"Deus envia os ventos, mas é o homem que deve içar as velas."
quarta-feira, 11 de julho de 2012
terça-feira, 10 de julho de 2012
"Mesmo quando tudo pede
Um pouco mais de calma
Até quando o corpo pede
Um pouco mais de alma
A vida não para..."
(Lenine)
(Lenine)
Por que há momentos na vida em que é preciso ter paciência para esperar que o TEMPO, implacável e sábio, reconfigure as situações. Este texto do David Coimbra faz lembrar do quanto somos imediatistas na dor, queremos que passe logo, que tudo volte ao normal, que algo ou alguém nos livre do sofrimento. E é necessário compreender que a vida ensina por duas vias: pelo amor e/ou pela dor e não há aprendizado sem experiência. Mas, às vezes, podemos ter a felicidade de receber o afeto das pessoas e tudo fica mais iluminado. Minha mãe é assim, sabe dar colo de uma maneira única e faz a dor parecer menor. E de paciência e coragem ela entende.
(um cantinho da casa da minha mãe)
POR QUE NÃO PASSA?
(texto do DAVID COIMBRA, publicado no jornal Zero Hora, em 10/07/2012)
"Meu filho era ainda pequeninho, devia ter uns dois anos, quando meteu um brinquedo na boca e se machucou.
Um desses ferimentos comuns de infância, mas foi algo bem dolorido.
Ele começou a chorar muito.
Peguei- o no colo, tentei consolá- lo, não adiantava.
Ele gritava: – Por que não passa? Por que não passa? Até hoje sinto uma fincada no peito ao lembrar.
O mundo perfeito seria o dos filmes, em que a dor passa de um momento para outro, com a administração de um único remédio.
Basta um unguento ou uma sopa ao pé da cama, ou uma frase inteligente que desvenda a verdade para quem se aflige e, pronto, o sofrimento se esvai, a pessoa sorri e tudo volta ao normal.
Mas a vida não é assim.
Tive de dizer para meu filho que, na vida, nenhuma dor passa de imediato, nenhuma dor desaparece numa única noite.
As coisas evoluem devagar e só se resolvem depois de várias noites, com paciência e coragem.
Paciência para não mexer ainda mais no ferimento.
E coragem para suportar a dor momentânea, que ela será, de fato, momentânea. [...]"
domingo, 8 de julho de 2012
sábado, 7 de julho de 2012
terça-feira, 3 de julho de 2012
Filosofia interessante mostrada no filme "Banquete do Amor" (2007)
O BANQUETE DO AMOR. Um filme interessantíssimo sobre o amor e suas (im)possibilidades, seus (des)encantos, as alegrias e tristezas que nos proporciona. Personagens com histórias tão diferentes, mas que enroladas pelos fios do amor, parecem tão iguais! Ao fim, é assim que acontece, todo amor é o primeiro e o último. Destituídos da razão, esquecemos as experiências já vividas que oferecem maturidade e clareza e saltamos do ponto mais alto da nossa sede de amar. Seremos sempre primários para amar. Uma benção que preserva a nossa crença na felicidade e no amor.
domingo, 1 de julho de 2012
("...aprender a poesia das incertezas.")
O DESAFIO DO VAZIO
"O século 21 pode ser definido como o século do vazio. Há um sentimento de vazio expresso nas perdas, nas angústias, no desamparo. Cada um busca preencher esse vazio como pode: uns criam, já outros correm atrás das drogas, dos alimentos e dos objetos que nunca satisfazem seus desejos. Encher seu vazio é uma obsessão nos dias de hoje. Sempre algo faz falta, como dizia uma amiga que perdera sua irmã, e por anos a fio repetia: “Que falta ela me faz”. A falta é o vazio, e sempre falta algo, pois somos incompletos e frágeis. Ora, se sempre foi assim, por que então o século 21 seria o século do vazio?
Os tempos são de desconstrução das verdades totalizantes. O século passado viu o fim da religião como todo-poderosa, bem como os sonhos de profundas transformações sociais, gerando uma nova sociedade. Há ainda um processo de luto pela perda das ilusões de um homem novo. A humanidade parece abatida diante de seus fracassos. Talvez haja descrença na realidade desse mundo que mudou de rosto. Há um desconcerto dos pensadores diante de um futuro em constante mutação. Daí o aumento do vazio, como se fosse tudo um pouco estranho. Há grandes transformações e conquistas na genética, na biotecnologia e nanotecnologia. São constantes as inovações nas ciências e nas técnicas de toda ordem. E, diante de tudo, boa parte da população se mantém desconcertada e meio anestesiada.
Esse é o século de incredulidade diante da desintegração da política, da economia desgovernada, numa velocidade alucinante. Estamos globalizados e fragmentados, à procura de um norte inexistente. É no meio dessa falta de rumos que as depressões crescem. Aliás, o deprimido é um guardião de seu próprio cemitério, “guarda aí sua ilusão perdida”, escreveu Pontalis. Tempos de ilusões perdidas, de perda de rumo diante da falta de caminhos para uns e de caminhos desconhecidos para outros. Nessa situação, é indispensável a poesia que propõe: criar é não se adaptar à vida como ela é. Importante é gerar uma rebelião que desafie o destino. É desse entusiasmo criativo que devemos nos alimentar para enfrentar o tédio.
Entretanto, impressionam os caminhos destrutivos, que vêm assolando mais os jovens. Estes sentem a dificuldade de encontrar espaços num mundo cada vez mais competitivo. A juventude vive a angustiante luta de inserção na economia. Muitos terminam dispondo só de seu corpo e de sua força física. Mesmo assim, há os que encontram seus rumos, ao se sentirem amparados em suas famílias. Indispensáveis também são os professores de raro talento, os humoristas que aliviam, e a arte. Essencial é a arte das parcerias, a contrapartida da exaltação do egoísmo. Logo, busquem-se caminhos para se reconciliar com a fragilidade da condição humana. Viver não só atrás dos objetos e das certezas, mas aprender a poesia das incertezas. Perceber, por exemplo, o entusiasmo com que a natureza se renova. E, assim, sonhar com novas forças para enfrentar o desafio do vazio."
ABRÃO SLAVUTZKY
psicanalista
Jornal ZEROHORA
30 de junho de 2012 | N° 17116
sábado, 30 de junho de 2012
Ao ler este artigo da Claudia Laitano no jornal Zero Hora deste sábado, fiquei pensando de que(m) sentiria falta se tivesse que deixar este mundo e vi que gosto demais da minha vida, tantas são as coisas que listei.
Do meu filho
De quem eu amo
Das pessoas amigas e queridas
Dos momentos mais plenos que vivi
Dos meus livros
De arroz-de-leite
De coca-cola
Da minha câmera fotográfica
Da minha mãe
Dos contornos de Minas
Das minhas avós
Dos encontrinhos com as minhas amigas
Das músicas do Pink Floyd
De ler poesia
Dos meus moleskines
Das conversas com meu filho
Das felicidadezinhas diárias
De viajar
De mousse de maracujá
Da comida mineira...
(continuarei a listar e posto por aqui)
MULHERES QUE SABEM RIR
"Nora Ephron não terá sido a primeira mulher a tirar proveito de um orgasmo fingido, mas provavelmente foi a primeira a ficar famosa por causa de um. A clássica cena do filme Harry & Sally – Feitos um para o Outro (1989), em que Meg Ryan prova para Billy Cristal que nem tudo que reluz é ouro, foi o passaporte para o reconhecimento mundial da escritora, roteirista e diretora americana – que morreu esta semana, aos 71 anos, de leucemia.
Para quem tem tanto pavor de comédias românticas quanto eu de debates sobre futebol, o nome de Nora Ephron costuma ser associado à excruciante experiência de assistir a tramas açucaradas estreladas pelos astros da vez de Hollywood – o que talvez não seja justo com sua longa e produtiva trajetória como humorista e ensaísta com raro senso de observação.
Mais do que a grande dama das comédias românticas, Ephron foi uma escritora capaz de rir de si mesma e dos outros – nem sempre nessa ordem. Em 1972, com um ensaio intitulado Algumas Palavras sobre os meus Seios, tornou-se conhecida nos Estados Unidos imaginando como teria sido sua vida, e sua personalidade, se tivesse nascido com uma comissão de frente mais exuberante (quem nunca...). Não era um texto cômico, no sentido pastelão do termo, mas um artigo que fazia rir e pensar desde uma outra perspectiva – a feminina – em uma época em que isso ainda não era tão comum.
Dez anos depois, com o romance Heartburn, em que narra o fim do casamento com Carl “Watergate” Bernstein, transformou outra pequena grande desgraça feminina – ser traída pelo marido, com a melhor amiga, quando estava grávida do segundo filho – em uma história divertida e emocionante, com a qual mulheres de várias gerações se identificaram.
Nora Ephron ajudou a abrir caminhos para escritoras e jornalistas mais jovens que, inspiradas por ela, exploraram uma nova forma de expressão do universo feminino: se as mulheres queriam dividir responsabilidades com os homens em casa e no trabalho não podiam levar-se tão a sério o tempo todo. Sim, o mundo (ambos os gêneros aqui incluídos) precisa de escritoras como Virginia Woolf e Clarice Lispector, de pensadoras como Simone de Beauvoir ou Hannah Arendt e de contadoras de histórias como Agatha Christie ou J.K. Rowling, mas igualmente indispensáveis são as escritoras capazes de ver o lado cômico de situações e circunstâncias que nenhum homem, por mais atento ao sexo oposto que seja, teria condições de descrever. “Minha mãe sempre nos ensinou que aquilo que é tragédia num dia pode se tornar piada no outro”, dizia a escritora.
Nos seus dois últimos livros, Meu Pescoço é um Horror (2006) e Eu não Lembro Nada (2010), Nora Ephron tentou provar que é possível rir até mesmo do que não parece ter graça nenhuma, como a decadência física e a finitude humana. Em Eu não Lembro Nada, escrito quando ela já sabia que estava doente, Nora fez duas pequenas listas: uma das coisas de que sentiria falta e outra das que não. Não sentiria falta: de barulho de aspirador e de debates sobre A Mulher no Cinema. Sentiria falta: dos filhos, de Nick (o último marido), de tomar banho, de cruzar a ponte em direção a Manhattan e de comer torta.
Nós, leitores e fãs, vamos sentir muita falta dela."
JORNAL ZERO HORA
30 de junho de 2012 | N° 17116 CLÁUDIA LAITANO
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