Que horas são?

domingo, 29 de julho de 2012



    (água que corre ao lado da casa da minha mãe...)




TUDO PASSA! Dores e alegrias alternam-se pelos dias. Rotas planas, íngrimes caminhos, tudo passa, tudo se transforma. Alquímicos, saberemos (re)criar nossa essência para, com novas bagagens, seguir a mais interessante das viagens: a Vida!
A dor ensina e seleciona.  Amálgama de um aprendizado que não deve ser esquecido quando as alegrias nos visitarem.





A   GRANDE   DOR   DAS   COUSAS QUE   PASSARAM




"Erros meus, má fortuna, amor ardente
Em minha perdição se conjuraram;
Os erros e a fortuna sobejaram,
Que para mim bastava amor somente.

Tudo passei; mas tenho tão presente
A grande dor das cousas que passaram,
Que as magoadas iras me ensinaram
A não querer já nunca ser contente.

Errei todo o discurso dos meus anos;
Dei causa a que a fortuna castigasse
As minhas mais fundadas esperanças.

De amor não vi se não breves enganos.
Oh! quem tanto pudesse, que fartasse
Este meu duro Gênio de vinganças!"





CAMÕES


                                     (um café, muitas palavras, todas as certezas...)





silêncio
 
si.lên.cio    sm (lat silentiu) 

"1 Ausência completa de ruídos; calada.  2 Estado de quem se cala ou se abstém de falar; recusa de falar.  3 Abstenção voluntária de falar, de pronunciar qualquer palavra ou som, de escrever, de manifestar os seus pensamentos. 4 Taciturnidade.  5 Discrição. 6 Interrupção de um ruído qualquer.
7 Abstenção de publicar qualquer notícia ou fato, de comentar o que é geralmente sabido. 8 Descanso; estado calmo; estado de paz, de inação. 9 Interrupção de correspondência epistolar. 10 Mistério, segredo. 11 Ausência de menção; omissão em uma relação verbal.12 Suspensão que faz no discurso o orador ou a pessoa que fala.(...)"



Michaelis -  Moderno Dicionário da Língua Portuguesa


 
                                    (eu era míope até pouco tempo, hoje minha visão é menos distorcida...)



Ler os escritos do Padre Antônio Vieira é mergulhar no mar das inquietações. É uma leitura que nos acompanha, fazendo-nos (re)pensar temas que pensávamos claros.
O que nos faz cegos diante da Vida? Quem nos cega? Por que nos cega? Vemos apenas o que queremos ver ou nos permitimos enxergar além? E vendo com clareza, admitimos os fatos ou cerramos os olhos?  A cegueira é um caminho estreito ou nos conduz a uma felicidade inventada?
Não tenho as respostas certas, ao contrário, coleciono dúvidas. Só uma certeza me habita: quero ter a coragem de abrir os olhos diante da realidade, ainda que ela não seja tão iluminada. Viver bem é viver na luz.


CEGUEIRA DE OLHOS ABERTOS


"A cegueira que cega cerrando os olhos, não é a maior cegueira; a que cega deixando os olhos abertos, essa é a mais cega de todas: e tal era a dos Escribas e Fariseus. Homens com os olhos abertos e cegos. Com olhos abertos, porque, como letrados, liam as Escrituras e entendiam os Profetas; e cegos, porque vendo cumpridas as profecias, não viam nem conheciam o profetizado.

(...) Esta mesma cegueira de olhos abertos divide-se em três espécies de cegueira ou, falando medicamente, em cegueira da primeira, da segunda, e da terceira espécie. A primeira é de cegos, que vêem e não vêem juntamente; a segunda de cegos que vêem uma coisa por outra; a terceira de cegos que vendo o demais, só a sua cegueira não vêem."




 Padre António Vieira, in "Sermões"




sábado, 28 de julho de 2012

Vitor Ramil compôs esta música que é uma poesia que sempre me comoveu. Então, esta semana comprei um cd do Milton Nascimento e ouvi  ESTRELA, ESTRELA  com o coração apertado de quem é tocado pela força da música. E na voz da Maria Rita é de uma beleza sem fim. Para ouvir com a alma conectada...









ESTRELA, ESTRELA

Vitor Ramil

"Estrela, estrela
Como ser assim
Tão só, tão só
E nunca sofrer



Brilhar, brilhar
Quase sem querer
Deixar, deixar
Ser o que se é



No corpo nu
Da constelação
Estás, estás
Sobre uma das mãos



E vais e vens
Como um lampião
Ao vento frio
De um lugar qualquer



É bom saber
Que és parte de mim
Assim como és
Parte das manhãs



Melhor, melhor
É poder gozar
Da paz, da paz
Que trazes aqui



Eu canto, eu canto
Por poder te ver
No céu, no céu
Como um balão



Eu canto e sei
Que também me vês
Aqui, aqui
Com essa canção"







                                           (comer, amar e rezar)






"(...)Felicidade não se planeja, felicidade se descobre.

Ingenuidade congelar lista de intenções como se a vida não nos transformasse dia a dia.

O que vale alcançar objetivos como uma maratona turística? Para quê?

Nosso legado é o que falamos aos outros, não o que aparentamos ser. Todos os desejos terminam, no fundo, iguais porque não temos a coragem da simplicidade.(...)





Trecho da crônica "Cinco coisas que preciso fazer antes dos 40 anos", escrita pelo  FABRÍCIO CARPINEJAR. Jornal Zero Hora, 28 de julho de 2012.



A MELANCOLIA DA AUSÊNCIA

                                 (jardins da PUC/ RS)


 



FÍMBRIA  DE  MELANCOLIA



"Fímbria de melancolia,
memória incerta da dor,
ouço-a no gravador,
no fado que não se ouvia
quando ouvia o seu clamor.

Porque era já no passado
o presente dessa hora
e que me ressoa agora
a um outro mais alongado.

Assim a dor que se sente
no outro obscuro de nós
nunca fala a nossa voz
mas de quem de nós ausente,
só a nós próprios consente
quando não estamos nós
mas mais sós do que ao estar sós.

Onde então estamos nós?
"

 

Vergílio Ferreira, in 'Conta-Corrente 1




sexta-feira, 27 de julho de 2012

                                   (da janela lateral...)




"(...)a poesia nasce do "fervor pensante da recordação(...)"




Martin Heidegger






SAUDADE

                                                       (delicadeza)

 



"(...)O que é a lágrima?


guerra perdida pelo corpo.(...)"



ADONIS, poeta árabe