Que horas são?

quarta-feira, 18 de julho de 2012



Exemplo que comove e inspira, faz jus ao Divino que há dentro de nós. Uma forma de testemunhar a fé que nos move. A FÉ pede ação e coragem.
Há pessoas que sabem usar bem o seu tempo e nele evoluem espiritualmente e, há outras que gastam seu tempo promovendo o mal do outro, esquecendo-se que  tudo na Vida é ação e reação. Mas sempre é tempo de mudar.




domingo, 15 de julho de 2012





O que é a Vida senão um contínuo descerrar de véus que guardam a verdadeira essência de todas as coisas?

Viver em amadurecimento é permitir-se enxergar além dos filtros que as pessoas se revestem.  O que se revela, ao fim, pode causar sofrimento e dor ou  garantir uma vida inteira de felicidade. E para a Vida não há garantias. Viver é preciso.  Arriscar-se, também.






                       AMOROSIDADE





(imagem do blog My French Country Home)

                                       (fiz esta foto na casa do meu irmão, inverno passado)




Domingo de sol e muito, muito frio. A temperatura mínima de hoje foi  três graus. E a gripe me visita trazendo com ela os sintomas que me fazem prostrada, lenta, incomodada. Respirar é o ato mais difícil nestes dias e o corpo dói.

Esta é uma boa oportunidade para lembrar que cada movimento, cada função do nosso corpo, por irrelevante que possa parecer, é tão importante para a sensação de felicidade que buscamos vivenciar. Das felicidadezinhas que a vida nos proporciona, a ausência de doenças  é a mais valiosa de todas.
Nenhum passo é dado sem que o Divino permita. Nenhuma situação acontece sem que traga consigo algum aprendizado.
Recolhimento, sopa quentinha, vitamina C e paciência ajudam na recuperação. De todos, preciso aprender a cultivar a paciência. Sempre é tempo.


SEU  NOME

                          (jardins da PUC/RS, nov/2009)




Gosto da poesia do Fabrício Corsaletti. É intensa, visceral e viva. Este poema, em especial, traz todos os significados de um estado apaixonado.  Tem a força da entrega, do deslumbramento, da energia inexplicável do amor. Declara, escancara, expõe. Uma das maiores qualidades de quem ama é a coragem para vivenciar o amor em sua plenitude. E nomear seus sentimentos desprendendo-se dos laços que impedem a própria felicidade.

Amar é declarar.








SEU  NOME



"Se eu tivesse um bar ele teria seu nome; 
Se eu tivesse um barco ele teria seu nome, 
Se eu comprasse uma égua daria a ela seu nome; 
Minha cadela imaginária tem o seu nome;
Se eu enlouquecer passarei as tardes repetindo seu nome; 
Se eu morrer velhinho, no suspiro final balbuciarei o seu nome; 
Se for assassinado com a boca cheia de sangue gritarei o seu nome; 
Se encontrarem o meu corpo boiando no mar, no meu bolso haverá um bilhete com o seu nome;
Se eu me suicidar, ao puxar o gatilho pensarei no seu nome;
A primeira garota que beijei tinha o seu nome; 
Na sétima série eu tinha duas amigas com o seu nome; 
Antes de você tive três namoradas com o seu nome; 
Na rua há mulheres que parecem ter o seu nome;
Na locadora que freqüento tem uma moça com o seu nome; 
Às vezes as nuvens quase formam o seu nome; 
Olhando as estrelas eu sempre consigo desenhar o seu nome;
O ultimo verso do famoso poema de Eloá poderia muito bem ser o seu nome; 
Apolineris escreveu poemas à lua porque na loucura da guerra não conseguia lembrar o seu nome; 
Não entendo porque Chico Buarque não compôs uma musica para o seu nome; 
Se eu fosse um travesti usaria o seu nome; 
Se um dia eu mudar de sexo adotarei o seu nome; 
Minha mãe me contou que se eu tivesse nascido menina teria o seu nome; 
Se eu tiver uma filha ela terá o seu nome; 
Minha senha do emai-l já foi o seu nome; 
Minha senha do banco é uma variação do seu nome; 
Tenho pena dos seus filhos porque em geral dizem mãe ao invés do seu nome; 
Tenho pena dos seus pais porque em geral dizem filha ao invés do seu nome; 
Tenho muita pena dos seus ex-maridos porque associam o termo ex-mulher ao seu nome; 
Tenho inveja do oficial de registro que datilografou pela primeira vez o seu nome; 
Quando fico bêbado falo muito o seu nome; 
Quando estou sóbrio me controlo para não falar demais o seu nome;
É difícil falar de você sem mencionar o seu nome; 
Uma vez sonhei que tudo no mundo tinha o seu nome; 
Coelho tinha o seu nome, xícara tinha o seu nome, teleférico tinha o seu nome;
No índice aromático da minha biografia, haverá milhares de ocorrências do seu nome; 
Na falta de corda para onde olha o luthier se não para o infinito do seu nome; 
Algumas professoras da USP seriam menos amargas se tivessem o seu nome; 
Detesto o trabalho porque me impede de concentrar no seu nome; 
Cabala é uma palavra linda, mas não chega aos pés do seu nome; 
No cabo da minha bengala gravarei o seu nome; 
Não posso ser niilista enquanto existir o seu nome;
Não posso ser anarquista sem suplicar a declaração do seu nome; 
Não posso ser comunista se tiver que compartilhar o seu nome; 
Não posso ser fascista se não quero impor a outros o seu nome; 
Não posso ser capitalista se não desejo nada alem do seu nome;
Quando eu saí da casa dos meus pais fui atrás do seu nome; 
Morei três anos num bairro que tinha o seu nome;
Espero nunca deixar de te amar para não esquecer o seu nome; 
Espero que você nunca me deixe para eu não ser obrigado a esquecer o seu nome; 
Espero nunca te odiar para não ter que odiar o seu nome; 
Espero que você nunca me odeie para eu não ficar arrasado ao ouvir o seu nome;
A literatura não me interessa tanto quanto o seu nome; 
Quando a poesia é boa é como o seu nome;
Quando a poesia é ruim tem algo do seu nome; 
Estou cansado da vida, mas isso não tem nada a ver com o seu nome; 
Estou escrevendo o 58º verso sobre o seu nome; 
Talvez eu não seja um poeta a altura do seu nome; 
Por via das duvidas vou acabar o poema sem dizer explicitamente o seu nome."





sexta-feira, 13 de julho de 2012

         "Os olhos são a janela da alma."









PIEDRITAS   EN   LA   VENTANA




Mario Benedetti



"De vez en cuando la alegría
tira piedritas contra mi ventana
quiere avisarme que está ahí esperando
pero me siento calmo
casi diría ecuánime
voy a guardar la angustia en un escondite
y luego a tenderme cara al techo
que es una posición gallarda y cómoda
para filtrar noticias y creerlas


Quién sabe dónde quedan mis próximas huellas
ni cuándo mi historia va a ser computada
quién sabe qué consejos voy a inventar aún
y qué atajo hallaré para no seguirlos




Está bien no jugaré al desahucio
no tatuaré el recuerdo con olvidos
mucho queda por decir y callar
y también quedan uvas para llenar la boca


Está bien me doy por persuadido
que la alegría no tire más piedritas
abriré la ventana
abriré la ventana."






                (folhas de inverno em Porto Alegre...)





“As pessoas quebram. É quase como se Drummond fosse uma espécie de Buda e a poesia dele me ensinasse a iluminação pelo desapontamento. Lendo Drummond, descobri que as coisas têm que quebrar, e só quando elas quebram você consegue ver como são por dentro se tiver um bom – como ele diz – sentimento do mundo."


Carlito Azevedo, falando sobre Drummond, na FLIP 2012. Carlito é editor, crítico e poeta brasileiro.