teu silêncio
Porque tu és de todos os ausentes o ausente."


Sophia de Mello Breyner Andresen



terça-feira, 13 de novembro de 2012

MIA COUTO

    Luiz Coronel, escritor e patrono da Feira do Livro/2012/POA e
    Mia Couto, escritor moçambicano.
      

Por que ouvir Mia Couto em um dia de domingo, fez paraíso dentro de mim.



“O paraíso não é um lugar, é um breve momento que conquistamos dentro de nós.”


Mia Couto, in "O Pensamento Frequente",p.23



domingo, 11 de novembro de 2012

"e se abraçar com força descomunal
até que os braços queiram arrebentar..."






TROVOA


"Minha cabeça trovoa
sob meu peito te trovo
e me ajoelho
destino canções pros teus olhos vermelhos
flores vermelhas, vênus, bônus
tudo o que me for possível
ou menos
(mais ou menos)
me entrego, ofereço
reverencio a tua beleza
física também
mas não só
não só

graças a Deus você existe
acho que eu teria um troço
se você dissesse que não tem negócio
te ergo com as mãos
sorrio mal
mal sorrio
meus olhos fechados te acossam
fora de órbita
descabelada
diva
súbita…
súbita…

seja meiga, seja objetiva
seja faca na manteiga
pressinto como você chega
ligeira
vasculhando a minha tralha
bagunçando a minha cabeça
metralhando na quinquilharia
que carrego comigo
(clipes, grampos, tônicos):
toda a dureza incrível do meu coração
feita em pedaços…

minha cabeça trovoa
sob teu peito eu encontro
a calmaria e o silêncio
no portão da tua casa no bairro
famílias assistem tevê
(eu não)
às 8 da noite
eu fumo um marlboro na rua como todo mundo e como você
eu sei
quer dizer
eu acho que sei…
eu acho que sei…

vou sossegado e assobio
e é porque eu confio
em teu carinho
mesmo que ele venha num tapa
e caminho a pé pelas ruas da Lapa
(logo cedo, vapor… acredita?)
a fuligem me ofusca
a friagem me cutuca
nascer do sol visto da Vila Ipojuca
o aço fino da navalha me faz a barba
o aço frio do metrô
o halo fino da tua presença

sozinha na padoca em Santa Cecília
no meio da tarde
soluça, quer dizer, relembra
batucando com as unhas coloridas
na borda de um copo de cerveja
resmunga quando vê
que ganha chicletes de troco

lembrando que um dia eu falei
"sabe, você tá tão chique
meio freak, anos 70
fique
fica comigo
se você for embora eu vou virar mendigo
eu não sirvo pra nada
não vou ser teu amigo
fique
fica comigo…"

minha cabeça trovoa
sob teu manto me entrego
ao desafio de te dar um beijo
entender o teu desejo
me atirar pros teus peitos
meu amor é imenso
maior do que penso
é denso
espessa nuvem de incenso de perfume intenso
e o simples ato de cheirar-te
me cheira a arte
me leva a Marte
a qualquer parte
a parte que ativa a química
química…

ignora a mímica
e a educação física
só se abastece de mágica
explode uma garrafa térmica
por sobre as mesas de fórmica
de um salão de cerâmica
onde soem os cânticos
convicção monogâmica
deslocamento atômico
para um instante único
em que o poema mais lírico
se mostre a coisa mais lógica

e se abraçar com força descomunal
até que os braços queiram arrebentar
toda a defesa que hoje possa existir
e por acaso queira nos afastar
esse momento tão pequeno e gentil
e a beleza que ele pode abrigar
querida nunca mais se deixe esquecer
onde nasce e mora todo o amor"


Maurício Pereira

sábado, 10 de novembro de 2012

NA PRIMEIRA MANHÃ...





"Na primeira manhã que te perdi 
Acordei mais cansada que sozinha
Como um conde falando aos passarinhos 
Como uma bumba-meu-boi sem capitão 
E gemi como geme o arvoredo 
Como a brisa descendo das colinas 
Como quem perde o prumo e desatina 
Como um boi no meio da multidão

Na segunda manhã que te perdi 
Era tarde demais pra ser sozinha
Cruzei ruas, estradas e caminhos 
Como um carro correndo em contramão 
Pelo canto da boca num sussurro 
Fiz um canto demente, absurdo 
O lamento noturno dos viúvos 
Como um gato gemendo no porão 
Solidão."


Alceu Valença








sexta-feira, 9 de novembro de 2012

ALQUIMIAS


                   (a Lua que vejo...)


Transmutação : Haloween e o signo de Escorpião



Amanda Costa


"O que é esse tal de Haloween? Por que é chamado de Dia das Bruxas? O Haloween é uma celebração dos países do hemisfério norte, cuja origem está no povo celta e seus rituais de Ano Novo. Os celtas adoravam a natureza e o Sol, considerado o maior de todos os deuses. Para este povo que dependia das forças da natureza e cuja forma principal de subsistência era pastoril, a divisão do ano era vinculada às estações do verão - quando levavam seus rebanhos para pastar - e do inverno - em que os rebanhos eram levados para os currais. No seu calendário, o início dessas estações correspondia, respectivamente, ao dia 1º de maio, chamado de Beltane e ao dia 1º de novembro, denominado Samhain. A mais importante era a data do Samhain, pois assinalava o início do ano, quando terminava a estação do Sol e iniciava a estação do frio e da escuridão. Posteriormente, passou a ser chamado de Haloween pelos povos de língua inglesa.

O Festival de Samhain/Haloween acontecia na noite de 31 de outubro para 1º de novembro, na qual se acendiam fogueiras imensas para anunciar a chegada do inverno e servir como calor e proteção contra os maus espíritos. Segundo Sir James George Frazer, no livro O ramo de ouro, nessa noite “as almas dos mortos revisitavam seus velhos lares para se aquecerem junto ao fogo e se reconfortarem com as homenagens (...) prestadas por seus parentes. (...) Não eram apenas as almas dos mortos que deviam pairar invisíveis (...), as bruxas esmeravam-se em seus atos malignos, algumas cruzando os ares com suas vassouras, outras galopando pelas estradas montadas em gatos que, naquela noite, se transformavam em cavalos negros como o carvão. Também as fadas andavam à solta, e duendes de todos os tipos vagavam livremente".

Com as invasões dos romanos, seus costumes se mesclaram aos já existentes. A festa romana de Pomona, deusa da abundância, das frutas e vegetais, por exemplo, também ocorria na mesma época, em 1º de Novembro. O elemento simbólico principal dessa deusa era a maçã. Depois, devido à disseminação da religião cristã por toda a Europa, essa data passou a ser chamada de Todos os Santos e era comemorada com fogueiras e desfiles com pessoas fantasiadas de mortos, anjos e demônios. Com o tempo, a data foi movida para 2 de novembro e denominada Dia de todas as Almas, honrando os mortos, conhecida hoje como Dia de Finados.

O Haloween celebrado na atualidade reúne todas essas festas e seus elementos simbólicos: fogos e fogueiras, fantasias de bruxas, mortos, caveiras, esqueletos, diabos, gatos, fadas, duendes, maçãs, doces. Em alguns lugares, é costume as crianças se fantasiarem e andarem em bandos batendo à porta das casas, dizendo a frase “travessuras ou gostosuras?”, ao que lhe devem ser oferecidas gostosuras, senão entram na casa aprontando e fazendo travessuras. 

E com Astrologia, o que tem a ver? Todo esse imaginário é relacionado com o signo de Escorpião, por onde o Sol transita agora e que representa, no ciclo evolutivo, a morte, não como conclusão, mas como passagem para outro estado, numa outra qualidade de vida. Este signo de Água encerra o simbolismo dos processos de fermentação, de morte e regeneração cíclica, sob a dialética da destruição e da criação, de danação e redenção, do bem e do mal, do céu e do inferno. Na natureza, representa o momento de queda e decomposição das folhas (hemisfério norte). São associadas a esse signo as imagens de três animais: o escorpião, a serpente e a fênix, uma ave mitológica. A regência planetária de Escorpião está sob Plutão, o senhor do mundo subterrâneo e das profundidades inferiores.

Escorpião e Plutão se relacionam às situações limites, onde se exige um esforço extraordinário de autossuperação. Dessa maneira, mais forte e mais poderoso, o escorpião se ultrapassa, liberta-se de sua condição rastejante e se eleva, transmutando-se em ave, em águia, em fênix. A fênix sabe o momento de sua morte: quando essa hora é chegada, constrói um leito de folhas secas no pico mais alto de sua região e ali se deita, esperando que o sol queime lentamente as folhas. Após se consumir nas chamas, a fênix renasce das cinzas. Na ressurreição, a imortalidade da alma.


Boa alquimia para todos nós!"


              

              Nasci no dia primeiro de novembro.
              Escorpião por natureza.
              Fênix quando a Vida pede.
              Serpente em meus mistérios.
              Das alquimias da minha alma,
              (res) surjo aprendiz e apr(e)endida.
              Das bússolas do caminho,
              Amanda Costa traçou meu mapa, 
              apontou estrelas que me iluminam.
              E vivo. E vivo...

             

terça-feira, 6 de novembro de 2012






Duas belezas que ensinam: a imensidão do mar e o infinito do horizonte. 

Duas certezas:  a finitude da Vida e a passagem do Tempo.

Dois aprendizados: guardar a essência das coisas e amar sem medo.


Duas conquistas: reconhecer meus abismos e encarar meus desassossegos.

Dois medos: de não dar conta da Vida e da Vida que não me dá conta de nada.

Dois passos: o que dei em direção ao amor e o primeiro do dia que amanhece.

Duas palavras: delicadeza e encanto.





segunda-feira, 5 de novembro de 2012

                 (delicadeza...)




"Tempo é um tecido invisível em que se pode bordar tudo, uma flor, um pássaro, uma dama, um castelo, um túmulo. Também se pode bordar nada. Nada em cima de invisível é a mais sutil obra deste mundo, e acaso do outro."



 (Machado de Assis)


ANAFLOR


                                             (rosa mineira...)







ANIVERSÁRIO




"A flor que és,
não a que possa comprar,
te venho oferecer.


Porque não tem preço
o que te ofereço.

E se me debruço a colher a pétala,
a terra inteira em teus dedos se desfolha.

E se a mais pura flor para ti desenho
a inteira pétala no nada se despenha.
Porque és a sombra do sonho em que anoiteço.

Morrer é ter terra finita.
E eu tenho a febre da inatingível margem.
Por isso encho de mar o teu olhar."







MIA COUTO