Que horas são?

sábado, 9 de junho de 2012

"Isso que se escuta: é o quê?" (personagem Verônica, no livro "Estórias Abenssonhadas", Mia Couto, pg 18







A live concert recording of Pink Floyd guitarist David Gilmour's solo concert at the Royal Albert Hall in May 2006 as part of his On an Island tour.
David Gilmour, Richard Wright, Jon Carin, Guy Pratt, Phil Manzanera, Steve DiStanislao, David Crosby, Graham Nash, Robert Wyatt, David Bowie.

1. Speak To
2. Breathe (In The Air)
3. Time
4. Breathe (In The Air) (reprise)
5. Castellorizon
6. On An Island featuring Crosby & Nash
7. The Blue featuring Crosby & Nash
8. Red Sky At Night
9. This Heaven
10. Then I Close My Eyes featuring Robert Wyatt
11. Smile
12. Take A Breath
13. A Pocketful Of Stones
14. Where We Start
15. Shine On You Crazy Diamond featuring Crosby & Nash
16. Fat Old Sun
17. Coming Back To Life
18. High Hopes
19. Echoes 1:44:20
20. Wish You Were Here
21. Find The Cost Of Freedom featuring Crosby & Nash
22. Arnold Layne featuring David Bowie
23. Comfortably Numb featuring David Bowie

sexta-feira, 8 de junho de 2012

                                         (Uma rosa é sempre soberana...)







Fabrício Carpinejar sabe usar as palavras com a facilidade de quem sente o que escreve. Seu texto me toca de alguma maneira, ou é engraçado, ou reflexivo ou emocionante. Nesta crônica ele fala com riqueza de detalhes sobre os medos que enfrentamos quando o coração escolhe alguém para amar. E veio pelas mãos da minha amiga querida, Ana Lúcia, que postou lá no seu blog http://roccana2.blogspot.com.br/2012/06/medo-de-se-apaixonar.html#links 

Quis compartilhar por aqui, também, por que quase sempre falamos das alegrias e sentimos medo de falar do que nos amedronta e paralisa. Ter medo é natural, enfrentá-lo é dever de quem quer ser feliz. Ou o medo ou a Vida. Escolho a Vida.

PARA LER SEM RESPIRAR!!





MEDO DE SE APAIXONAR

"Você tem medo de se apaixonar. Medo de sofrer o que não está acostumada. Medo de se conhecer e esquecer outra vez. Medo de sacrificar a amizade. Medo de perder a vontade de trabalhar, de aguardar que alguma coisa mude de repente, de alterar o trajeto para apressar encontros. Medo se o telefone toca, se o telefone não toca. Medo da curiosidade, de ouvir o nome dele em qualquer conversa. Medo de inventar desculpa para se ver livre do medo. Medo de se sentir observada em excesso, de descobrir que a nudez ainda é pouca perto de um olhar insistente. Não suportar ser olhada com esmero e devoção. Nem os anjos, nem Deus aguentam uma reza por mais de duas horas. Medo de ser engolida como se fosse líquido, de ser beijada como se fosse líquen, de ser tragada como se fosse leve. Você tem medo de se apaixonar por si mesma logo agora que tinha desistido de sua vida. Medo de enfrentar a infância, o seio que criou para aquecer as mãos quando criança, medo de ser a última a vir para a mesa, a última a voltar da rua, a última a chorar. Você tem medo de se apaixonar e não prever o que pode sumir, o que pode desaparecer. Medo de se roubar para dar a ele, de ser roubada e pedir de volta. Medo de que ele seja um canalha, medo de que seja um poeta, medo de que seja amoroso, medo de que seja um pilantra, incerta do que realmente quer, talvez todos em um único homem, todos um pouco por dia. Medo do imprevisível que foi planejado. Medo de que ele morda os lábios e prove o seu sangue. Você tem medo de oferecer o lado mais fraco do corpo. O corpo mais lado da fraqueza. Medo de que ele seja o homem certo na hora errada, a hora certa para o homem errado. Medo de se ultrapassar e se esperar por anos, até que você antes disso e você depois disso possam se coincidir novamente. Medo de largar o tédio, afinal você e o tédio enfim se entendiam. Medo de que ele inspire a violência da posse, a violência do egoísmo, que não queira repartir ele com mais ninguém, nem com seu passado. Medo de que não queira se repartir com mais ninguém, além dele. Medo de que ele seja melhor do que suas respostas, pior do que as suas dúvidas. Medo de que ele não seja vulgar para escorraçar mas deliciosamente rude para chamar, que ele se vire para não dormir, que ele se acorde ao escutar sua voz. Medo de ser sugada como se fosse pólen, soprada como se fosse brasa, recolhida como se fosse paz. Medo de ser destruída, aniquilada, devastada e não reclamar da beleza das ruínas. Medo de ser antecipada e ficar sem ter o que dizer. Medo de não ser interessante o suficiente para prender sua atenção. Medo da independência dele, de sua algazarra, de sua facilidade em fazer amigas. Medo de que ele não precise de você. Medo de ser uma brincadeira dele quando fala sério ou que banque o sério quando faz uma brincadeira. Medo do cheiro dos travesseiros. Medo do cheiro das roupas. Medo do cheiro nos cabelos. Medo de não respirar sem recuar. Medo de que o medo de entrar no medo seja maior do que o medo de sair do medo. Medo de não ser convincente na cama, persuasiva no silêncio, carente no fôlego. Medo de que a alegria seja apreensão, de que o contentamento seja ansiedade. Medo de não soltar as pernas das pernas dele. Medo de soltar as pernas das pernas dele. Medo de convidá-lo a entrar, medo de deixá-lo ir. Medo da vergonha que vem junto da sinceridade. Medo da perfeição que não interessa. Medo de machucar, ferir, agredir para não ser machucada, ferida, agredida. Medo de estragar a felicidade por não merecê-la. Medo de não mastigar a felicidade por respeito. Medo de passar pela felicidade sem reconhecê-la. Medo do cansaço de parecer inteligente quando não há o que opinar. Medo de interromper o que recém iniciou, de começar o que terminou. Medo de faltar as aulas e mentir como foram. Medo do aniversário sem ele por perto, dos bares e das baladas sem ele por perto, do convívio sem alguém para se mostrar. Medo de enlouquecer sozinha. Não há nada mais triste do que enlouquecer sozinha. Você tem medo de já estar apaixonada."

Fabrício Carpinejar




domingo, 20 de maio de 2012



ESPELHOS E REFLEXÕES



"O que é um espelho? Não existe a palavra espelho - só espelhos, pois um único é uma infinidade de espelhos. - Em algum lugar do mundo deve haver uma mina de espelhos? Não são precisos muitos para se ter a mina faiscante e sonambólica: bastam dois, e um reflete o reflexo do que o outro refletiu, num tremor que se transmite em mensagem intensa e insistente "ad infinitum", liquidez em que se pode mergulhar a mão fascinada e retirá-la escorrendo de reflexos, os reflexos dessa dura água. - O que é um espelho? Como a bola de cristal dos videntes, ele me arrasta para o vazio que no vidente é o seu campo de meditação, e em mim o campo de silêncios e silêncios. - Esse vazio cristalizado que tem dentro de si espaço para se ir para sempre em frente sem parar: pois espelho é o espaço mais fundo que existe. - E é coisa mágica: quem tem um pedaço quebrado já poderia ir com ele meditar no deserto. De onde também voltaria vazio, iluminado e translúcido, e com o mesmo silêncio vibrante de um espelho. - A sua forma não importa: nenhuma forma consegue circunscrevê-lo e alterá-lo, não existe espelho quadrangular ou circular: um pedaço mínimo é sempre o espelho todo: tira-se a sua moldura e ele cresce assim como água se derrama. - O que é um espelho? É o único material inventado que é natural. Quem olha um espelho conseguindo ao mesmo tempo isenção de si mesmo, quem consegue vê-lo sem se ver, quem entende que a sua profundidade é ele ser vazio, quem caminha para dentro de seu espaço transparente sem deixar nele o vestí­gio da própria imagem - então percebeu o seu mistério. Para isso há-de se surpreendê-lo sozinho, quando pendurado num quarto vazio, sem esquecer que a mais tênue agulha diante dele poderia transformá-lo em simples imagem de uma agulha.Devo ter precisado de minha própria delicadeza para não atravessá-lo com a própria imagem, pois espelho que eu me vejo sou eu, mas espelho vazio é que é espelho vivo. Só uma pessoa muito delicada pode entrar num quarto vazio onde há um espelho vazio, e com tal leveza, com tal ausência de si mesma, que a imagem não marca. Como prêmio, essa pessoa delicada terá então penetrado num dos segredos invioláveis das coisas: Vi o espelho propriamente dito.E descobri os enormes espaços gelados que ele tem em si, apenas interrompidos por um ou outro alto bloco de gelo. Em outro instante, este muito raro - e é preciso ficar de espreita dias e noites, em jejum de si mesmo, para poder captar esse instante - nesse instante consegui surpreender a sucessão de escuridões que há dentro dele. Depois, apenas com preto e branco, recapturei sua luminosidade arco-irisada e trêmula. Com o mesmo preto e branco recapturei também, num arrepio de frio, uma de suas verdades mais difí­ceis: o seu gélido silêncio sem cor. É preciso entender a violenta ausência de cor de um espelho para poder recriá-lo, assim como se recriasse a violenta ausência de gosto da água."


CLARICE LISPECTOR





http://youtu.be/Q0X2LMhBFak

[Chico Buarque - "À flor da pele" DVD Completo]





(espelho: Maria Teresa Objetos Decorativos.
Ao fundo, obra da MIRIAM POSTAL)

Maria Teresa Objetos Decorativos
Rua Tobias da Silva, 174   Moinhos de Vento Porto Alegre


sábado, 19 de maio de 2012

  (momento de encantamento na loja da Maria Teresa)






(Re)escrever a história a cada vez que a Vida mudar a carta de navegação.


(Re)conhecer os fantasmas que nos visitam, bordar cada palavra nos tecidos do dia, com delicadeza e cuidado.



Lapidar as palavras, os pensamentos, (des)carregar as energias e vivenciar os instantes que se apresentam com intensidade e amor.



Olhos que vêem e sorriem, mãos estendidas para o outro, humildade para reconhecer os erros e sabedoria para fazer boas escolhas.


Ouvir o som do coração e amar com entrega absoluta.



E leveza de alma e pensamento! Muita leveza para que a juventude não nos deixe tão cedo.

Algumas lições que apre(e)ndi com a Vida.


CHET BAKER   -  CANDY


Quase uma hora de show!

"1985 Chet Baker video now on DVD! - A 1985 video recording features legendary jazz trumpeter Chet Baker joined by Michel Graillier and Red Mitchell on piano and Jean-Louis Rassinfosse on bass. Also includes an interview with Baker."


CÂNTICO DOS ANJOS


E quando o coração está iluminado e a mente aberta, as percepções das energias do Bem ficam mais claras. 

Visitei a loja da minha amiga Maria Teresa e sempre saio melhor de lá. A música, as conversinhas, as delicadezas e toda a poesia de cada  objeto são como felicidadezinhas que me encontram.







Quase se ouve a música dos anjos que passeiam pela loja.





 




Anjos são aqueles fiozinhos invisíveis de energia que nos ligam às outras pessoas, que proporcionam os bons encontros e sinalizam bons caminhos.







Nunca viu  um anjo? Nem eu! Mas, acredito em proteção divina, em luz, em intuição, em sensações. 






E tê-los por perto, em casa, na forma de objetos, ajuda a criar ambientes iluminados e protegidos.

Estes, das fotos acima, estão na loja MARIA TERESA OBJETOS DECORATIVOS. 

Um fim de semana cheio de sol e bençãos pra todo mundo!


(Maria Teresa Objetos Decorativos
Rua Tobias da Silva, 174  Porto Alegre, RS)



sexta-feira, 18 de maio de 2012

MIA COUTO para iluminar o fim de semana!





"Sou agora menos eu
e os sonhos
que sonhara ter
em outros leitos despertaram


Quem me dera acontecer
essa morte
de que não se morre
e para um outro fruto
me tentar seiva ascendendo
porque perdi a audácia
do meu próprio destino
soltei ânsia
do meu próprio delírio
e agora sinto
tudo o que os outros sentem
sofro do que eles não sofrem
anoiteço na sua lonjura
e vivendo na vida
que deles desertou
ofereço o mar
que em mim se abre
à viagem mil vezes adiada


De quando em quando
me perco
na procura a raiz do orvalho
e se de mim me desencontro
foi porque de todos os homens
se tornaram todas as coisas
como se todas elas fossem
o eco as mãos
a casa dos gestos
como se todas as coisas
me olhassem
com os olhos de todos os homens


Assim me debruço
na janela do poema
escolho a minha própria neblina
e permito-me ouvir
o leve respirar dos objectos
sepultados em silêncio
e eu invento o que escrevo
escrevendo para me inventar
e tudo me adormece
porque tudo desperta
a secreta voz da infância


Amam-me demasiado
as coisas de que me lembro
e eu entrego-me
como se me furtasse
à sonolenta carícia
desse corpo que faço nascer
dos versos
a que livremente me condeno "



Mia Couto, in 'Raiz de Orvalho' 

quinta-feira, 17 de maio de 2012

                                                                    (contornos de Minas...)


A intensidade e a beleza que admiro no amor...



"Não sei se Marcelo foi o amor da minha vida. Mas foi uma vida inteira de amor"


(Personagem do livro ANTES DE NASCER O MUNDO do escritor MIA COUTO)




sábado, 12 de maio de 2012




Para pensar sobre a maternidade...





AS TRÊS EXPERIÊNCIAS



"Há três coisas para as quais eu nasci e para as quais eu dou a minha vida. Nasci para amar os outros, nasci para escrever, e nasci para criar meus filhos. “O amar os outros” é tão vasto que inclui até o perdão para mim mesma com o que sobra. As três coisas são tão importantes que minha vida é curta para tanto. Tenho que me apressar, o tempo urge. Não posso perder um minuto do tempo que faz minha vida . Amar os outros é a única salvação individual que conheço: ninguém estará perdido se der amor e às vezes receber amor em troca.

E nasci para escrever. A palavra é meu domínio sobre o mundo. Eu tive desde a infância várias vocações que me chamavam ardentemente. Uma das vocações era escrever. E não sei por que, foi esta que eu segui. Talvez porque para outras vocações eu precisaria de um longo aprendizado, enquanto que para escrever o aprendizado é a própria vida se vivendo em nós e ao redor de nós. É que não sei estudar. E, para escrever, o único estudo é mesmo escrever. Adestrei-me desde os sete anos de idade para que um dia eu tivesse a língua em meu poder. E no entanto cada vez que eu vou escrever, é como se fosse a primeira vez. Cada livro meu é uma estréia penosa e feliz. Essa capacidade de me renovar toda à medida que o tempo passa é o que eu chamo de viver e escrever.

Quanto aos meus filhos, o nascimento deles não foi casual. Eu quis ser mãe. Meus dois filhos foram gerados voluntariamente. Os dois meninos estão aqui, ao meu lado. Eu me orgulho deles, eu me renovo neles, eu acompanho seus sofrimentos e angústias, eu lhes dou o que é possível dar. Se eu não fosse mãe, seria sozinha no mundo. Mas tenho uma descendência, e para eles no futuro eu preparo meu nome dia a dia. Sei que um dia abrirão as asas para o vôo necessário, e eu ficarei sozinha: É fatal, porque a gente não cria os filhos para a gente, nós os criamos para eles mesmos. Quando eu ficar sozinha, estarei seguindo o destino de todas as mulheres.

Sempre me restará amar. Escrever é alguma coisa extremamente forte mas que pode me trair e me abandonar: posso um dia sentir que já escrevi o que é meu lote neste mundo e que eu devo aprender também a parar. Em escrever eu não tenho nenhuma garantia.

Ao passo que amar eu posso até a hora de morrer. Amar não acaba. É como se o mundo estivesse a minha espera. E eu vou ao encontro do que me espera."


Clarice Lispector