Que horas são?

quinta-feira, 14 de junho de 2012


Carpinejar e suas acertadas palavras, sua precisão quase cirúrgica para falar das esquinas do amor. Uma crônica para ser lida, relida, recortada, revisitada a cada vez que a lealdade se afastar dos caminhos da relação.

A fidelidade é uma combinação feita entre dois adultos que se relacionam amorosamente, traz segurança, esclarece as regras. Já a lealdade é patrimônio afetivo que desconhece separações, distanciamentos, desconfigurações.

"(...)Não posso rifar seus problemas, nem propor leilão dos seus medos.(...)" 

Não, não pode! Não deve! Há quem entenda diferente, há quem se desobrigue deste código de confiança, há quem use o "sequestro moral"  para vingar-se, dissimuladamente.

O amor é pra quem sabe desnudar-se diante do outro, tem olhar generoso, alma clara e coração aberto. E, se a relação terminar, amarre os fios das confidências e esqueça a senha. Uma grandeza para poucos.


  




CARTA PARA MINHA NAMORADA

           



"Eu decorei suas fraquezas, acalmei seus pesadelos.


Conheço histórias de sua infância, dores e repulsas.


Sou sua caixa-preta, sua cópia de segurança, seu diário, seu esconderijo na parede.


Poderia imitar sua caligrafia, poderia escrever sua biografia, listar o material escolar da 5ª série, recordá-la da capa de bichinhos coloridos da cartilha Alegria de Saber.


Você não escondeu nenhuma resposta de minhas perguntas. Nenhuma gaveta para a minha curiosidade.


Nunca se revelou tanto para outra pessoa. Expôs quem odiava no Ensino Médio, quem amava, quais as gafes e as covardias que experimentou na escola.


Confidenciou aquilo que seu pai gritou e que magoou fundo, aquilo que sua mãe omitiu e feriu fundo.


Não tem anticorpos contra mim. Baixou as armas, depôs a mínima resistência.


Se você me escolheu para confiar, devo ter o dobro de tato para falar contigo, o triplo de responsabilidade. Qualquer um conta com o direito de falhar, qualquer um desfruta da possibilidade de errar, menos eu. Sou o que realmente estudou seus pontos fracos e o lugar de suas veias.


Perdi a desculpa do acidente, a vantagem do lapso.


Sou o mais perigoso, portanto tenho a obrigação de defendê-la de mim. Tudo o que ouvi a seu respeito não posso empregar para agredi-la. Cada desabafo que me confiou não serve para nada, a não ser para amá-la.


Não tem finalidade doméstica, nem serventia para fofoca, é uma amnésia alegre: escuto, sorrio e consolo.


Não ouso soprar verdades sem sua permissão. São arquivos protegidos.


Quem ama mergulha em hipnose regressiva, firmamos um código de quietude e cumplicidade, de zelo e compromisso.


Intimidade é um conteúdo perigoso, tóxico, explosivo. Há os casais que esquecem que estão levando a valiosa carga e transformam a catarse em tortura psicológica, em chantagem emocional, em sequestro moral.


Suas confidências morrem comigo ou eu vou morrer nelas. Não podem retornar numa briga. Que eu morda a língua, queime a boca, mas não use jamais seus segredos. Aquilo que você me disse não é para ser devolvido. Todo segredo é um sino sem pêndulo.


Não importa o que faça ou as razões da raiva, é covardia distorcer suas lembranças.


Não posso rifar seus problemas, nem propor leilão dos seus medos.


Minha namorada, minha noiva, minha mulher, meu amor.


Eu prometo cercar seu silêncio com meu silêncio.


Não nasci para julgá-la, mas para me julgar e, assim, merecê-la."



Fabrício Carpinejar

Publicado no jornal Zero Hora
Coluna semanal, p. 12/06/2012
Porto Alegre (RS), Edição N° 1798








terça-feira, 12 de junho de 2012


(Da série: a beleza da simplicidade mineira...)

  



URGENTEMENTE



É urgente o amor
É urgente um barco no mar

É urgente destruir certas palavras,
ódio, solidão e crueldade,
alguns lamentos, muitas espadas.

É urgente inventar alegria,
multiplicar os beijos, as searas,
é urgente descobrir rosas e rios
e manhãs claras.

Cai o silêncio nos ombros e a luz
impura, até doer.
É urgente o amor, é urgente
permanecer. 



Eugénio de Andrade
em Até Amanhã



"ANDAR   COM  FÉ  EU  VOU,  QUE  A  FÉ  NÃO  COSTUMA  FALHAR..."




                        (O Divino que nos protege...)


“Dor não tem nada haver com amargura. Acho que tudo que acontece é feito pra gente aprender cada vez mais, é pra ensinar a gente a viver. Desdobrável. Cada dia mais rica de humanidade.”


Adélia Prado



(Nossa Senhora das Graças, pelas mãos de quem sabe da minha devoção a Ela)



"(...)Deus me acompanhe
Deus me ampare
Deus me levante
Deus me dê força."



(trecho da música REZA, da Rita Lee)




domingo, 10 de junho de 2012

(Meu olhar captou esta linda imagem em BH)



Que a Luz do Espírito Santo de Deus ilumine a todos nós, sinalizando as melhores decisões e transmitindo-nos as verdades Divinas.




sábado, 9 de junho de 2012


(por que o Sol foi generoso e fez brotar as flores mais lindas...)






"Liberdade na vida é ter um amor para se prender."


(fabrício carpinejar)



DESILUSÃO





"DESILUSÃO"  obra exposta no Museu Nacional de Belas Artes no Rio de Janeiro. 


Observando a obra pode-se ver que o artista conheceu a dor da desilusão e seu efeito devastador, e, soube inscrever no mármore a imensidão deste sentimento. 


                                     (um caminho iluminado e feliz...)





“Peço que você digite

num papel sulfite

versos convincentes.



Peço que você grafite

poemas de amor

com tinta fluorescente.



Peço que você delete

tudo que doeu

e te deixou doente.



Peço que me dê abrigo

corte meu cabelo

na lua crescente.

Se você zangar comigo

vamos ao cinema

aliviar a mente.



Peço que você aplique

tudo em nós dois

nós dois daqui pra frente.



Peço que evite olheiras

a vida é passageira

amor, não esquente.

Vamos imprimir em negrito

tudo de bonito

que marcou a gente.



Peço que compense o atraso

se quiser me caso

agora e para sempre.



Não sei que bicho isso vai dar

mas peço:

vamos lá, meu bem, experimente.”



(Trecho da canção Papel Sulfite, de Jonathan Silva)