Que horas são?

quinta-feira, 21 de junho de 2012






                                    (Frida Kahlo)





Um passeio pelo Museu Frida Kahlo. Em cada canto da CASA AZUL, as intensidades de Frida.




http://www.recorridosvirtuales.com/frida_kahlo/museo_frida_kahlo.html"










"...na saliva. no papel. no eclipse. Em todas as linhas em todas as cores em todos os jarros em meu peito fora. dentro. no tinteiro - nas dificuldades de escrever, no assombro de meus olhos, nas últimas linhas do Sol (o Sol não tem nenhuma linha) em tudo. Dizer "em tudo" é idiota e magnífico. DIEGO em minha urina, DIEGO em minha boca - em meu coração e minha loucura. em meu sono - no papel mata-borrão - na ponta da caneta, nos lápis - nas paisagens - na comida - no meltal - na imaginação. Nas doenças - nas vitrines - em suas lapelas - em seus olhos - em sua boca. em sua mentira. "

Frida Kahlo





                                 (Frida e Diego Rivera)








terça-feira, 19 de junho de 2012

                                                                       (a onda que eu vi...)





"a onda anda
aonde anda
a onda?"


Manuel Bandeira















Delicada e linda! Júlia, minha sobrinha querida! Minha mãe diz que ela é muito parecida comigo, quando criança. Determinada, independente e muito falante. Que ela tenha herdado somente o melhor de mim e que a Vida sorria sempre pra ela.

Adorável, Júlia!




"(...)Numa folha qualquer
Eu desenho um sol amarelo
E com cinco ou seis retas
É fácil fazer um castelo.(...)"


AQUARELA, (música do Toquinho)




                                      (lucidez...)




"Não deveríamos chamar necessariamente de fracasso um amor que acaba; erigir a duração em valor é uma ideia perigosa, que pode transformar separações bem-vindas e necessárias em processos laboriosos e infinitos."


Contardo Caligaris, “Por que acaba um casal?”

segunda-feira, 18 de junho de 2012

                         (teimosamente, sonho...)



CECÍLIA MEIRELES


(…) ” São essas coisas tristes que contornam sombriamente aquele sentimento luminoso da LIBERDADE. Para alcançá-la estamos todos os dias expostos à morte. E os tímidos preferem ficar onde estão, preferem mesmo prender melhor suas correntes e não pensar em assunto tão ingrato.



Mas os sonhadores vão para a frente, soltando seus papagaios, morrendo nos seus incêndios, como as crianças e os loucos. E cantando aqueles hinos, que falam de asas, de raios fúlgidos — linguagem de seus antepassados, estranha linguagem humana, nestes andaimes dos construtores de Babel…”



(Do livro “Escolha o seu sonho“, Editora Record- Rio de Janeiro, 2002)

domingo, 17 de junho de 2012

                                           (poesia em flor...)




A POESIA COMO PROVA




"Janto em Teresina com o poeta português Ivo Machado. Ele me mostra um de seus incríveis cadernos de anotações. Escreve seus poemas no interior de quadrados imaginários que tomam só a metade de cada página. E com uma letra minúscula, "para que ninguém os consiga ler". Escreve para si e para ninguém mais. Escreve em segredo, transformando seus poemas em bordados.


Assombro-me com o caderno. É nesses pequenos vícios que se vislumbra a alma de um escritor. O afetuoso Ivo defende sua estratégia minimalista. A poesia é um bem muito precioso, cada vez mais precioso. Devemos protegê-la da fúria do presente. Lembra Ivo, então, de uma frase do Luis Cardoza y Aragon, o poeta guatemalteco falecido em 1992: "A poesia é a única prova concreta da existência do homem".



Envolta na voz de radialista de Ivo Cardoso, a frase fica a me martelar. Toca em um ponto, para mim, crucial: o que liga a literatura à vida. Nas horas mais difíceis, a literatura sempre me salva. Hoje mesmo, em um longo vôo entre Teresina e Recife, com uma estranha conexão em Brasilia, reli _ quase todo _ "O diário da queda", o lindo romance de Michel Laub. Uma gripe me rondava. Ando com problemas de família. Tenho viajado sem parar e isso, se me entusiasma, me cansa também. Em meio à exaustão, o livro de Michel _ como alguém que me amparasse depois de um tombo em 
plena rua _ me deu a mão e me ergueu. Obrigado por isso, Michel.



Nas horas mais absurdas, a literatura _ e já não sei mais separar literatura e poesia _ se torna a única prova de que existir ainda é possível. De que devemos persistir nos caminhos que escolhemos. Devemos apostar no inegociável. Repito a frase de Aragon como se ela me pertencesse _ e de fato já pertence. A poesia é a única prova concreta da existência do homem. Sim, a poesia, que nada deve a ninguém. A ciência tem suas teses e suas demonstrações. A religião, seus dogmas. A filosofia se ampara na armadura dos conceitos. Só a poesia não precisa de artefato algum para afirmar nossa existência. Ela basta, de fato, como prova de que estamos vivos.


Encontro em meu caderno de notas o endereço de Ivo Machado, que ele mesmo anotou com sua letra de calígrafo. O endereço, seguido de email e telefone, ocupa o centro de uma página, como se fosse um poema.Talvez seja um poema. O que é um poema? Em nossa mesa de jantar piauiense, cercados de amigos, havia algo de poético a nos rondar. Algo que afirmava nossa presença. Algo que, sem precisar de provas, provava que estávamos ali. E intensamente vivos."  



José Castello
é jornalista e escritor, colunista do suplemento Prosa & Verso, de O Globo, autor de "Vinicius de Moraes: O poeta da paixão" (Companhia das Letras, 1993), "Inventário das sombras" (Record, 1999) e "A literatura na poltrona" (Record, 2007), entre outros.



                                        (imagem do Google)





Pra começar a semana,  três filtros importantes que podem facilitar a vida e seus caminhos...

Boa semana!