Que horas são?

domingo, 23 de setembro de 2012


Versos de circunstância, de Carlos Drummond de Andrade. 



(É só clicar e ler)



(os lírios da minha amiga Suzi...)




"Resta ainda tudo,
só nós não podemos ser

Talvez o amor,
neste tempo,
seja ainda cedo."



"Poema de despedida",
In "Raiz de orvalho e outros poemas"



sábado, 22 de setembro de 2012


                (Nas trilhas de Minas...)



"O QUE DÓI OUVIR DE UM AMIGO
(não queria que fosse verdade)

— O que me arrebenta é que ela não disse "Eu não te amo mais". Saiu me amando. Saber que o outro se separou e ainda te ama é uma esperança insuportável. Uma tortura. Acho que ela se dará conta de sua mancada a qualquer hora. Mas "acho" dentro do total ceticismo, não a vejo vindo ao encontro, não teve sequer coragem de conversar.

— Ela falou em ato que não te ama mais. O abandono é isso. É a pior maneira de dizer, a mais baixa, a mais fraca. Mas foi como ela conseguiu dizer. Deixar o outro na mão, não se importar com o sofrimento do outro, não acalmar a dor do outro, é tortamente dizer tudo."

Fabrício Carpinejar


segunda-feira, 17 de setembro de 2012

                                               (das infinitudes...)



Vez ou outra sou deserto, em outras, horizonte; em todas, sou inteira. Tropeço em sonhos, descubro atalhos, refaço rotas. Vou às margens, trago flores, mapas e aprendizados. E traço linhas, simétricas e ilusórias linhas. Em vão! A Vida é passo incerto, trilha que surpreende. A Vida é um susto!



 

domingo, 16 de setembro de 2012

C L A R I C E...


"É determinismo, sim. Mas seguindo o próprio determinismo é que se é livre. Prisão seria seguir um destino que não fosse o próprio. Há uma grande liberdade em se ter um destino. Este é o nosso livre-arbítrio."


LISPECTOR, Clarice. A descoberta do mundo. Rio de Janeiro: Rocco, 1999, p.140.

sábado, 15 de setembro de 2012

                                (Belo Horizonte)




“Entre as muitas maneiras de se combater o nada, uma das melhores é tirar fotografias, atividade que deveria ser ensinada desde muito cedo às crianças, pois exige disciplina, educação estética, bom olho e dedos seguros (...) quando se anda com a câmara tem-se o dever de estar atento, de não perder este brusco e delicioso rebote de um raio de sol numa velha pedra, ou a carreira, tranças ao vento, de uma menininha que volta com um pão ou uma garrafa de leite.”


CORTÁZAR, Julio. As babas do diabo.___As armas secretas. Trad. Eric Nepomuceno. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2010, p.72.



        (a manhã ficou melhor diante dela...)





"(...) É certo que a infelicidade não depende apenas da dor, mas a alegria, essa, só devia depender da ausência de dor física. Vinte séculos inteiros e completos não inventaram uma explicação do sofrimento; sofre-se em comparação com o que é não sofrer, e nenhum homem saudável quer ser educado previamente para aquilo que é mau. Já não se treina a resistência à dor: evita-se, sim, a mistura com essa 'coisa' repelente. (...)"


Gonçalo M. Tavares, in "A Máquina de Joseph Walser"


                                                       (o céu que eu vejo...)



ADOLESCENTE




"A juventude tem mil ocupações.
Estudamos gramática até ficar zonzos,
A mim
Me expulsaram do quinto ano
E fui entupir os cárceres de Moscou.
Em nosso pequeno mundo caseiro
Brotam pelos divãs
Poetas de melenas fartas.
Que esperar desses líricos bichanos?
Eu, no entanto,
Aprendi a amar no cárcere.
Que vale comparado com isto
A tristeza do bosque de Boulogne?
Que valem comparados com isto
Suspiros ante a paisagem do mar?
Eu, pois,
Me enamorei da janelinha da cela 103
Da "oficina de pompas funebres".
Há gente que vê o sol todos os dias
E se enche de presunção.
"Não valem muito esses raiozinhos"
dizem.
Eu, então,
Por um raiozinho de sol amarelo
Dançando em minha parede
Teria dado todo o mundo."



Vladmir Maiakowski(1893-1930)